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Tuesday, March 8, 2016

Considerações do dia da mulher (em rosa- chá, não rosa- serigaita)



Eça de Queiroz, nas suas "cartas de Inglaterra" dizia que a História é como uma velhota que passa o tempo a repetir-se. Com o Dia da Mulher dá-se o mesmo. Todos os anos é de rigueur (para quem é blogger) fazer um post muito ou pouco feminista (conforme o blog) sobre o assunto (podem ver os do Imperatrix aqui, aqui ou aqui) geralmente lembrando mulheres com M grande (também tenho muito disso).

 E para quem não é blogger, é "obrigatório" partilhar nos social media citações, memes, frases feitas (umas do piorio, outras melhorzinhas) alusivas ao tema OU o retrato da praxe num jantar de mulheres que pode ser (e poucas vezes é) remotamente sofrível. 

Eu tenho em relação ao Dia da Mulher o mesmo sentimento que tenho pelo S. Valentim: que se assinale, mas sem clichés e - salvo se houver um evento especial a que se deva assistir - com privacidade. Qualquer jantar feminino marcado para esta data, por elegante e bem frequentado que seja, por mais cara de tertúlia *sensata* que tenha, corre o risco de ser confundido com uma espécie de reunião de tupperware com direito a strippers brasileiros e gerberas com um laçarote para todas as convidadas aos guinchos. Ou com uma reunião política de feministas-extremistas e maldispostas a protestar contra a tal opressão que ninguém sabe ao certo o que é.


No entanto, a ideia do dia é reflectir.

 Não só nos direitos e DEVERES cívicos, sociais e morais da Mulher (porque se fala tanto nos direitos, mas pouco nos deveres), não só nas grandes causas remotas que nos afligem (os direitos das mulheres em África, na Índia ou em certos países muçulmanos) não apenas na aplicação severa das leis que já existem para proteger o sexo frágil (sim, frágil, caluda feministas que pelo bem que nos querem até os olhos nos tiram) contra problemas como a violência doméstica em países civilizados e democráticos, mas nas causas discretas, nos problemas que andam para aí todos os dias mas há vergonha de falar nisso porque não é suposto acontecer tal numa democracia europeia. 

Este artigo do Observador, sobre a violência nas salas de parto, deu-me arrepios e palavra de honra, faz-me reconsiderar aquela minha ideia "maridos a assistir a nascimentos, jamais - um homem nunca deve ver a sua mulher em tais preparos; dá cabo do romance". É que a maioria já ouviu falar em partos traumatizantes em hospitais e maternidades públicas ou mesmo no privado (true story) - quase toda a gente já teve uma tia ou amiga que (pensamos nós, nos anos 70/80) encontrou uma equipa negligente, falta de privacidade ou um médico brutamontes. Mas parece que ainda é comum. Muito e tristemente comum. E já que não há um enquadramento específico que proteja as parturientes, dá jeito um homem forte capaz de dar um murro na mesa, salvo seja. 

Num país civilizado, não devia ser preciso um homem para fazer respeitar uma mulher numa situação de óbvia fragilidade...mas ainda vai sendo!




2 comments:

Géraldine said...

Infelizmente muitas mulheres sofrem de abusos quando estão para ter os filhos :-( É triste. Felizmente não passei por isso quando o meu filho nasceu, a não ser este caricato episódio: Estava eu numa salinha à espera da minha vez para a cesariana, pois o bebé estava em posição pélvica, e o meu marido estava comigo na sala, branco como cal de ansioso que estava... Até que uma auxiliar sugeriu ao meu marido que se retirasse, não fosse ele desmaiar. Aprox 15 minutos começo a ouvir gemidos - sim, gemidos, vindos da sala de enfermagem:
Olha o nome desta... Géraldinnneee, GEEERRRALLLDIIINNNEEE, OH OUIII, AAAHHH, UUUHHHH, OHHHH MON DIEUUU QUE CE BOOONNN, Enfim ficam com uma ideia certo?
Para ali estiveram a balir e a gemer e a rirem à gargalhada até que se cansaram e foram importunar outras. Infelizmente, a formação académica não implica que se tenha educação, respeito, postura profissional. Mas foi a única situação desagradável que aconteceu (comigo!!!) No HDSantarém.

Imperatriz Sissi said...

Essa é de uma pessoa se benzer com a mão esquerda...suponho que tenham ficado aturdidos demais para fazer alguma coisa, mas dá raiva. Era o marido entrar por ali dentro e armar um banzé, a ver se continuavam a gritar Geraldine Geraldine...macacos.

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