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Wednesday, April 27, 2016

Deadpool dixit: sexista ou não sexista, eis a questão




Depois de os cavalheiros cá do burgo muito me arreliarem para ver Deadpool, eu lá cedi. Tenho com os filmes de super-heróis a mesma relação que tenho com certos petiscos: não aprecio por ali além, mas também não torço o nariz. E afinal até gostei. Tem a lindíssima Morena Baccarin que parece uma Mona Lisa do sec. XXI mas mais bonita e como seria de esperar, o sarcasmo do anti-herói não me desagradou nada...

Só não achei piada darem à vilã Angel Dust (interpretada pela lutadora Gina Carano, que é bem engraçadinha na vida real) um visual de serigaita de ginásio, brutamontes que parece um troll, com aquele bâton clarinho, eyeliner a afundar os olhos e cabelo preto graxa puxado para trás- blhec. 





Não vale a pena dizerem "oh Sissi, mas a personagem também tem cabelo preto na banda desenhada". Há preto normal e preto graxa, não é a mesma coisa. A pobre coitada ficou com um mau ar que dói, mas adiante. 

Uma das cenas que mais gostei é quando o protagonista, na sua jornada de vingança, desata a bater forte e feio em quem for preciso até lhe dizerem onde encontrar o 
arqui-inimigo que o desfigurou. E pelo caminho, isso inclui duas mulheres. Ora, como Deadpool não podia ser mais politicamente incorrecto, assenta uma bolachada numa delas, mas pede logo desculpa a seguir, todo aflito (apesar de desbocado e violento, no fundo não é má pessoa) e meio a sério, meio a troçar, leva as mãos à cabeça e pergunta baralhadíssimo: desculpe! Isto é tão confuso! É mais sexista se lhe bater ou se não lhe bater???

E a brincar a brincar, assim o filme dá a sua alfinetada aos exageros estilo Cartão de Cidadão que têm andado na ordem do dia. É que, por amor de Deus: noutros tempos caía mal um homem espancar uma mulher. Havia respeito pelas diferenças e cavalheirismo em vez de uma igualdade chapa-4, a todo o custo. Um homem que desse tareia num ser mais frágil - e isto obviamente incluía as mulheres- era um cobarde. Mas agora, nem tanto. Afinal, há igualdade, não é? Claro que vai tudo aos arames com a violência doméstica (e ainda bem) mas por outro lado, se o super-herói dissesse "numa menina não se bate nem com uma flor" se calhar ainda lhe respondiam "seu porco sexista, está a reduzir-me ao meu género? Julga que sou alguma donzela indefesa? Não me trata como igual porque se eu fosse homem, batia-me...uma mulher é tão capaz de levar pancada como um homem. E além de mulheres, também não bate em gays? Travestis? Seu machista homofóbico! DISCRIMINAÇÃO!!!!" etc, etc, a cassete do costume.

O mundo tornou-se tão esquisito, Credo.


2 comments:

C.N. Gil said...

O mundo não está esquisito...
...está estúpido!

Mas sempre foi, portanto continua a não haver nada de novo debaixo do Sol...

:)

Imperatriz Sissi said...

Verdade. mas isto leva o estúpido e o esquisito a outro nível. Às vezes parecem doideiras tiradas dos "100 anos de solidão".

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