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Thursday, March 17, 2016

Eu embirro com...esse palavrão do "comer saudável".







Frisando e realçando, não é com o hábito de ter uma alimentação saudável (embora os modismos papalvos do detox e das papas com linhaça para inglês ver me irritem). É mesmo com a expressão "comer saudável" que eu embirro solenemente.

De um momento para o outro - como todas as modinhas - "comer saudável" tornou-se um chavão que as pessoas usam como se não houvesse outra forma de dizer exactamente o mesmo. Um chavão pretensioso que dá origem a montes de artigos aburguesados em jornais e revistas e pior, a uma multidão de posts ranhosos nas redes sociais. "Hoje apeteceu-me comer saudável" - lá reza a postagem com um prato de salada cheio de filtro fotográfico. 

Uma salada metida a chic muito provavelmente regada com um molho feito na Bimby e levada para o emprego numa tupperware genuína da Tupperware, que é para a pinderiquice ser completa, absoluta e irrefutável.

Gente normal e escorreita diria, de forma gramaticalmente coesa, "hoje apeteceu-me comida saudável" (ou um jantar/almoço/lanche saudável) . Ou então,  "hoje apeteceu-me comer saudavelmente". 



Mas não. Qual quê! Umas porque vêem/ouvem os outros falar e escrever assim e nem se detêm a pensar se é bem ou mal dito, outras porque acham lindo, zás.

Querendo ser chic a valer, esta malta diz exactamente como o nosso povo amoroso: o comer, o comerzinho (expressão que, já vos tenho dito, por mais que não esteja incorrecta eu abomino porque me lembra sempre comida retrasada).

A intenção aqui não é- bem sei - usar um verbo como substantivo à moda da aldeia. É algo bem pior, porque não é genuíno: parece-lhes que fica muito bem, muito urbano, trocar as voltas ao português. 

Mas o mais engraçado é que quem tem de facto uma alimentação saudável não se lembrará de se repenicar toda (o) com dizeres desses, quanto mais de partilhar o "repasto" a não ser que queira dar a receita...é o pão nosso (ou a salada nossa) de cada dia. O hábito de comer saudavelmente (não "saudável", irra!) é como a inteligência, a nobreza, a beleza ou a riqueza (a riqueza antiga, vá): quem tem não precisa de o afirmar aos quatro ventos...quanto mais preocupar-se com a forma mais moderna de o gritar ao mundo!

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