Ainda estive para empregar o termo Aventureiras sem Fronteiras, mas receei que não se percebesse que género de aventureira estava a descrever. Isto para não escrever Rameiras sem Fronteiras que não ofendia ninguém, já que as meninas são do género de se tratarem amigavelmente umas às outras por "bitch", pegas e outros "mimos carinhosos" que agora são moda entre certo tipo de mulheres. Mas como não queria um título muito malcriado, Pistoleiras sem Fronteiras ou Loureiras sem Fronteiras também serve.
Isto porque a fazer zapping descobre-se cada pérola...
Ou seja, as galdérias em causa (há que chamar tudo pelos nomes) lá fazem as corridas de obstáculos, os puzzles gigantes e as gincanas com acessórios de esferovite, mas com muita peixeirada, palavrão, twerk, unhacas gigantes, traseiros de hectare ou de melancia, tatuagens horrorosas (juro que vi um beijo garatujado num pescoço) coxas grossas com mini saias de lycra e outros trapos de stripper medonhos pelo meio. Enfim, o costume. Aliás, o título do programa em Portugal é mesmo "Desavergonhadas".
Mas sabem o que me incomoda? Nem é o conteúdo em si, que já se sabe que o mundo anda como anda e se uma pessoa vai afligir-se com o mau gosto passa a vida a ter quebras de tensão. É o facto de - como nos Jersey Shores e outros "Shores", nos Kardashians e nas Casas dos Segredos - estes comportamentos ordinários serem apresentados como positivos, vencedores, aspiracionais ou no mínimo, normais e inofensivos.
Não há ironia na coisa, não há um "vejam estas primatas", nem um "digam às vossas filhas que não tentem copiar isto", muito menos um "não imitem isto em casa, não sejam desavergonhadas, vulgares e grosseironas". Nada. É em modo "tudo muito lindo" para ser imitado pelo tipo de pessoas que nós sabemos e transmitido às infelizes crianças que elas vão pondo no mundo.
Admiram-se com as figuras que vemos na rua e com os atrevimentos que às vezes saltam ao caminho de pessoas de bem? Eu cá não.



