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Wednesday, February 17, 2016

"Isso não é amor, é violência"



Um novo vídeo a alertar contra a violência no namoro anda a correr as redes sociais, e dá que pensar - tal como o aumento das queixas relacionadas. Antigamente podia culpar-se um alegado status quo de misoginia, hoje se calhar podemos deitar as culpas à morte do cavalheirismo, isto sem contar que nem só as meninas são vítimas desse mal. Mas talvez seja mais útil atalhar o problema do que apurar-lhe a raiz com ideias utópicas pelo meio.




 O que me aflige mais no triste fenómeno é a sua subtileza (ou a subtileza com que começa e se instala): repare-se que, afirma o Observador, 22% dos jovens não reconhece que possa estar a ser vítima de violência, e 16% (isto é chocante) considera "normal" forçar o outro a intimidades indesejadas. 

É importante alertar para os sinais, porque poucos agressores entram à bofetada - isso seria horrível, mas um sinal de alerta imediato. A violência é muito mais discreta e consegue ser bastante confusa. Começa, quase sempre, pela "suave" agressão psicológica que não tarda a descontrolar-se.

 E nisto (sem querer pôr o pé em searas que não são da minha competência) eu diria que todos os cobardes se parecem. É uma brincadeira de mau gosto aqui, um dito ácido ali, uma cena de ciúmes de bradar aos céus mais adiante para depois evoluir, mas assentando sempre no descaso pelos sentimentos do outro, na indiferença pelo sofrimento que se provoca, no controlo, no desrespeito, na capacidade de ser cruel

O namorado que, "na brincadeira" põe defeitos no intuito de diminuir a auto estima de uma rapariga, não se ensaiará, mais tarde, em abusar noutros sentidos. O que a atormenta com delírios possessivos pode muito bem "perder a cabeça" e passar das palavras aos actos. A namorada "apaixonada demais" que afasta o mais que tudo da família e dos amigos, que controla cada passo dele, corre o risco de escalar para algo muito pior. Não estou a exagerar. Conheço casos. Há raparigas terríveis.




Reconhecer que a pessoa por quem se está apaixonado(a), que se admira e com quem se partilham tantas emoções não é boa rês pode ser uma das coisas mais difíceis em qualquer idade, mas pior um pouco quando se viveu pouco e tudo é cor de rosa. E nisso o vídeo está spot on. "Se te humilha, se ignora a tua vontade e a tua decisão, se te obriga a fazer o que não queres, se te diz que te insulta porque provocas (ou "mereces") se te faz sentir que a culpa é tua...isso não é amor, é violência. Quem te ama, não te agride. Quem te humilha, não te respeita".

Parece simples, mas para quem está envolvido é um novelo. Apontar estas listas de sintomas faz uma diferença enorme, principalmente nas mentes jovens e impressionáveis. Qualquer relação violenta deixa marcas, mas quanto mais cedo suceder, maior a probabilidade de criar um padrão. Sabem as mulheres que parecem ter tendência para os bad boys? Quase sempre houve um primeiro que a fez sentir que as coisas são mesmo assim. 

O amor deve ser paixão - e a paixão é avassaladora, por vezes - mas acima de tudo cuidado, carinho, gentileza, fazer com que as pessoas se sintam bem. Se uma relação não tem esse efeito, se acrescenta mais sofrimento do que paz e alegria, algo está mal. E isso tem muitos nomes, mas "amor" não é um deles.




































































































































































































































































1 comment:

Carla Santos Alves said...

Dei o seu texto a ler ao meu filho mais velho que tem 18 anos e tem namorada... Felizmente a resposta que deu foi que não entendia que amor seria este e que defenderia sempre qualquer mulher - estou orgulhosa com a resposta.

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