É uma das minhas canções preferidas (como se não bastasse ter sido escrita por Cat Stevens, mais tarde foi cantada por Rod Stewart e sai sempre bem, basta ouvir a versão de Sheryl Crow) e mais do que a letra em si, o título sempre me assombrou um pouco. The first cut is the deepest - uma profunda verdade.
Um primeiro amor marca, principalmente se ferir. Há aqueles que deixam profundas cicatrizes, que accionam todo um efeito borboleta que pode ser destruidor. E o primeiro amor não é necessariamente o primeiro namoro ou o primeiro envolvimento sério: pode ser aquele que escapou. E se fez um corte, nunca haverá arranhão igual, por mais fundos que sejam os seguintes.
Depois, em qualquer relacionamento, se há um first cut que abala a confiança total que havia entre duas pessoas, dá-se o efeito do espelho: é possível colá-lo, mas a brecha nunca desaparece.
E, terceiro caso a que se aplica a letra: o first cut duplo. Restaurar um amor, reatar laços, escavar raízes profundas nunca é simples; é sempre um processo agridoce.
Porém, torna-se mais denso quando se trata de restituir a uma primeira paixão, ao que poderia ter sido, a sua pureza original apesar do tempo, do ressentimento, do ciúme, da separação e dos fantasmas. A ideia é romântica, mas o processo há-de ser no mínimo catártico. Há a necessidade da presença do outro para curar as feridas, mas a visão constante da ausência, do corte e da lâmina. Querer alguém sabendo que o primeiro corte é o mais profundo exige mananciais de compreensão, de perdão, de paciência. Requer um amor que mais do que imenso e imorredouro, é magnânimo, altruísta, forte, teimoso - mas acima de tudo, misericordioso.
I still want you by my side
Just to help me dry the tears that I've cried
And I'm sure gonna give you a try
If you want I'll try to love again,
Baby, I'll try to love again, but I know...
The first cut is the deepest
Baby I know
The first cut is the deepest
But when it comes to bein' lucky, he's cursed
But when it comes to lovin' me, he's worst...
