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Thursday, February 11, 2016

Alegoria das pessoas- bolo


Visualizem  o seguinte cenário: vocês vão à padaria e vêem um bolo lindíssimo, artisticamente feito. Uma verdadeira obra prima da cake art. Não resistem a provar uma fatia, cheios de gula e curiosidade, convencidos de antemão de que tem de ser delicioso como parece. Mas mal lhe ferram o dente...percebem que afinal aquela Mona Lisa da pastelaria não sabe rigorosamente a nada (acontece muito, até já vos contei um episódio) ou que até sabe um pouco mal, a creme de pasteleiro (blhec) em vez de natas e doce de ovos. Imaginem pior ainda, pois estamos na Quaresma e convém não tentar muito as almas: que sabe a azedo (Credo!). Depois, não contente com enfiar-vos este grande barrete, o malfadado bolo provoca-vos uma intoxicação alimentar que vos deita por terra três dias.

Voltariam a achar os bolos dessa padaria apetitosos? A sentir vontade de os provar? Duvido. Por muito bela que fosse a escultura do pastel, por muito aparato que fizesse na montra e que até lhe reconhecessem a formosura, a recordação do mau estar ia 
impedir-vos de se aproximarem dele. A não ser que fossem extremamente teimosos ou masoquistas.




Pois há pessoas que são exactamente como um bolo desses. São apelativas (bonitas, carismáticas, poderosas ou cheias de glamour) e com isso, conseguem impressionar por um tempo, mantendo por perto amigos ou um amor. Mas tantas asneiras fazem, tantos desgostos dão, tantas vezes desiludem, é tanto mais do mesmo, que a certa altura uma pessoa já fica cega para a sua beleza ou o seu encanto. Podem aparecer no maior esplendor, e até se lhes reconhece os atributos com que andaram a enganar os incautos, mas já não causam efeito. Olha-se para elas como quem vê um bonito edifício abandonado ou uma escultura bem conseguida mas sem outra utilidade além de ocupar espaço. Pior ainda, entra-se em modo "já nem te estou a ver, já me pareces um mosquito". 

A não ser que se seja de uma teimosia ou masoquismo sem limites. Mas como diria a Mafalda (abaixo) "a paciência tem limites, e o infinito também".







4 comments:

Carla Santos Alves said...

Quando li "já nem te estou a ver, já me pareces um mosquito" - estava mesmo a pensar nisso, até o aparato exterior enjoa!:)

Imperatriz Sissi said...

Eheheheh, veritas est!

Portuguesinha said...

Eu tenho uma característica curiosa: quando vejo muitos bolos juntos, não sinto vontade de provar nenhum. Pelo que pastelarias e seus bolos xpto não funcionam muito comigo, rss.

Mas a respeito do assunto, isso é a realidade de hoje em dia. A aparência está sobrevalorizada em detrimento do sabor e qualidade. Bolos então... Sismo com os de aniversário - que agora a maioria das pessoas teima em mandar fazer num "cake designer" são todos com pasta de açuçar e para a festinha contratam uma pessoa para fazer a decoração.

Aparência sobre qualidade e até propósito.
Caminhamos para a imitação do que existe lá fora e andamos a fechar os olhos para o que tinhamos cá dentro: beleza e qualidade.

Imperatriz Sissi said...

Eu até sou toda pela beleza e acredito no impacto das vaidades deste mundo, não sejamos ingénuos. Mas não basta. E quem vive só disso é mesmo um bolo que não sabe a nada...

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