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Sunday, April 24, 2016

Nunca confies numa maluca toda de cor de rosa




Os thrillers da Lifetime que passam na FOX Life são um verdadeiro guilty pleasure. Quando não dramatizam algum caso real e mediático do tipo faca e alguidar, resumem-se invariavelmente ao enredo de A Mão que embala o berço, Jovem procura companheira ou Atracção fatal, mas em todas as versões que a imaginação permita. É a ama psicopata e muito má,  a barriga de aluguer psicopata e muito má, a mulher da luta/amante psicopata e muito má do marido da heroína, o namorado perfeito ou engate do Tinder psicopata e muito mau, a professora, mentor da empresa ou personal trainer psicopatas e muito maus...pronto, já perceberam.

Como não são filmes assim muito bem feitos, é raro *e isto irrita-me* saber-se muito do background ou motivações do mau/má da fita. É psicopata porque é, gosta de o ser e o espectador não tem nada que fazer perguntas. O propósito é entreter os insones, não tanto ser coerente.



A história acaba sempre com uma luta corpo a corpo dentro de casa (porque a polícia ou não é literalmente para ali chamada ou nunca chega a horas) bulha essa que, do mal o menos, é  quase sempre fatal para o doidinho ou doidinha...  e com a família que foi vitimizada a viver feliz para sempre, tirando da tragédia grandes lições de moral.
Conclui-se destes filmes que há psicopatas e malucos obsessivos em cada esquina, todos peçonha e mel no firme propósito de tornar a vida do próximo num inferno. E que não há nada como ser alvo de um tarado ou tarada para sarar casamentos em crise ou dramas familiares.



Mas ontem vi um que me fez recordar uma teoria minha. É a mesma estória dos outros, desta feita sobre uma house sitter completamente pírulas (e psicopata, e muito má; tinha de ser) que se aproveitava do seu trabalho como caseira temporária para se imiscuir nas famílias (e assassiná-las em série quando percebia que não estavam para a aturar). Pois digo-vos que essa a mim não iludia nem por ordem do Padre Cura. Eu ficava de ordinarómetro em riste e punha-a a andar tão depressa escada abaixo que ela não teria tempo nem de matar um hamster.



Primeiro, porque embirro com estranhos que se põem com muitas simpatias e perguntas. Segundo, porque os hóspedes ao terceiro dia aborrecem- e isto sempre foi regra lá em casa, tanto na nossa como quando se ia a casa dos outros. Terceiro, porque a rapariga tinha uma cara de galdéria que não enganava ninguém e cabelo louro-serigaita (ou quase, vá). E quarto (relacionado, mas um iten separado mesmo assim), porque se vestia como uma autêntica flausina: do tipo serigaitae sonsae. No meio da neve e sempre de saltos altíssimos, vestidinhos de Verão e não um, mas vários tons de rosa-serigaita em cada fatiota.




Ora, nada contra o cor de rosa em si mesmo; tive várias peças rosadas, até um casaco (ainda devem andar para aí algumas; no outro dia comprei uma t-shirt Ralph Lauren rosa chá, por exemplo) mas não nos enganemos, há rosas e rosas. Depois, cada vez mais as raparigas de mau porte adoptam esses tons frios e ameninados de rosa ou fuchsia no fito de parecerem inocentes e fofas, ou de imitarem a Barbie e as coelhinhas da Playboy. Isto para não falar da proliferação de horrores sintéticos (vestidos de cerimónia em tafetá falso, carteiras de PVC) dessa cor. Blhec. 



E por fim, rosa não é uma cor que se tome a sério: é queridinha, festiva, infantil. Deve portanto 
usar-se em tons discretos, apontamentos ou ocasiões especiais.


Mulheres adultas que abusam do cor de rosa no dia a dia (como de brilhinhos, artefactos da Hello Kitty, pulseirinhas de plástico, etc) passam, no mínimo, uma imagem pouco sóbria ou demasiado queriduxa de si mesmas. E isso é suspeito que se farta. É sinal de imaturidade, de carência.

Tom Waits dizia "never trust a man in a blue trench coat". Uma gabardina azul vá que não vá, a Burberry fá-las lindíssimas. Mas uma sujeita toda de rosa, da cabeça aos pés, estilo boneca de feira ou Barbie da lojinha do chinês? Comigo não tinha hipótese. Fica o aviso para vosso governo, não vá bater-vos uma assim à porta...

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