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Thursday, April 21, 2016

Bela, recatada e do lar...porque não, hein? Ou o lugar da mulher não é onde ela quiser?



Por terras de Vera Cruz - e a reboque da crise política - vai um grande burburinho que pôs as feministas de plantão de cabelos em pé (há quem fale em histeria colectiva) e que convida a pensar.

Antes de mais, deixem-me explicar o motivo de ultimamente eu andar atenta ao que se passa quer no país irmão, quer nos Estados Unidos no que respeita à condição feminina e, por conseguinte, de isso ter um certo protagonismo aqui no blog: é que todos os exageros, todas as bizarrias e todos os disparates de uma certa agenda à esquerda, liberal, ou o que queiram chamar-lhe, vêm ultimamente das Américas, mas acabam inevitavelmente por se reflectir aqui (vide o caso do Happy Meal ou mais recentemente, o do Cartão de Cidadão). Temos tido alguma sorte por, no velho continente, as ideias mais extremistas andarem pela Suécia ou pelos países de Leste, mas não nos fiemos.

Esclarecido isto, vamos à polémicazinha: a revista Veja! dedicou uma elogiosa reportagem à mulher do actual vice-Presidente do Brasil, com o título "bela, recatada e do lar" que foi imediatamente classificada como parecendo um artigo "dos anos 50" (qual é o mal?).


Caiu o Carmo e a Trindade, simplesmente por a postura tradicional da visada ser - aos olhos de quem leu - elogiada como "ideal". E claro, as mulheres "emancipadas" reagiram com memes mostrando que não querem ser "do lar". Querem antes ser assim, bêbedas, malcriadas e "endiabradas" (Vade Retro, Satana):


Vamos por partes, para que não restem dúvidas: Marcela Temer (ex Miss, formada em Direito depois de casada) é um pouco um estereótipo ambulante daquilo que as pessoas adoram apontar como (detesto o mau uso da palavra) dondoca. Totalmente dedicada à casa, ao filho, ao lazer e esposa de um homem muitos anos mais velho, o que levanta sempre suposições mordazes.  Porém, ainda que seja uma "dondoca" bem casada com quem escolheu, novo ou velho, casamento de amor ou de razão...onde é que isso é pior do que coleccionar casos de uma noite e ficar a chorar na manhã seguinte porque ninguém quer casar com doidivanas, como tantas que há para aí e ainda se defendem com o feminismo? M-E-N-O-S.


Mas ponhamos isso de lado: recordo-me de, na adolescência, ficar muito espantada por ouvir a avó dizer que nunca tinha sonhado com outra coisa senão ser esposa e mãe. Com o mundo inteiro diante de mim, imensas possibilidades e - admito-o, que remédio - cheia da cassete que nos impingiram que nh nha nha, uma mulher não pode ser "só isso" achei extraordinário que afinal, ela tivesse deixado de ser outra coisa qualquer não por a terem proibido, mas por vontade própria. Foi assim uma epifania.


Por outro lado, mais cedo ainda algo me dizia que tão mau era uma mulher querer ser outra coisa que não dona de casa e não a deixarem, como era mau querer ficar em casa com os filhos (como se fosse fácil!) e ser censurada por isso. Para já, porque invejei poucas coisas na vida, mas uma delas eram os meus colegas cujas mães estavam em casa. Depois, porque quando lia as tiras da Mafalda, me parecia estranho que a Mafalda fosse pintada como a rapariga ideal (cheia de ambições intelectuais e stressada com preocupações políticas) enquanto a Suzaninha era retratada como uma bisbilhoteira ignorante, só por ser mais feminina e querer ter muitos filhinhos.

Não que houvesse mal nos sonhos da Mafalda ou nos sonhos da Susaninha: mas no seu extremismo, ambas eram chatas e limitadas, cada uma a seu modo. Não via porque é que a Suzaninha tinha de ser pior.


Depois, sejamos realistas: ou bem que as conquistas dos últimos cem anos deram às mulheres liberdade para serem o que quiserem (cientistas, militares,artistas e sim, donas de casa) ou bem que não deram. Ou há moralidade (ou neste caso, liberdade...) ou... o resto. Até porque já se sabe, you´re damned if you do and you´re damned if you don´t: as mesmas almas que pregam que temos mas é de estudar e trabalhar chega-se a uma certa fase da vida e começam a perguntar "e quando é que casas? E quando é que os teus pais têm netos?". Haja paciência e metei-vos na vossa vidinha, sim?


Por isso, pessoalmente fico-me por um saudável meio termo: que uma mulher estude, que se prepare, que conquiste a sua  independência e mais tarde se quiser abrir mão de uma carreira, se puder e o casal tiver meios para isso muito bem; esteja em casa. 

Seja a rainha do lar, que é uma nobilíssima e muito trabalhosa ocupação, seja o lar simples que precisa de cuidados diários bem cansativos ou a casa grande com pessoal doméstico que exige uma gestão complicadíssima. Fique se quiser, senhora do seu direito, de preferência se tiver meios seus (herdados ou conquistados a pulso, não importa) e/ou alguma actividade a partir de casa ou em part time, não só por uma questão de realização pessoal mas porque, como já discutimos, não acho boa ideia depender totalmente de ninguém: não sou a favor do divórcio mas como diz o povo, hoje estamos bem mas amanhã vai-se a ver.


Mas o que sela o assunto foi a forma como o mulherio sempre pronto a ver machismo e opressão até num ovo retaliou  incendiando a internet (e este texto explica-o lindamente). As mulheres "moderninhas" sentiram-se "oprimidas" pela reportagem, só porque implicitamente ela diz "Marcela não é como vocês: não anda para aí seminua, não protesta a favor do aborto, não é promíscua; porta-se bem e é a típica mulher para casar". Já se sabe que por trás de cada afirmação do tipo "só Deus pode julgar-me" há um fortíssimo "deixem-me pecar em paz". Alguns memes tinham a sua piada, como estes históricos que satirizaram o assunto pintando Leonor de Aquitânia , Catarina de Medici ou Isabel I como "mulheres do lar".


A diferença é que Leonor, Isabel ou Madame Curie não só fizeram o que tinham a fazer sem precisarem de "feminismos", como sempre souberam estar. Uma mulher pode escolher não ser "do lar", mas bela e recatada convém que seja.  Se ser uma mulher "moderna" é ser uma taradinha canta monos, uma histérica, uma devassa, uma desleixada, antes ser  mulher do lar, mil vezes. Lá dizia a Dorothy, there´s no place like home.









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