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Wednesday, March 16, 2016

Macaquinhos no sótão, cada um tem os seus.


Em boa verdade, não sei porque se convencionou que são macacos os responsáveis por uma pessoa começar a malucar lá por dentro em problemas que nem existem (ou a atormentar-se com males passados aumentados à lupa da imaginação). Ter ratos no sótão é bem mais comum: quem já dormiu numa casa antiga sabe bem o barulho que eles fazem...parece uma rave descontrolada lá em cima!

Mas vendo bem, faz sentido que se tenha dado tal honra aos nossos primos simiescos, e não à rataria.  Macacos não se limitam a correr, tratando da sua vida como os ratos que só pensam em roubar comida e arranjar ninho: se hipoteticamente se apanharem num sótão hão-de inventar quantas cabriolas há com tudo o que estiver à mão. Atiram o que andar por cima dos móveis, vestem a roupa do avesso, abrem e fecham gavetas, balançam-se nos lustres pela cauda...


Assim são os nossos pensamentos: não se limitam a correr e a fazer barulho. Viram-se do avesso, arreliam-nos com caretas, penduram-nos as ideias de cabeça para baixo, um banzé pegado, até não conseguirmos ter um "diálogo mental" que se aproveite. Magicar pode ser um péssimo hábito. Isso do cogito ergo sum até pode ter provado que existimos, mas existir não quer dizer que se esteja a meditar em alguma coisa de jeito. 

Há dias alguém disse "bichinhos feios no sótão" em vez de "macaquinhos". Achei muito bem dito, até porque há macaquinhos lindíssimos, mas nem todas as macacadas que nos poluem o sótão são belas e inspiradoras. Algumas mais valia trancá-las no zoo e deitar fora a chave. Ou lavá-las com sabão macaco, para a nódoa sumir de vez.

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