Recomenda-se:

Netscope

Wednesday, February 10, 2016

Um tipo feminino em vias de extinção.




Só há dias reparei que o canal FOX Crime está a passar duas das minhas séries preferidas: Poirot e Miss Marple, as muito glamourosas adaptações da obra de Agatha Christie. Que pratinho. 




Apaixonei-me pela série Poirot em pequena (começou em 1989!) porque a avó era fã acérrima e eu fazia-lhe companhia ao serão, já então a pasmar para as roupas e os cenários. Íamos buscar um petisco qualquer e ficávamos na saleta com uma manta sobre os joelhos a observar como o detective belga punha as suas "celulazinhas cinzentas" a analisar, tim tim por tim tim, os enredos mais intrincados. Um dia ainda arranjo todos os episódios e uma valente dose de tempo livre - cada história é looonga - para ver tudo de fio a pavio.



 Por Miss Marple interessei-me mais tarde, mas foi igualmente amor à primeira vista: a simpática solteirona mostra como a intuição feminina, aliada ao simples conhecimento e observação da natureza humana, é o suficiente para uma pessoa não se deixar enganar. E claro, há igualmente uma boa dose de figurinos riquíssimos e grandes actores na série (como Julian Sands, Sophia Myles e Saffron Burrows). 



Mas para uma observadora atenta, os dois programas têm outro aspecto interessante: os cavalheiros e as senhoras. A forma como se vestiam, moviam e comportavam é very british, certo, mas também é um produto do seu tempo.



 Assistindo a Poirot e a Miss Marple podemos contemplar em toda a sua glória a english rose, um tipo feminino em vias de extinção: uma delicada beldade inglesa de pele de porcelana, cabelos naturalmente escuros, acobreados ou louros, olhar misterioso e suave, faces rosadas, uma classe a toda a prova, maneiras impecáveis e modestas. Os ingleses bem se lamentam que o arquétipo tenha quase desaparecido, a favor do estilo stipper chic cheio de extensões no cabelo, saias curtíssimas, bronzeamento artificial alaranjado e quilos de maquilhagem. Sinais dos tempos...

Quem tem juízo e gosto pode sempre inspirar-se no passado. É o que vale.








2 comments:

Portuguesinha said...

É engraçado, também ando a ver. Mas sou o Poirot.
Não gosto dos diálogos da miss Marple. São muito mais fanhosos!

Já estava preocupada com as minhas "capacidades de dedução" pois adivinhava o culpado(s) em todos os episódios! Mesmo não sabendo bem toda a sequência, o assassino era evidente. Sou assim tão boa? - não acho!

Mas os últimos dois da série 10 (eles alternam as séries, dá a 4, a 7, a 9, a 10, etc) não acertei. Mas também devo dizer que não fez muito sentido estes últimos episódios... As personagens agiam no final de forma diferente do inicial. Com a faca e o queijo na mão decidem não matar uma rapariga para fugirem quando já tinham assassinado outra à martelada.

E o intérprete dePoirot é excelente no papel. Dá nuances fantásticas. Poirot é detetive mas em muitos episódios ele também é homem... E isso passa no olhar e expressão do ator, que deixa antever uma certa ânsia por companhia feminina, mas os misteriosos desejos das mulheres nos homens lhe escapam.

Quanto a elas, vai além do british rose. É também uma postura e uma atitude típicas da época que a Agatha Christie retrata. Um certo snobismo, classes sociais distintas, muita coisa a acontecer às escondidas, affairs, amantes, uma elite descontraída, de festas e bocejos mas uma sinceridade por vezes brutal, de dizer verdades na cara mas usadas com agressividade.

Ah sim, o vestuário da época retratada é liiiindo!
Adoro a elegância e sofisticação de muitas épocas passadas.

Imperatriz Sissi said...

A english rose é quase sempre "upper class". E adoro a fleuma inglesa. Tenho de ver todos os episódios para avaliar melhor os enredos, ainda só vi uns dois ou três..

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...