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Wednesday, February 3, 2016

Com idade para ter juízo


Há uma frase do livro Memórias de uma Gueixa que sempre me ficou: "as ilusões são como os adornos de cabelo: as raparigas gostam de usar muitos ao mesmo tempo; as mulheres mais velhas parecem tontas usando apenas um".

Isto porque até as coloridas gueixas passavam a usar trajes e enfeites mais sóbrios depois da maioridade.

Quer isto dizer que uma vez passada a adolescência, se deva prescindir da capacidade de sonhar? De todo. Quem o faz, morre para a vida. Mas sempre me disseram que há coisas que é indesculpável tolerar ou fazer depois dos 25 anos.

 E creio bem que uma delas é iludir-se com promessas vazias, com intenções fátuas, alimentando situações que não levam a lugar algum ou acreditando em pessoas que já provaram e voltaram a provar que nunca realizarão nada do que dão a entender. Na primeira juventude ou quando a situação é inteiramente nova, vá que não vá.


 Passa, como passam os pecados de estilo que toda a gente comete quando ainda não encontrou ao certo o que lhe fica bem. Mas num adulto é tão pateta deixar-se iludir como continuar a usar roupas, acessórios e penteados de adolescente. Não bate certo, parece estranho, fica datado e não é produtivo. Isto aplica-se a várias coisas: das pessoas que continuam pateticamente a perseguir sonhos de menino enquanto deixam as contas por pagar às mulheres que se deixam enganar por um homem que claramente não sabe o que quer para ele, quanto mais para os outros. Há que pensar "que figura faria eu se vestisse agora o que usava aos quinze anos?" - indo buscar retratos antigos se preciso for, para ter a ideia bem presente - e fazer a comparação. E se o resultado não for bonito, se parecer ridículo, mudar rapidamente.  A ingenuidade tem prazo de validade, e o wishful thinking também. 


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