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Monday, March 28, 2016

Gucci, adoro-te mas...what the hell?




Pensem em Gucci para HOMEM: não sei quanto a vós, mas ocorrem-me imediatamente à ideia fatos italianos primorosamente cortados e coisas assim. Ora bolas, até o guarda roupa do Ben-Affleck/Bruce Wayne é Gucci no filme em que o Batman e o Super-Homem se travam de razões.

Por isso fiquei espantada ao ver estes acessórios para homem....




E estas toilettes (glups) "para eles" :


É verdade que toda a estética da Casa Gucci tem gravitado à volta dos anos 70; basta ver pela colecção feminina para esta Primavera ou mesmo por alguns fatos que, dentro do corte masculino mas de acordo com as tendências, têm apresentado as bainhas mais curtas. Os anos 70 foram a década do unissexo, de uma silhueta mais boyish para homem, com o corpo em V e algum regresso a "tipos elegantes", vulgo peraltas, que já eram apontados como "chic, mas pouco viris" nos finais do sec. XIX.

Nos anos 1970 houve o muito mau (as grandes lapelas, o poliéster, as suiças, rapazes de botas de salto alto e coisas piores) mas também uma abordagem fresca aos clássicos, um regresso ao natural, ao boémio, aos cabelos compridos q.b. (que pessoalmente, acho lindos) e, falando em termos de estética, o corpo de bailarino que é bonito. Basta ver filmes do tempo como Love Story, Hair, The way we were ou Jesus Christ Superstar. A década tem má reputação, mas recuperar alguns dos seus elementos não é necessariamente péssimo.


Depois, um homem másculo não deixa de o ser por lhe apetecer pôr uma camisa/casaco cor de rosa,  um padrão mais fofinho numa gravata ou coisa que se pareça. Não é por uma peça em si mesma ou um elemento extravagante que uma toilette deixa de ser "de homem".


E em última análise, o público gay nunca foi de desprezar para as marcas. Sem falar naqueles que, tão hetero como se pode, têm figura e pinta para evocar um David Bowie nos seus tempos de glam rock. Vai da presença de cada um. Compreende-se que a cada estação haja sempre a presença de peças mais ousadas, irreverentes, fantasiosas.


Mas quando se exagera, quando uma colecção inteira (ou 90% da colecção, vá) obedece a essa ideia,  a história é outra. Já me parece puxar um bocadinho pela efeminização obrigatória a que se tem assistido quer em comportamentos e ideias, quer em filmes.

Do filho de Will Smith a usar saias e vestidos (tanto por sua cabeça, como para a Louis Vuitton) a colecções "gender free" (como se roupa unissexo fosse agora grande novidade) parece que querem por força impor o borrowed from the girls. Isto não seria incomodativo se se tratasse só de arte, de estética. O que me faz espécie é a afirmação política por trás da ideia. Digam o que disserem, a masculinidade faz falta. Precisamos dela nas referências, nas imagens, no que se transmite às pessoas todos os dias, nos valores que permitem o equilíbrio da sociedade.

E não sei quanto a vós, mas passear-me por aí com um cavalheiro mais  florido e colorido do que eu não faz as minhas delícias. Mas se calhar estou em minoria, já não digo nada.

4 comments:

Maria Francisca said...

Subscrevo o que dizes.
Além disso, sempre achei a Gucci um bocado hum... novo rico. Pelo menos na maioria das coisas. Muito logotipo pouca elegância real. Digo eu, que não percebo assim grande coisa de moda! Hermès ftw!

C.N. Gil said...

Posso dizer-te que cada vez menos encontro roupa decente para homem, seja de que marca for... (porque infelizmente sou um teso, na verdade) e isso começa a ser problemático!

O tipo de coisas que colocaste aqui está a espalhar-se pelas marcas, mas não combina bem com a personalidade da maior parte dos homens (mesmo alguns com estilos muito alternativos de vida) que conheço!

Depois, as roupas que existem, são uma espécie de roupas baunilha! Não as compro porque gosto, compro porque servem e não dão uma ideia desajustada de quem eu sou!

No dia em que me virem com um casaco feito das cortinas da minha avó ou com uma camisa transparente, façam um favor ao mundo e abatam-me!

:)

Imperatriz Sissi said...

@Maria, a Gucci tem de tudo. E como é típico nas marcas italianas, pode ir do sóbrio ao exuberante. Mas isto é um bocadinho bizarro...

@Gil, espero que seja uma tendência passageira. Prefiro alguma austeridade na roupa masculina. É verdade que se está a espalhar, mas continua a haver peças discretas um pouco por todo o lado. Posso dar umas pistas se for preciso!

C.N. Gil said...

Se puderes dá, que isto está a ficar estupidamente problemático!

É que a pouca roupa que gosto não é feita em tamanhos de homem...
...e a que é não gosto!

A HM, por exemplo, não tem um único caso que me sirva, e olha que, vestindo um 56, há gajos muito, mas mesmo muito maiores que eu!
Eles mandam fazer a roupa na Asia e depois da nisto! Para eles um 36 deve ser um XXXXXL...

LOOOOOOOOOOOOOOL

Vê lá bem que a coisa está tão má que cada vez mais começo a olhar para o E-Bay como uma alternativa viável...

(Nos "states" um gajo do meu tamanho é lingrinhas...)

Thanks

:)

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