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Saturday, March 19, 2016

3 coisas que Jesus aturou tal como nós


Porque amanhã começa a Semana Santa - que em termos espirituais e de tradição é a minha época preferida do ano - têm-me ocorrido algumas ideias para partilhar convosco sem querer repetir, em modo "post típico da quadra" o que já foi dito em anos anteriores. E ontem lembrei-me disto ao (re) ver um dos meus filmes "de Páscoa" preferidos. (Semana Santa não é Semana Santa sem filmes de Páscoa, por mais que os canais actualmente prefiram passar coisas tipo Shrek).


Talvez a vossa avó tivesse o costume de dizer, se vos via arreliados com alguma coisa "deixá-lo! Paciência! Mais do que nós sofreu Jesus!". Digo as vossas avós porque a maioria das pessoas mais jovens vai perdendo esse útil raciocínio enraizado na nossa cultura, que tanto ajuda a relativizar os problemas. Esse e o de dizer "tudo seja por amor de Deus!" ou "seja por amor dos meus pecados!" ou ainda de oferecer as contrariedades pela conversão dos pecadores ou pelas alminhas do purgatório (um dia debruço-me mais sobre o tema das alminhas).

Qualquer pessoa baptizada saberá a história da Paixão de Cristo, que vem a propósito mesmo fora desta época do ano. Se nos fazem dar voltas inutilmente, refila-se "que estupidez - andei o dia todo de Herodes para Pilatos". Um falso amigo, já se sabe, é um Judas. E quando alguém quer livrar a água do capote, diz "lavo daí as minhas mãos como Pilatos".




 Porém,  se pensarmos bem na vida de Cristo - e sobretudo, nos Seus últimos dias -  não só nos Seus grandes sofrimentos, inimagináveis para qualquer pessoa hoje, mas nos desaires "menores", vemos que Jesus passou mesmo coisas aborrecidas tal como nós. Ao que o Divino Redentor se submeteu!

 Obviamente, lidava com os desgostos com santa sabedoria e paciência, embora se irritasse por vezes ( o melhor exemplo foi quando perdeu as estribeiras e expulsou os vendilhões do Templo a pontapé).



 Mas ao fazer-se Homem aceitou sujeitar-se a todas as coisas que nos tiram do sério, não usando o Seu poder para se livrar delas. Quanto a mim isto é dos maiores testemunhos da Sua divindade. Ou para quem não é Cristão mas até acredita que Jesus fazia milagres, a derradeira prova de que Jesus era mesmo muito especial.

Qualquer um de nós, se tivesse a capacidade de andar sobre as águas ou transformar água em vinho, ficaria muitíssimo tentado a no mínimo, pregar um susto a certas almas ou usar qualquer milagrezinho para escapar a um problema difícil. Ser humano NÃO é fácil, e Jesus experimentou isso nas mais ínfimas maçadas. Ora vejamos:


1 - Amigos da treta



Jesus teve muitos amigos dedicados como Santa Marta e Lázaro, José de Arimateia, Nicodemos, o primo S. João Baptista (embora nos seja sugerido que não tinham oportunidade de conviver muitas vezes) S. João Evangelista (que O seguiu até ao fim e  prometeu tomar conta da Virgem Maria como um filho) e - reza a tradição - Maria Madalena. 

Mas não só foi traído por Judas por cinquenta dinheiros como Pedro, que jurava lealdade aos quatro ventos, negou três vezes que O conhecia, com medo de ser preso também. 



Claro que é compreensível ter-se acobardado com todo o povo a gritar mata e esfola e demais a mais, S. Pedro arrependeu-se logo a seguir e veio a redimir-se de tudo, tanto que Jesus o escolheu para ser o primeiro Papa. Mas não deve ter sido nada agradável  saber (e obviamente Jesus sabia tudo) que um grande amigo disse, numa hora tão negra "não conheço este homem de parte alguma e não tenho nada a ver com isso". 

 Depois, mesmo João (com Pedro e Tiago Maior) adormeceu como um prelado enquanto Jesus se debatia horrivelmente no Monte das OliveirasE Pilatos? Não era um amigo mas simpatizou com Ele, sabia-O inocente...e ainda assim não O defendeu  para não arranjar complicações nem perder o seu tachinho como Governador da Judeia. Todos já passámos por uma destas, embora em grau menor: estarmos numa aflição qualquer e mesmo os íntimos ficarem descansadinhos como se nada fosse. Ou terem muita pena, acharem que temos muita razão, mas entrarem em modo "isto não é nada comigo". Thanks a lot.

2- Dúvidas paralisantes, mesmo sabendo que no fim vai correr tudo bem



Que Jesus soubesse os horrores que O esperavam no dia seguinte mas ainda assim se voluntariasse para sofrer a morte é um dos aspectos maravilhosos a contemplar na Semana Santa. Depois de dizer aos três dorminhocos que O acompanhavam que se encontrava "numa tristeza mortal", Jesus, cheio de pavor, retirou-se para rezar,
 debatendo-se na angústia de levar a Sua missão redentora até ao fim. Mesmo estando ciente de que tudo fazia parte do Plano, que no fim ia ressuscitar e assustar à brava os fariseus deitando abaixo o Templo, teve dúvidas e chegou a pedir que se fosse possível, não tivesse de tomar aquele cálice. Ficou tão aflito que suou sangue e foi confortado por um anjo, como sabemos. Mal comparado, muitas vezes vemo-nos numa inquietação semelhante: antes de uma prova/reunião/intervenção cirúrgica importante, por exemplo. Temos a certeza das nossas capacidades, tudo está preparado e ensaiado, sabemos que vamos sofrer por uma boa causa mas que no fim valerá a pena, mas ainda assim só apetece deitar tudo a perder e fugir para bem longe. Principalmente quando os outros nos deixam sozinhos a dar o peito às balas e queremos mais que tudo que se "afaste de nós esse cálice".

3 - Passar de bestial a...inimigo público, vá.



Ora vejamos a  cronologia: no Domingo de Ramos, ou seja amanhã, Jesus entrou em Jerusalém triunfante. Tinha mais admiradores e apoiantes do que conseguia atender: as multidões seguiam-nO, chamavam-lhe Rei dos Judeus, Messias e Filho de Deus e era tudo uma grande festa. Menos de uma semana depois foi preso, julgado sumariamente, torturado e executado. A mesma multidão que o aclamava exigia histericamente agora que O crucificassem - arrisco dizer, muita gente sem saber ao certo porque pedia tal coisa. Bastou verem-No acusado e na nó de baixo. De um momento para o outro, até preferiam Barrabás, um famoso salteador, a Jesus que não tinha feito senão curar leprosos, coxos e paralíticos e ajudar pobrezinhos. Claro que o diabo até podia andar lá a virar a cabeça do povo e a acicatá-lo, dadas as circunstâncias, mas em qualquer época não há nada tão volúvel como a admiração ou gratidão das pessoas. Não raro, está-se na coroa da lua mas basta uma intriga para que os bajuladores se transformem em acusadores, jurando aos pés juntos "aquele (a) nunca me enganou". Por mais que seja uma mentira e injustiça completa. As celebridades que perderam tudo devido a um escândalo estão aí para o provar, mas quem já foi alvo de um rumor maldoso que é um sarilho para resolver pode entrever como Jesus se terá sentido.


Em conclusão, foi preciso Cristo ser verdadeiramente Santo e gostar MUITO da Humanidade para ter vindo cá abaixo ver isto. E o pior é que 2000 anos depois tudo continua mais ou menos na mesma, o que põe à prova a santa paciência de cada um  todos os dias que Deus deita ao mundo...






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