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Friday, April 29, 2016

O calor não é desculpa, apre!


Eu já disse por aqui centos de vezes como esse movimento da "beleza real" me arrelia, por ser tão mal direccionado. Tal como me irritam estas novas manias de fat/skinny/beauty shaming ou qualquer forma de ataque (ou por outro lado, vitimização) relacionada com o corpo feminino. Vivemos o século do ofendedismo, do attention whoring e da vitimização. É uma pandemia. Ou um pandemónio.

Ideias que geram "publicações" como esta.

Mulheres bonitas vêm em muitas cores, tamanhos e silhuetas diferentes. E por isso mesmo, não têm de usar todas a mesma coisa. Repetindo yet again o que já frisei tantas vezes, e que tanto digo às minhas amigas e senhoras que aconselho nas consultas de styling, nem uma top model fica maravilhosa com tudo! O que vai bem a uma Sara Sampaio pode não favorecer uma Emily Ratajkowski ou uma Kate Upton. E não é tanto o tamanho que se veste, mas o tipo de silhueta, que vai determinar que decotes, bainhas, comprimentos e modelos de saia/calças/blusa/vestidos ficam "assim assim", terríveis ou fabulosos a cada uma. 

Qualquer pessoa que vista um número pequeno e faça exercício, terá ouvido sempre "tudo lhe fica bem". Essa frase devia ser alterada para "com o seu tamanho, nada lhe cai muito mal". Porque ficar "escapatório" não é o mesmo que resultar lindo e fabuloso. Se uma mulher vai gastar recursos ( e espaço no armário) a ter roupa, convém não desperdiçar nada disso com trapos que ficam "mais ou menos".


 Ao "posso usar tudo" deve preferir-se a sensação de abrir o guarda roupa e ter a confiança de saber "tudo o que lá está foi pensado para o meu tipo".

E depois, mostrar demasiada pele nunca foi a receita para o sucesso, salvo nos videoclips da MTV. Seja qual for o tipo físico da mulher, magra ou gorda, alta ou baixa, curvilínea ou rectilínea, nenhuma fica elegante com isso - tão pouco passa uma imagem favorável, de boa profissional ou namorada ideal, nem mesmo vai transparecer confiança, já que gastará o tempo preocupada em puxar a saia para baixo/ o decote para cima, ou ralada se se nota este ou aquele defeitinho, em vez de se divertir. A melhor fórmula, por todos os motivos, é fazer algum mistério - realçar o melhor e esconder o que não está tão em forma.


Mas essa não é a atitude vigente. O que está na moda é dizer "vou usar roupas curtas e vulgares para mostrar que as gordinhas também podem". E sabendo de antemão que se calhar não vão ser elogiadas por isso, muitas adoptam a atitude defensiva "quem não gosta, não olha". O que a meu ver, é uma posição desagradável para se estar...




Não é que não possam, cada uma veste o que quer. Mas porque é que, com tanta roupa bonita que podem vestir, hão-de usar precisamente o que as desfavorece? Só para marcar uma posição? Depois, há a malfadada desculpa do calor: mas como já vimos, nem todas as roupas reveladoras são necessariamente frescas e não faltam opções arejadas que não obrigam a andar seminua. Adorava que muitas mulheres meditassem nisto, para sua própria felicidade.


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