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Wednesday, February 17, 2016

A paranóia do "patriarcado opressor" já cá chegou

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Uma amiga aqui do salão convidou-me a comentar este texto do Público, que critica uma crónica de Miguel Esteves Cardoso. 

E ao lê-lo, conclui-se uma coisa: gostamos, sem o saber, de ser oprimidas pelo machismo e pelo sexismo. Viva a bela opressão. Nenhuma mulher é feliz sem uma opressãozita diária. Isto porque no entender das fanáticas do feminismo da moda, ser feminina, gostar de ser tratada com cavalheirismo e não ter um fanico por desigualdades imaginárias é pactuar com a opressão.


A ideia não é nova, nem minha: por terras de Vera Cruz e nos E.U.A. há várias páginas divertidíssimas - como esta - a satirizar os exageros das "feminazis" e os medos paranóicos da opressão, do sexismo e desse papão a que chamam o patriarcado. O patriarcado está para o feminismo como o capitalismo está para os comunistas e o diabo para os Cristãos: é culpado de todos os males da Humanidade, da pobreza à varicela passando pelos mosquitos.


Não que eu queira tentar analisar aqui as 50 sombras do feminismo. 

 Ou tentar perceber se o feminismo é a simples crença em direitos iguais e pugnar por causas realmente importantes, como a defesa das mulheres em países como a Arábia Saudita (se é isso, eu prefiro dar-lhe outro nome) ou um conjunto de movimentos não unificados e de ideias contraditórias cheias de "venha a nós".  Com dois pesos e duas medidas a roçar, quando não defende mesmo, uma misandria desgraçada ao mesmo tempo que advoga a imagem da mulher tipo Lena Dunham:  promíscua, desleixada e mandona, anti depilação, invejosa da beleza alheia, etc.... e cujas ideias distorcidas de igualdade nos deram cabo de muitas alegrias ou vantagens de ser mulher (como haver senhores que se oferecem para nos carregarem as malas e outras belezas do cavalheirismo).
.
Se fosse por aí nunca mais nos entendíamos, pois nem as feministas assumidas parecem entender-se.  

 O que interessa é que eu não esperava era - tão cedo, pelo menos - aplicar tais piadas a um artigo escrito em Portugal. 
Para resumir a crónica em causa, basta dizer que num momento querem a igualdade a martelo, até no que não nos convém, para logo a seguir se ofenderem se alguém, num discurso, diz ,gramaticalmente correcto mas sem pisar ovos, "portugueses" em vez de "portugueses e portuguesas". 



É desse "sexismo" tão "grave", tão "insultuoso", que trata a crónica de "uma mulher com consciência feminista" que nos trouxe aqui hoje.

Vá-se entender: tanto querem uma igualdade absurda como exigem condescendência. 

Assim não, senhoras! 

Então para "calar-se ao sexismo" ou "permitir a opressão" que leva à violência doméstica, às violações e a outros flagelos,  basta não se indignar se nos incluem, num discurso, na massa dos "portugueses" sem dizer logo, como quem pede desculpa, "e portuguesas"?

 Basta não achar isso uma misoginia perigosa para ser uma traidora da raça, querem ver?

 Claro que uma pessoa fica contente quando fazem a fineza de dizer "senhoras e senhoras, meninos e meninas" como no circo (o que também pode cair mal e soar antiquado a algumas feministas, já não sei; qualquer dia nem o circo escapa no meio deste circo todo) mas pronto.  Não sermos tratadas de forma paternalista não devia ofender nenhuma mulher ajuizada. Eu não me melindro com isso, de todo. Concordo com Miguel Esteves Cardoso: dispenso tal pinderiquice que até vai contra a gramática. 



   Passo a citar o dito artigo, porque acho isto muito complicado:

"A linguagem cumpre várias funções e está imbuída de poder. Poder esse que se situa, muitas vezes, no domínio simbólico. Usar o masculino como a regra a que se subordina o feminino patrocina a invisibilidade de metade da humanidade, tira-lhe poder, é sexista. É incompreensivelmente machista. E, isto sim, pior do que piroso, é perigoso. A lógica da dominação masculina, de que a linguagem se encontra tomada, tem servido para oprimir as mulheres. Serve a quem acha, por exemplo, que esse domínio se pode estender até à violência numa relação de intimidade. Ou, se quiserem uma notícia fresquinha a ilustrar de forma clara, justifica que um em cada três rapazes ache legítima a violência sexual no namoro".

 A violência doméstica terá muitas causas, infinitas motivações socio-culturais. Mas daí a culpar a língua portuguesa...Margaret Thatcher mandaria estas senhoras seguir-lhe o exemplo lavar a louça, como ela fazia nas horas vagas que gerir um país lhe deixava.

Porque a ela, como a qualquer mulher satisfeita e ocupada, essas lamurias bateriam ao lado. Uma mulher séria e a sério não tem medo do "patriarcado". Nem tempo para pensar no que  seja esse papão...




2 comments:

Carla Santos Alves said...

Vou falar por escrito.
Aqui há tempos li um texto, muito engraço que agora não tenho tempo para procurar e colocar aqui, mas resumidamente queria dizer que era tão bom quando podíamos tomar chá, tocar piano, dedicar-nos ao voluntariado, criar e acompanhar os filhos à séria, sem correrias, cuidar da casa, ter empregada - e estarmos concentradas no marido ao fim do dia e conseguir ter uma conversa com principio meio e fim.Estava bom assim. Mexeram porquê?
Ora eu até gosto de trabalhar, não sei se posso falar em realização profissional. Trabalhamos porque precisamos de dinheiro. Mas se pudesse, e tivesse orçamento, preferia estar em casa, ser tratada como uma lady - e isto não é pinderiquice, é mesmo assim.
Os nossos filhos são criados em infantários, com filhos de muitas mães, com educações diferentes que não lhes acrescenta nada, a maior parte das vezes, pelo contrário - os primeiros palavrões ditos pelos meus filhos - tenho 4 - foram aprendidos na escola.
Não tenho vergonha de ter esta posição, mas é o que penso, isto que querer tudo como os homens...enfim, nós somos diferentes mesmo, porquê inventar tanto?
Eu trabalho, a 50 km de casa, como eu gostaria de poder ficar em casa, tratar deles, dedicar-me a voluntariado - esses tipo de coisas...
Como diria uma amiga minha há momentos em que temos que deixar cair para nos elevarmos!
Beijinho e obrigada pela partilha, gosto do seu ponto de vista.

Susana said...

Este blog de costumes apazigua-me tanto a alma é reconfortante saber que existem mais pessoas que tb ou ainda pensam como eu. Sou careta mas não estou sozinha neste mundo!

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