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Monday, February 15, 2016

Raios partam as áreas cinzentas.




Não ver tudo como preto ou branco é uma suposta virtude. Amiúde a verdade está algures no meio e quase sempre tem muitas faces. Nem sempre se pode ser radical.

Mas a bem da sanidade e de avançar na vida sem ter a cabeça em água, às vezes 
impõe-se pensar com clareza e isso implica, sim senhora,  ver as coisas como SIM ou SOPAS, como brancas ou pretas, sem meios caminhos. Sem desculpas esfarrapadas. Sem nuances (ou passando por cima das nuances que só atrapalham) sem meias tintas e meios termos, sem "sim, mas...".

Isto aplica-se a todas as áreas da existência, sem excepção. A própria Bíblia diz que "sim, sim, não, não" deve ser o nosso discurso. Por algum motivo será...

 Analisemos o problema através de exemplos:


Profissional e materialmente: ainda há dias vi uma grande máxima neste programa do Canal História. "Quando um negócio começa a ficar ruim, é melhor uma pessoa afastar-se dele antes que piore". Ponto. No entanto, o que mais há é pessoas que, lá porque já investiram mil, ou muitos anos e energia, preferem perder o triplo só para não admitirem que apostaram no cavalo errado.  Isso está muito bem se não afecta a sobrevivência, se é um hobbie, mas não quando coloca tudo em jogo. Em coisas importantes, ou se está dentro ou se está fora. Ou sim ou não.



Na sociedade: já aqui se falou muitíssimo no relativismo. No esbater das fronteiras entre o bem e o mal, o certo e o errado.  Ataques aos direitos humanos neste ou naquele país são desculpados como "faz parte da cultura deles", a prostituição chega a ser desculpada como "libertação da mulher", os bandidos são tratados como "vítimas da sociedade" ou inimputáveis; a corrupção é encarada como "comum" ou "normal" em países pobres ou de democracia recente, as crianças que espancam os colegas de carteira são traumatizadas ou hiperactivas. Em nome de não julgar, de não apontar o dedo, 
enumeram-se todas as áreas cinzentas possíveis por medo de dizer "isso é mau". O problema é que o nome que se dá à coisa não altera as consequências desse mal. A uma vítima tanto lhe faz ter sido atacada por um doido que não pode ser responsabilizado como por uma pessoa supostamente sã de espírito, mas sádica.


Na moda e outras superficialidades: ao analisar qualquer evento de passadeira encarnada, muitas vezes valoriza-se mais o aspecto artístico ou a originalidade do vestido do que a forma como ele assenta na mulher que o usa. Ora, isso tem a sua importância; mas em boa verdade não interessa tanto o designer, se é a tendência do momento  ou se foi feito com seda pura bordada a cristais, etc. Se não favorece a mulher, não é um bom vestido. Para ela, pelo menos. Não se pode dizer que alguém está bem vestida só porque anda com uma obra de arte pendurada no corpo. Se não a torna mais bela, não serve.  O resto são desculpas.


Nas amizades: desculpa-se o "amigo" aproveitador ou desleal porque é "amigo" há muitos anos. Porque se partilhou muitos momentos divertidos com essa pessoa ou porque vá, ela "esteve lá" naquela fase negra, mesmo que entretanto (ou simultaneamente)  tenha feito trinta por uma linha ou apunhalado pelas costas. Ninguém é perfeito e errar é humano, mas ou bem que se é amigo ou bem que não. A amizade não funciona por uso capião - isso é uma área cinzenta das grandes.



No amor: o sector que mais é vítima destas confusões, quase sempre nascidas do wishful thinking, da teimosia ou do medo de acabar só. É o velho "ele (a) ama-me, mas..." tem mau feitio/medo do compromisso/anda com uma vida muito complicada/sofre de timidez crónica/temos tido problemas/não tomou os comprimidos/ tem traumas de infância. Quem quer estar junto, arranja maneira. Quem não quer, arranja desculpas. Até porque lá dizia o outro, uma pessoa pode gostar de outra, sentir a falta dela, mas não estar assim tão interessada. Se o "amado" ou "amada" não age como tal, não se compromete, não pede em namoro ou casamento, não quer exclusividades ou até quer mas só faz disparates, só causa sofrimento, então fava para tais boas intenções. Quando uma relação não o chega a ser, ou não faz senão ser uma fonte de problemas, não a encarar como "preto" ou "branco" só aumenta a confusão, só ocupa espaço e impede quem fica nela de seguir em frente.


As farmácias deviam vender realismo e objectividade em cápsulas...

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