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Friday, April 1, 2016

Das cenas mais românticas que já vi: é de Homem!




Ontem calhou ver este filme baseado no board game Batalha Naval, com alguns actores de que gosto muito. Mas fosse pelo enredo, teria mudado de canal (apesar de não desgostar desse jogo em pequena) com ou sem Liam Neeson e companhia.

O que me prendeu ao écrã foi a cena em que o herói impulsivo, apaixonado à primeira vista por uma rapariga, procura de imediato conquistá-la. Dirige-se a ela como compete a um homem, chega à fala, mas...  a beldade está esfaimada e não dá conversa a ninguém antes de  obter  um burrito de frango fora de horas (adoro ver uma personagem magra e linda com um bom apetite, a quebrar o mito "mulheres bonitas são umas enjoadas"). E ele, determinado, trata de lho arranjar. 



 Sai disparado e uma vez que ninguém lhe vende o petisco, salta pelo telhado de uma loja fechada, arma uma confusão monumental, cai num monte de frascos de ketchup, deixa lá o dinheiro (é um rapaz honesto, claro), e depois, todo coxo, é perseguido pela polícia, causa uma data de estragos e leva uma série de choques eléctricos, mas não desiste e cai aos pés dela com o apetecido burrito, como um cavaleiro medieval depois de uma missão arriscada pela honra da sua dama. Claro que ela casa com ele. Arrisco dizer que nenhuma mulher ficaria indiferente a tanta dedicação, por pouco conveniente que seja ter um namorado que ande por aí a arrombar lojas, mesmo que por uma boa causa.


E digo-vos que esta não só é das cenas mais românticas que já vi num filme, como encerra uma lição valiosa (apesar de um tanto exagerada) sobre a dinâmica homem-mulher. Associa-se muito os gestos românticos a coisas superficiais e um pouco postiças - como surpresas, velas encarnada e flores - que têm o seu lugar, mas não são determinantes. Afinal, qualquer D.Juan das dúzias, empenhado numa conquista pouco sincera, sabe agradar com esses mimos. Ou qualquer namorado pouco apaixonado, preso numa relação daquelas à falta de melhor, compra rosas numa data especial, porque é suposto.

O verdadeiro romantismo e o comportamento varonil são coisas muito diferentes. Fazem parte de toda uma forma de estar e surgem espontaneamente, de acordo com a necessidade.

Um homem a sério age. E quando um homem está mesmo interessado, esforça-se, movido pelo impulso masculino ancestral da conquista. Nenhuma mulher digna devia contentar-se com menos. Não necessariamente com tanto espalhafato, mas deve esperar provas de consideração e entusiasmo.



Está certo que nem sempre agir de modo varonil implica ir buscar sanduíches difíceis de arranjar às duas da manhã, ou comprar presentes caros a despropósito ou se não pode, muito menos aturar mulheres ingratas e ditadoras que pensam que tudo lhes é devido (como temem alguns, quando lhes falam em agir como cavalheiros no jogo amoroso) . Porém, há os mínimos. Reparem: antes ainda de ir buscar o burrito, o herói levantou-se, falou, fez a sua parte de caçador e conquistador. A reserva dela em lhe dar troco só o acicatou mais a provar o que valia.

Regra geral, o homem do nosso tempo está mal habituado: afinal, o que não falta são mulheres que ou por modernice ou por desespero, se oferecem de bandeja, que não dão qualquer trabalho. Para quê maçarem-se por alguém que exige mais deles, que não dá o primeiro passo, que lhes mostra "quem realmente me quer, tem de provar o seu valor e as suas boas intenções"? Muitos, viciosos e amolecidos, darão essa desculpa, ou a desculpa da igualdade, que é basicamente um "elas que se esforcem". 


Não engulam esses argumentos de homens-beta cobardes e preguiçosos: se falam assim é porque não estão realmente interessados, ou não valorizam mulheres sérias nem são selectivos, ou são fracos ou andam equivocados, e isso não convém a uma rapariga de brio.

 Quem é cobardolas ao início, sê-lo-á nas questões sérias e graves. Quem prefere mulheres "desenvoltas" e descaradonas porque assim soma e segue mais facilmente, não hesitará em dar uma facadinha no matrimónio ou no namoro quando a ocasião se apresentar.

 Também muita gente vos dirá - com certa razão - que se forem mulheres tradicionais, altivas, que não privam os rapazes do jogo da conquista nem os obrigam a mostrar o que valem antes de lhes caírem nos braços, se arriscam a ficar sozinhas mais tempo. O que é natural, porque os cavalheiros não andam por aí a pontapé: tal como as mulheres elegantes e bem comportadas, são uma espécie rara.




 Porém, os homens sérios e a sério existem mesmo,  sabem reconhecer uma senhora quando a vêem e não têm medo de se virar do avesso para obter o que desejam. Quem sabe valorizar uma mulher discreta, quem não se importa de ir devagar, de apreciar todos os passos da coquetterie e do jogo de sedução, é porque sabe o que compromisso significa e não se assusta com isso. Quer uma mulher de princípios, digna de confiança, que possa, sem vergonha, apresentar à família.

E não sei o que pensais disto, mas creio que não se perde nada se uns quantos "preguiçosos modernos" desanimarem e voltarem à sua vidinha de relações fáceis e casuais. Desmiolados desses, há aos montes! Uma rapariga "à moda antiga" poderá ter de esperar um pouco, mas nunca vi nenhuma sair defraudada por ser criteriosa na escolha.

As "provas de amor" podem não ser tão espalhafatonas como ir preso por causa de um burrito de última hora, mas são inequívocas e gratificantes. Quem impõe respeito só com a sua presença, pode esperar ser tratada como algo precioso. Mas só um homem verdadeiro pode responder a isso - pois sabe o que é esperado dele.


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