É que primeiro, como ainda não decidi de que me hei-de mascarar dá-me para estas divagações, segundo porque assim do nada não se fala de outra coisa e apesar de eu ser contra modismos papalvos, estou a achar piada a estas maquinetas que me lembram os robozinhos amorosíssimos d´O Milagre da Rua 8.
Prestam-se a tudo, estas engenhocas.
Ora, eu não me vou vestir de drone no Entrudo porque além de precisar de voar para o disfarce ficar credível, acho que não me ia favorecer (e o mais certo era ninguém perceber a fatiota). Mas ter um drone folião para pregar partidas a pessoas malvadas seria divertidíssimo.
Nada de partidas muito feias, mas é Carnaval, ninguém leva a mal, logo imaginem: porem um drone a seguir para todo o lado, mas todo o lado mesmo, aquela criatura intolerável (quase toda a gente tem uma criatura intolerável ou mais na sua vida, que uma pessoa aplica o "perdoai-lhes que eles não sabem o que fazem" mas factos são factos). Ou vá, qualquer alma declaradamente malvada que vos tenha feito trinta por uma linha, ou ainda aquele falso amigo que vos arreliou e a coisa não é grave, mas adoravam ficar quites. Adiante.
Punha-se então o drone, com o ar imperturbável de descaramento que só uma máquina pode ter (e mais um drone, que é pequenino, com ar de quem diz "eu sou tão adorável, por acaso incomodo?") a voar sempre perto da pessoa, a zumbir os seus barulhinhos de drone (suponho) no firme propósito de a azucrinar. Se a alminha apressava o passo, incomodada, o drone apressava o voo. Se lhe virava as costas, o drone dava a volta, esvoaçando à sua frente. A "vítima" por acaso ia ao restaurante ou ao cabeleireiro, desses pindéricos com vidros por todo o lado? Lá ficava o drone colado à montra. A não ser que vos apetecesse fazê-lo sair da terrina da canja ou do armário das toalhas, em modo stalker, para armar verdadeiro rebuliço. E todo o santo dia nisto, a filmar a cara de enfado do alvo.
Caso desatasse a correr, aí é que eram elas: podia accionar-se a opção de cobrir o (a) desinfeliz de farinha, ovos e confetti, bem à Entrudo de outros tempos. Ou seria a tecnologia posta ao serviço da malandrice carnavalesca de cada um. Sonhar não paga imposto (até porque creio que não teria paciência para aprender a comandar um drone, logo podem estar tranquilos...).


