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Friday, March 18, 2016

Felizes as mulheres do Mundo Antigo




A condição da mulher nas diferentes sociedades de há mais de 2000 anos atrás tinha muito que se lhe dissesse. Aliás, foi um pouco assim sempre - com os direitos e deveres a variar para melhor e para pior, evoluindo e regredindo, de época para época e lugar para lugar, não necessariamente em crescendo. Por exemplo, ao contrário do que se convencionou nos bancos de escola, as mulheres na Idade Média (ou pelo menos, um número apreciável delas) gozavam de maior protagonismo e prestígio na vida pública do que em certos países/meios europeus durante o século XIX e mais além - isto se não quisermos entrar em comparações com a situação feminina actual em determinadas sociedades islâmicas. 

A própria Bíblia está cheia de regras e princípios - alguns aparentemente contraditórios entre si - acerca do comportamento feminino e das normas conjugais. E apesar do papel aparentemente submisso da mulher (ou mesmo por causa disso) era-lhe dada muitíssima atenção. Para o bem e para o mal, vá...



Uma série que vale a pena seguir no Canal História - e que a cada episódio analisa versículos bíblicos para tentar perceber o que eles nos dizem da vida quotidiana desse tempo, com base em dados não só do povo hebreu, mas das outras culturas com quem contactava - chamou a atenção para esta lei curiosa:

Quando um homem se tiver casado recentemente, não irá à guerra e não se lhe imporá cargo algum. Durante um ano estará livremente no lar para tornar feliz a mulher que ele desposou.(Dt 24,5)


É certo que os historiadores e especialistas convidados atribuíram - e com razão - tal medida à necessidade de as famílias crescerem rapidamente, dados os altos índices de mortalidade daquela altura. Escapar à infância era uma sorte e mesmo quem chegava à idade adulta estava sujeito a bater as botas devido a uma peste ou outra macacoa qualquer, isto quando a guerra ou diferentes formas de violência não tratavam de dizimar boa parte da população. 


Porém, atente-se na expressão utilizada: não é "estará livremente no lar para garantir descendência" ou outro termo mais categórico.

A Bíblia fala especificamente em tornar a mulher feliz. Num período de Lua-de-Mel ou numa grande licença de casamento para que marido e mulher se acostumassem um ao outro. Um ano inteirinho a cultivar o romance. Isto é muito sofisticado *e bonito*.

 Reparem que o nosso código do trabalho mega civilizado e democrático só diz, super friamente "são consideradas justificadas as faltas dadas por 15 dias seguidos por altura do casamento". Coisa mais chocha e sem coração. Hoje fala-se muito na "igualdade de direitos da mulher"...mas vejam lá se alguém se rala com a "felicidade da mulher"!


Depois, é curioso como vivendo numa cultura judaico-cristã, não se frisa actualmente o modelo defendido pela religião dos antepassados: quando uma pessoa se casa, não é para "ser feliz"- é com o dever de tornar o outro feliz. Se ambos trabalharem nesse sentido, focando-se mais nas suas obrigações para com a cara metade do que na própria felicidade, pela lógica ambos serão felizes. É o mesmo que toda a gente ser bem educada, dar prioridade a quem deve, não incomodar os outros, tratar bem o próximo: se todos cumprissem era uma alegria...


Mas não. Cada um casa com o desejo egoísta de "ser feliz" e descasa com o dobro da velocidade logo que, muito superficialmente, lhe parece " já não sou feliz!". Sem atentar que a felicidade não é assim uma coisa em linha recta, inalterável, adquirida; "ser feliz" não é andar por aí todos os dias como quem tomou um batido de Prozac ao pequeno almoço. A felicidade é feita também de pequenos alívios, de muitos confortos insignificantes. Um marido que faz por emendar as suas pequenas faltas e procura poupar à mulher toda as arrelias que pode, que a protege o melhor que sabe, que é carinhoso nas banalidades quotidianas... vale mais do que outro que se esmera nos grandes gestos, mas no dia a dia só faz o que lhe apetece como se vivesse sozinho, sem considerar os sentimentos "dela".

 Por vezes os antigos sabiam mais do que nós. Ou tinham outra atenção ao que realmente importa...






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