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Sunday, March 13, 2016

8 momentos para entrar em modo "que se dane"

A prudência é uma das virtudes cardeais (aliás, a mãe das virtudes cardeais)- infelizmente  confundida muitas vezes com passividade ou bananice.  Mas lá dizia Maquiavel que às vezes mais vale ser ousado do que prudente

Dentro do bom senso, há ocasiões em que se aplica um "que se dane", um "temos pena", um "perdido por um, perdido por mil", um "é para a desgraça, é para a desgraça" um "remember the Alamo" ou simplesmente, em que se entra em modo "Avé Maria e avante".

1- Quando se encontra "aquele" livro/vestido/peça de colecção/etc



Fazer aquisições "quando se pode e os bons negócios aparecem" não é o mesmo que cair em compras por impulso: é uma regra de smart shopping. Se por acaso se deparou com algo que costuma procurar e sabe que lhe dá sempre jeito, mais vale fazer o investimento agora do que andar à procura como uma barata tonta mais tarde - aí sim, fazendo compras apressadas e se calhar menos vantajosas.

2- Quando se apresenta uma ocasião única de "desatar o saco"



Ou seja, de dizer tudo o que tem entalado há imenso tempo a uma determinada pessoa - para o bem ou para o mal-  mas faltou a ocasião, o momento ou a coragem. Está bem que a flecha disparada ou palavra dita não voltam atrás, mas as oportunidades perdidas também não. Se um discurso está "gravado" na mente a passar em loop e a atormentar a alma é porque se calhar o verbo precisa mesmo de ser solto. Além disso, engolir em seco provoca doenças ruins. Caso sinta "se não disser das boas e das bonitas, rebento" ou pior, "se não falar agora, vou ficar na dúvida se fiz bem o resto da vida" siga o impulso ou o instinto, e seja o que Deus quiser. Pior do que está não fica e no mínimo, é um alívio.

3- Na TPM

Esta é exclusiva das mulheres, mas convém que face a ela os homens presentes também apliquem o bom e velho encolher de ombros. Por mais que se diga que é mito, ela existe. O papel das hormonas no organismo ainda fará correr muita tinta, mas ficar mais gulosa,  emocional ou sensível ou nesses dias é perfeitamente natural. É claro que o auto-domínio cabe em toda a parte, mas mais vale regalar-se com um sundae se o corpo pede ou desabafar se está mais capaz disso do que noutras alturas do que ficar com um humor pior ainda. Aplique-se a isso a regra "what happens in Vegas...".

4 - Quando não há outro remédio senão partir a louça toda



Esta é muito semelhante ao momento nº 2, mas aplica-se mais a circunstâncias em que os outros abusam da boa vontade/boa educação/timidez de cada um, fazendo dos bonzinhos capacho. Só que até os tapetes precisam de uma sacudidela de vez em quando e quem não se sente, não é filho de boa gente. Se o risco foi mesmo pisado, há que aproveitar aquele momento de indignação, de "não, chega, assim também é demais" e accionar o modo defesa ou contra-ataque de imediato. Com sorte, o oponente fica assarapantado e sem acção por ver que o "tapetinho" reagiu. Lá dizia Sun Tzu, há que surpreender o inimigo e atacá-lo quando ele menos espera, de uma forma contra a qual não lhe passaria pela cabeça prevenir-se. 

5- Quando se apaixona *mesmo*



O amor não é desculpa para tudo - muito menos para prejudicar terceiros. Mas é verdade que muda as pessoas e as faz reconsiderar muitos "nunca farei isto ou aquilo" que atiram para o ar no seu estado normal. Uma amiga bastante sensata disse-me uma vez, quando me ouviu comentar "gabo-lhe a pachorra" perante outra amiga que ia a correr para casa fazer um grande jantar para o marido que até cozinhava razoavelmente: "dizes isso porque ainda não te mordeu o bicho!". O bicho, claro, era o Cupido. Lá diz o povo, "quem pensa não casa". O amor verdadeiro não bate à porta todos os dias e embora a necessidade de ponderação não desapareça de todo (já se sabe, quem se aventura a amar, aventura-se a sofrer) sem capacidade de arriscar, nada se faz.

6- Quando lhe aparece uma boa oportunidade (e assim como assim, não há uma alternativa melhor)



Muitas coisas boas (e outras tantas que dão para o torto) surgem quando até se está sem rumo certo, sob a forma de algo que quebra o tédio. Por exemplo, estar sem grandes perspectivas de carreira e cair do céu uma proposta apetecível mas temporária, ou mais desafiante do que seria desejável, ou que fica longe. É verdade que pode correr menos bem. Mas se não tem nada melhor para fazer, why not? Dizem os entendidos que a sorte também se fabrica e que uma das maneiras de a atrair pode ser, simplesmente, virar as rotinas do avesso. Nada de bom sai de águas paradas.

7- Quando algo não tem nada de errado...e a (o) faz MUITO feliz



Deus nos livre de seguir aquela filosofia indecente do "nada é errado se te faz feliz" (Bob Marley não era má pessoa, mas devia estar a fumá-las - como era seu hábito - quando disse tal). No entanto, há coisas que se adoraria fazer e que não são condenáveis (eticamente, moralmente...) nem indignas, nem reles, que não prejudicam ninguém (nem o próprio sequer) mas pronto, ou porque há medo que os outros pensem "nem parecem coisas tuas!", ou por falta de coragem/tempo/energia, ou para não perder a compostura, ou por *enunciar razão* vai-se adiando ou recusando essa alegria. Nada é eterno e embora seja de evitar a filosofia living la vida loca ou andar sempre a dar uma voltinha no wild side, convém viver um pouco.

8- Quando há motivos para festejar



 Muitas vezes cai-se no péssimo hábito de não assinalar as coisas boas. Não celebrar datas especiais ou boas notícias, por exemplo. Há uma razão para se chamarem "datas especiais" e "boas notícias": é que não acontecem todos os dias. Deixar de assinalá-las porque "não dá jeito" é o mesmo que dizer - conforme as crenças de cada um - ao Céu, ao Universo ou à Sorte "não me tragas mais nada disto porque eu não aprecio". Dentro das possibilidades de cada um, agradecer e festejar devia ser obrigatório. Até porque ninguém gosta do chato ou da chata a quem Deus dá nozes, mas não tem dentes. Um dia não são dias, que diabo.




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