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Tuesday, March 8, 2016

The Walking Dead ensina: nunca sejas a rapariga que "está a jeito"


O último episódio de The Walking Dead mostrou um rompimento amoroso aborrecido: o ex-militar Abraham terminou abruptamente a sua relação com a Rosita, que é valente e bonita. Quando a pobre coitada, em lágrimas, insistiu em saber o motivo de uma mudança tão súbita, o grandalhão de cabelo cor de cenoura e bigode à viking foi brutal, mas honesto:

"Julgava que eras a última mulher à face da terra...e agora vi que não és".

É que os dois tinham andado na estrada sem conviver com quase ninguém, a matar zombies e a manter-se vivos como podiam. Mas agora, que estão inseridos numa comunidade maior de sobreviventes, Abraham tem bastante por onde escolher, encontrou uma rapariga que o encanta mais, e...sabem o resto. E a pobrezita lá ficou a chorar, sem lhe ocorrer ao menos dizer "também eu julgava que eras o último mas agora vi que há muito peixe no mar, meu grande estúpido". Sempre salvava a face.

Nota para os fãs da série: isto não vai acabar bem para a rival nem para a Rosita, aposto convosco. 


Mas adiante: o que interessa aqui não é o programa, é a moral da coisa.

A Rosita, que até é uma jovem bastante esperta e desembaraçada, cometeu o erro crasso de muitas mulheres: deixou-se ser a "rapariga que está a jeito" ou à mão. Aquela com quem um homem se envolve à falta de melhor.  Ou com quem até assumiu uma relação mas porque calhou. A rapariga que ele não procurou, que lhe caiu aos pés ao primeiro sorriso, que não lhe deu trabalhinho nenhum a conquistar, que se calhar até andou feita tonta atrás dele ou que lhe facilitou a vida num relacionamento supostamente casual (embora com a ideia desonesta de lhe "deitar o laço"). 

A diferença é que a Rosita tem desculpa: realmente, num cenário apocalíptico não há muito por onde escolher, muito menos machos alfa aptos a sobreviver e a defender a parceira. 


Mas na vida real, não há razão para cair numa falta de dignidade dessas (a não ser a falta de auto estima, ganância, medo de ficar para tia e/ou uma fixação parva e unilateral por um ser de calças tão substituível como qualquer outro). Também não vale usar a desculpa do "amor", porque o amor, se é verdadeiro, tem de ser recíproco e já se sabe: os homens arranjam muitas desculpas para tudo, mas quando estão *realmente* interessados não precisam de grande incentivo.

E claro que é má receita: raramente funciona, pelas razões que já vimos. Os homens, na sua esmagadora maioria, são seres de vontades firmes e de poucas considerações, que preferem pedir perdão que permissão. Podem envolver-se com a Rosita do momento, ser "caçados" por um tempo e arrastados para um "à falta de melhor"...mas nunca será aquela paixão. E no segundo em que lhes aparecer aquela paixão, a mulher dos sonhos deles, aquela por quem suariam as estopinhas sem pensar duas vezes, podem muito bem dizer e fazer como o Abraham. Ou pior, rematar com um horrível "eu nunca andei atrás de ti, antes pelo contrário".

Não se pode fabricar amor onde nunca houve matéria prima para isso- é tão estúpido como querer tirar vinho de bananas. Para cada Rosita, há um homem algures, que faria sei lá o quê  para estar com ela. Um homem disposto a procurá-la, a insistir, a virar-se do avesso como compete a um cavalheiro. Nenhuma mulher devia contentar-se com um Abraham, quanto mais esforçar-se para lhe "conquistar o coração". Mulheres são conquistadas - só assim podem ser tratadas como sonham. Por muitas voltas que o mundo dê. Mesmo durante um apocalipse.

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