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Friday, February 12, 2016

Terra de idiotas- uma realidade distante?





Esta semana dei uma olhadela ao filme homónimo, que de vez em quando passa na televisão e que nos forneceu tema de conversa para o jantar. Para quem não viu o filme, o enredo é simples: no presente as pessoas de Q.I. elevado vão adiando ter filhos, enquanto a população menos dotada e menos culta não faz o mínimo planeamento familiar, reproduzindo-se como roedores, o que resulta em, daqui a 500 anos, a Terra estar povoada de perfeitos burros vestidos.

Questões reprodutivas à parte (que isso da inteligência às vezes salta gerações e pode nascer um génio numa família de gente estúpida como um melão; talvez não tenha acesso aos estímulos mais adequados, mas não deixará de ser brilhante à sua maneira)
 pergunto-me se teremos de avançar muito no futuro para assistirmos a uma realidade semelhante. 

Não tanto por uma questão de dotes intelectuais inatos, mas pela forma como usar o cérebro está a cair em desuso. 

Senão, reparem: já nem falo em aspectos como o avanço tecnológico, que às vezes simplifica um bocadinho demais (por exemplo, dizem que as pessoas andam a ficar desmemoriadas porque dependem demasiado do Google para confirmar informação) nem do facilitismo no acesso ao Ensino Superior. 



Mas basta olhar à nossa volta com olhos de ver para notarmos que estamos entregues à bicharada: por um lado, as pessoas menos instruídas. Antigamente entretinham-se acumulando muito conhecimento empírico na escola da vida: jogavam cartas, iam à caça, a bailes, dedicavam-se à agricultura, conversavam à lareira, partilhavam receitas, contos e mezinhas, inventavam cantigas ao desafio e para passar as informações mais importantes da actualidade e regular os bons costumes, lá estava a Igreja que quanto mais não fosse lhes dizia "se forem debochados e malcriadões, vão para o Inferno" e as obrigava a decorar uns Padres- Nossos e umas Salvé Rainhas, que se não entrassem na alma ao menos exercitavam a memória.



Hoje, como passam o tempo? A embasbacar -dependendo da faixa etária e localização- para os programas da manhã ou da tarde, pejados de dramas da vida real e de cantores brejeiros que fazem trocadilhos malandros próprios para adolescentes com as hormonas em ebulição, para a Casa dos Segredos, para as séries mais degradantes que a MTV se lembre de fazer ou no limite, para coisas do estilo Jackass. O resto do tempo livre
 passam-no nas redes sociais a partilhar piadas igualmente brejeiras e conteúdos semelhantes ao que vêem na televisão, a discutir futebol como se fosse assunto de estado ou a dançar qualquer música "marota" e "sensual". Nada os diverte se não for brutal, lascivo ou envolver dinheiro. Nos casos piores, tentam copiar os gangs que vêem nos videoclips. Em suma, perderam até o rótulo de "bons selvagens", de gente simples, humilde e genuína, para estarem cada vez mais básicos, em contacto como nunca com as necessidades e os comportamentos do Cro-Magnon.


Mas não julguemos por um instante que só a instrução salva alguém: não é pela camada "culta" da população que nos salvamos. Não só pessoas com estudos superiores admitem orgulhosamente ler pornochachadas e o culto ao grotesco tomou conta da Arte,  como  ainda há dias vimos a loucura que vai pelas faculdades do continente americano (no Brasil a loucura é completa e nos E.U.A. pouco mais se adianta) e as inutilidades politicamente correctas que intelectuais e cientistas perdem tempo a analisar, em vez de tentarem esclarecer os mistérios do universo ou fazerem por solucionar os problemas reais da Humanidade, como era costume.


Vão-se preparando, é só o que vos digo. 

6 comments:

C.N. Gil said...

Lembro-me de ter visto esse filme há muitos anos e ter pensado "Mas não é isto que está a acontecer?"

:)

Imperatriz Sissi said...

Totalmente. Só ainda não se generalizou.

C.N. Gil said...

Não?!?

Em que planeta é que vives?

:)

Imperatriz Sissi said...

Digo-o considerando a minoria ajuizada.

Portuguesinha said...

Vi esse filme há um ano, adorei!
Acho que critica muito bem a sociedade. Expõe bons pontos de vista.
E, tal como eu sempre acreditei desde os bancos da escola, faz chacota da teoria de Darwin! "Só os mais bravos sobrevivem". LOL. Os mais safos, quis ele dizer. Muita inteligência não é necessariamente algo positivo, rsss.

Imperatriz Sissi said...

@Portuguesinha, nunca me tinha ocorrido mas o chico espertismo é capaz de ser um bom atributo darwinisticamente falando.

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