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Friday, April 29, 2016

As mulheres Galadriel




A semana passada estava a passar O Senhor dos Anéis e pela enésima vez, até porque falámos de elfos há dias, dei uma espreitadela à cena em que Frodo se encontra com Galadriel.

Quando fui ao cinema ver The Lord of the Rings, não tivera qualquer contacto prévio com a obra de Tolkien (só mais tarde, por insistência de fãs empedernidos, lá li e fiquei rendida, sobretudo ao Silmarillion). Por isso - apesar de ser grande admiradora da deslumbrante, über classy e racé Cate Blanchett - Galadriel pareceu-me um pouco, bem...excêntrica. Digamos que o seu discurso parecia de quem não estava muito boa das ideias. O próprio Frodo fica a olhar para ela um pouco como quem diz "tirem-me daqui que esta sujeita é doida" (then again, Frodo tem sempre um ar de aflição, por isso pode não ser).

Safa! O_O
  Porém, a cena em que Galadriel é testada pelo malvado anel, fica muitíssimo tentada, mas resiste, diz muito da personagem - e do tipo de mulher que ela representa. O autor, que desenvolveu a obra durante muitos anos, tinha grande consideração por ela e via-a como um dos mais importantes e nobres vultos do povo élfico.  Ao longo do seu percurso, Galadriel comete vários erros: deixa-se influenciar por ideias de rebelião e pelo orgulho, já que ambiciona deixar o universo élfico para governar o seu próprio território na Terra Média. Porém, ao contrário de outros parentes seus, nunca se deixa corromper efectivamente. Acaba por ser perdoada pelos deuses e, quando fica óbvio que o tempo dos Elfos acabou e que é preciso deixar o protagonismo aos humanos, tem a dignidade de se retirar e voltar às origens, em vez de se agarrar ao poder.

O que torna Galadriel poderosa não é tanto a sua magia como o seu bom senso e a capacidade de manter-se pura apesar de roçar as vestes por influências menos boas.


E como ela, há mulheres assim: são capazes de estar em todo o lado, de lidar com toda a sorte de gente, mantendo-se íntegras e fiéis a si próprias. Até podem ter uma posição de destaque, mas jamais se tornam déspotas ou obtusas. São o tipo admirável de mulher que eleva as amigas, dando-lhes bons exemplos se elas se comportarem estouvadamente; que são a excepção à regra na proeza de "colocar juízo" na cabeça de um marialva bem intencionado, com potencial, mas aparentemente indomável, fazendo dele um homem de família; que são capazes de gerir uma carreira e um lar, sem que se dê pela sua influência; que educam filhos excepcionais e bem educados. E que fazem tudo isso parecendo tão imbeliscáveis e belas como Galadriel. Não são anjos nem elfas, mas são mulheres raras.

No entanto, imitá-las é um esforço que qualquer uma pode tentar, e que produz sempre bons resultados... 

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