Começou por trabalhar como enfermeira e jornalista autodidacta, mas viria a tornar-se membro de uma força especial dos Aliados que cooperava com uma facção da Resistência Francesa e uma das mulheres mais medalhadas da Segunda Guerra Mundial.
Nancy usava a sua perícia em combate e o seu irresistível sex appeal para derreter tudo o que lhe barrava o caminho. Com a cabeça a prémio, escapou de várias ciladas, salvando sempre os seus tesouros: pó de arroz, um frasco de creme de rosto, um saco de chá e uma almofada de cetim. Muitas vezes despistava a Gestapo dirigindo-se aos agentes com o seu sorriso mais doce e perguntando com uma piscadela de olho se gostariam de a revistar. Mais tarde (morreu com 98 anos) recordaria esses episódios com uma mistura de remorso e malandrice "céus, que sacaninha namoradeira que eu era!".
O seu único arrependimento relativamente às aventuras que viveu foi a morte do seu amado marido, Henri- torturado e executado pelos alemães - pela qual se culpava. De resto, nunca teve medo de morrer: viver sem liberdade, afirmava, não era vida para ninguém.
Os camaradas diziam dela: "é a mulher mais feminina que já vi, até o combate começar. Aí vale por cinco homens!".
Mais uma que não precisou de se declarar feminista nem de agitar bandeirinhas ou tirar a roupa em público para fazer o trabalho que só uma rapariga pode levar a cabo como deve ser; outra menina que fez jus ao que digo sempre: uma mulher deve ser delicada mas forte como as cordas de um piano. Ou melhor, à frase de Shakespeare: "parecer-se com a flor frágil, mas ser a serpente que se esconde sob ela". Bem podem pregar as extremistas que uma mulher tem de ser masculina para ser levada a sério. Nancy Wake, sempre de resposta pronta, dir-lhes-ia, e passo a citar: "podem meter essas ideias onde o macaco guarda as nozes!". O que quer que isso signifique só ela saberia, mas soa-me a resposta bem torta!

