Esta semana dei uma olhadela ao filme homónimo, que de vez em quando passa na televisão e que nos forneceu tema de conversa para o jantar. Para quem não viu o filme, o enredo é simples: no presente as pessoas de Q.I. elevado vão adiando ter filhos, enquanto a população menos dotada e menos culta não faz o mínimo planeamento familiar, reproduzindo-se como roedores, o que resulta em, daqui a 500 anos, a Terra estar povoada de perfeitos burros vestidos.
Questões reprodutivas à parte (que isso da inteligência às vezes salta gerações e pode nascer um génio numa família de gente estúpida como um melão; talvez não tenha acesso aos estímulos mais adequados, mas não deixará de ser brilhante à sua maneira)
pergunto-me se teremos de avançar muito no futuro para assistirmos a uma realidade semelhante.
Não tanto por uma questão de dotes intelectuais inatos, mas pela forma como usar o cérebro está a cair em desuso.
Senão, reparem: já nem falo em aspectos como o avanço tecnológico, que às vezes simplifica um bocadinho demais (por exemplo, dizem que as pessoas andam a ficar desmemoriadas porque dependem demasiado do Google para confirmar informação) nem do facilitismo no acesso ao Ensino Superior.
Mas basta olhar à nossa volta com olhos de ver para notarmos que estamos entregues à bicharada: por um lado, as pessoas menos instruídas. Antigamente entretinham-se acumulando muito conhecimento empírico na escola da vida: jogavam cartas, iam à caça, a bailes, dedicavam-se à agricultura, conversavam à lareira, partilhavam receitas, contos e mezinhas, inventavam cantigas ao desafio e para passar as informações mais importantes da actualidade e regular os bons costumes, lá estava a Igreja que quanto mais não fosse lhes dizia "se forem debochados e malcriadões, vão para o Inferno" e as obrigava a decorar uns Padres- Nossos e umas Salvé Rainhas, que se não entrassem na alma ao menos exercitavam a memória.
Hoje, como passam o tempo? A embasbacar -dependendo da faixa etária e localização- para os programas da manhã ou da tarde, pejados de dramas da vida real e de cantores brejeiros que fazem trocadilhos malandros próprios para adolescentes com as hormonas em ebulição, para a Casa dos Segredos, para as séries mais degradantes que a MTV se lembre de fazer ou no limite, para coisas do estilo Jackass. O resto do tempo livre
passam-no nas redes sociais a partilhar piadas igualmente brejeiras e conteúdos semelhantes ao que vêem na televisão, a discutir futebol como se fosse assunto de estado ou a dançar qualquer música "marota" e "sensual". Nada os diverte se não for brutal, lascivo ou envolver dinheiro. Nos casos piores, tentam copiar os gangs que vêem nos videoclips. Em suma, perderam até o rótulo de "bons selvagens", de gente simples, humilde e genuína, para estarem cada vez mais básicos, em contacto como nunca com as necessidades e os comportamentos do Cro-Magnon.
Mas não julguemos por um instante que só a instrução salva alguém: não é pela camada "culta" da população que nos salvamos. Não só pessoas com estudos superiores admitem orgulhosamente ler pornochachadas e o culto ao grotesco tomou conta da Arte, como ainda há dias vimos a loucura que vai pelas faculdades do continente americano (no Brasil a loucura é completa e nos E.U.A. pouco mais se adianta) e as inutilidades politicamente correctas que intelectuais e cientistas perdem tempo a analisar, em vez de tentarem esclarecer os mistérios do universo ou fazerem por solucionar os problemas reais da Humanidade, como era costume.
Vão-se preparando, é só o que vos digo.


