Recomenda-se:

Netscope

Saturday, April 16, 2016

Liliane Marise, a mulher da luta por excelência



É tão raro brincar ao karaoke sem ser em casa, mas eis que, como me convidaram para conhecer um simpático bar vintage e family friendly, lá fui...e aprendi logo alguma coisa. Isto de observar as pessoas é sempre giro...

Em tempos eu comentei por aqui que muito me espantava que uma rapariga com tão bom ar como Maria João Bastos conseguisse fazer o papel de cantora pimba, mas como não vejo novelas acabei por não prestar atenção à personagem Liliane Marise, que parece que fez grande sucesso....

Entretanto alguém se lembra de cantar as tais Pancadinhas de amor e na nossa mesa, a letra que estava a passar deu para rir e pano para mangas...olhem que aquilo é profundo. Tira-se dali a grande moral da história "havia de valer de muito".

É que a cantiga não fala de qualquer maroteira tipo 50 Sombras, como eu julgava, mas de uma mulher que se apaixona por um playboy incorrigível e o mantém na ordem à força de pancadas (boa...).  Ou seja, Liliane Marise não se limita a ser pimba: é uma mulher da luta com todos os traços típicos. Ora vejam:

O meu amor era muito atrevido
Tinha fama de grande saltitão,
Mas eu disse-lhe que estava perdido
No dia em que me fisgou o coração
Pedi-o logo em casamento....


Ena, notem bem: não foi ele que a viu e ficou rendido, mas a boa da Liliane Marise que teve o coração fisgado por um rapaz que ainda por cima tinha má fama antes sequer de saber se ele estava interessado nela. Bela receita! Jane Austen bem avisava que nenhuma rapariga deve apaixonar-se antes de saber que o cavalheiro em causa gosta dela (ou Carlão, neste caso; namorado de uma Liliane Marise tem de ser um Carlão) quanto mais pôr-se assim a jeito. 



E pedi-lo em casamento? Mais uma adepta dessa modernice disparatada de as mulheres tomarem a iniciativa como umas desesperadas. Não admira que o rapaz não tivesse emenda mesmo: um doidivanas dificilmente se corrige, quanto mais se não está assim muito interessado e fica com a rapariga que está à mão.

Todos os dias era uma aventura
O que ele queria era andar na festa
Mas eu não sou mulher de amarguras
E muito menos de coisas na testa
Um puxão de orelhas com jeitinho
Na altura certa é sempre bem dado
Traz de volta todo o juizinho
À cabeça perdida do teu amado.


 Se te portas mal, vai haver terror
Se te portas mal, tu vais sentir dor
(o refrão é do melhorzinho, tenho de admitir).


Sim, sim, Liliane Marise. Passar a vida com medo de ter coisas na testa (que termo mais detestável) deve ser cá uma felicidade...

Se um homem não tem juízo, se não se porta bem por livre iniciativa, há-de valer de muito correr atrás dele, vigiá-lo e mantê-lo na linha com puxões de orelhas (finalmente percebi: deve ser para isso que as serigaitas querem as unhas grandes; para isso e para esgatanharem as rivais. Um puxão de orelhas com unhacas dói que se farta). Por muito grande que seja o "terror" é esforço baldado: tenho visto casos e mais casos desses. A única utilidade disso é pôr as pessoas a rir com a figura da mulher da luta. Mulher da luta assumidíssima, reparem:

Os homens custam a ter poiso certo
A não ser que ponhas rédea curta
Nem sempre fazemos o correcto
Mas o que importa é ganhar a luta.





Os homens não custam a ter poiso certo. Só quando não querem ter poiso certo *ainda*, ou não estão realmente interessados, ou estão perante uma serigaita que não é digna de um compromisso, ou são uns desmiolados sem remédio, ou rapazinhos que não prestam. Se forem homens de família, de valores e estiverem realmente apaixonados, não querem outra coisa nem precisam de rédea curta. Uma mulher que se dá ao respeito e escolhe com propósito não precisa de ralar a sua linda cabecinha a dar avisinhos, pancadinhas e puxões. Confia até prova de contrário (pois de surpresas ninguém está livre) e caso se tenha enganado - acontece às melhores - o único puxão a dar é para arrastar o biltre, se necessário for, para o olho da rua. É que se é preciso lutar, a luta nunca está ganha. Para ficar ao lado de alguém que exige tais lutas, tem de se abrir mão da dignidade e do sossego. Como é que alguém é capaz sequer de gostar de um mulherengo das dúzias é coisa que me ultrapassa.

A Liliane é um boneco, claro; mas o que há para aí de "Lilianes" que pensam exactamente como ela, a precisar desesperadamente das nossas orações, não está escrito.

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...