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Friday, February 12, 2016

Momento national Geographic#6: aqueles casais deprimentes, parte II




Antes do textozinho romântico que é suposto escrever para este fim de semana (vá, sou contra romantiquices e xaropes mas posso desligar o cinismo um pouco) deixem-me amargar-vos um bocadinho as vésperas do Dia dos Namorados, para não ficar tudo muito peganhento.

É que vi isto, não consigo "desver" o que vi e sofrimento adora companhia. Ou seja, tenho de desabafar.

 Já se sabe que as pessoas a quem "tanto lhes faz ser a noiva no casório como o morto no enterro" pioraram muito com a era do Instagram. 



O feio hábito do attention whoring não só é estimulado da mesma forma que uma estufa faz crescer as plantas, como os recursos estão todos à mão para quem quer chamar as atenções sobre si mesmo, ainda que da pior maneira. Sinceramente, às vezes interrogo-me se certas criaturas pensam que estão a partilhar conteúdos para o vácuo ou a falar sozinhas, tal é o descaramento com que publicam intimidades.

E agora há casalinhos que superam isso tudo. Muitos deles vieram mesmo tornar realidade aquele medo que ocorre quando se vêem certos parzinhos mal arranjados na rua: "nem quero imaginar estes dois trambolhos entre quatro paredes!".

Ou seja, criaram a hashtag #aftersex  e desataram a publicar selfies suas depois de...enfim, dos seus rituais de acasalamento. Como diz este artigo sobre o assunto, discrição e privacidade são noções ultrapassadas para muita gente.

Digo isto com voz de narrador de documentário sobre macacos. 




As tais selfies -algumas- nem seriam especialmente reveladoras, não fosse a indicação explícita do que andaram para ali a fazer. Agora se postam tal coisa para mostrar ao mundo que são amados, que andam contentinhos da vida, que não lhes falta nada, que finalmente desencalharam ou para arreliar alguém, já não faço ideia.

Atenção, não digo que, fossem todos os ditos casais de uma beleza de capa de revista, a coisa fosse menos chocante ou menos parva. Isto há namorados ridículos que são como as mães babadas: acham sempre que nunca ninguém se apaixonou à face da terra. Mas enfim, o resultado não seria esteticamente tão disparatado nem tão embaraçoso. 

Há pessoas que brincam dizendo que só falta partilhar online que se foi à casinha; eu acho que já não falta mais nada. Só respeito por si próprios e pelo par, que isso está a faltar de certeza.

 



4 comments:

Maria Francisca said...

as aftersex selfie são uma praga ridícula!!

Géraldine said...

Pois no facebook já eu vi uma foto de um "amigo" que tirou uma foto ao espelho do wc, com a sua imagem reflectida, sentadinho na sanita e mais não digo. E a pessoa até é professor.Por isso, sissi, o #iràcasinha também aparece de vez em quando. Há dois dias tomei a decisão de eliminar a minha conta de facebook.

Carla Santos Alves said...

Eu nem sabia dessa nova moda...que parvoíce... Badalhoquice, mesmo...perdeu-se o conceito de intimidade, de tanto se querer mostrar ao mundo qualquer coisa em falta no íntimo.

Imperatriz Sissi said...

@Maria, eu nem sonhava com tal praga...que horror!


@Portuguesinha, não me admira, não me admira mesmo nada!


@Carla, assino por baixo. Esta gente ensandeceu. Ou como vi para aí num meme, é tão raro terem intimidade com alguém que fazem disso notícia de 1ª página.

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