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Tuesday, April 26, 2016

Oh Beyoncé- tão poderosa e afinal havia outra?





Beyoncé lançou com pompa e circunstância o seu novo álbum, Lemonade (no sentido de "se a vida te dá limões, faz limonada") e um simples disco já levantou mais questões que um incidente diplomático. Primeiro, porque as feministas que ora gostam muito da cantora, ora dizem "ela não é uma de nós" por ser esposa e mãe (também, haja quem as entenda) se puseram a dizer que não vão pactuar com o álbum para não darem força a  consumismos capitalistas e patriarcais- porque para estas desocupadas os papões do patriarcado e do capitalismo andam sempre juntinhos, são os dois da vida airada. 

Acho que quando os filhos todos hippies de uma feminista não querem comer a sopa, ela diz que vai chamar o  patriarcado e o capitalismo, ou o capitalismo patriarcal, ou lá como elas dizem isso. Ou talvez não. Talvez digam que as crianças não podem ser oprimidas comendo sopa. Adiante: esta é para rir. Ainda gostava de ver estas meninas da esquerda chic/caviar/whatever com  acesso à internet e a androids para dizerem os seus disparates num sistema todo comunista, mas pronto.  Voltemos à limonada de Beyoncé.


Lemonade, que do princípio ao fim fala da dor e revolta de uma mulher traída pelo marido, com direito à linguagem e imagética muito "fierce" que Beyoncé resolveu adoptar de há uns tempos para cá (ela é dedos do meio em riste, ela é as palavras bit*** e f*** a torto e a direito, etc) foi apresentado como sendo uma história muito "feminista", uma "jornada feminina de auto descoberta e empoderamento" (o "empoderamento tinha de vir à baila, ou não era álbum da Beyoncé). Mas a verdade é que eu não vejo nem nada de feminista, nem nada de simples e tradicional dignidade feminina na história: a mulher traída (que parece ser Beyoncé numa catarse auto biográfica- já lá vamos) começa por estar furibunda, por colocar o biltre fora de casa e vingar-se em modo Independent Woman saindo com as amigas (de dedo do meio esticado e copo na outra mão) para celebrar ser forte e não precisar de homem nenhum (até aí, vá: qualquer mulher zangada diria coisas desse género). 




Mas no fim, pasmem: a personagem "poderosa" aceita o adúltero de volta, e ainda sente remorsos por lhe ter partido o coração quando o deixou por ELE a ter traído. Confusote? Um bocado.

Não sei quanto a vocês mas isto não me parece a atitude de uma mulher "poderosa", com a auto-estima no lugar, feminista ou não feminista. 

 Eu não sei como uma feminista lidará com uma traição (já que muitas adoptam o modelo "ninguém e de ninguém") mas não me parece bater certo com o que proclamam. Já uma mulher feminina e tradicional, com dois dedos de dignidade, decerto não mostrará dedos em riste publicamente...e muito menos iria a correr, rastejando para ter de volta um infiel, um pulha, um galifão de meia tigela. É para casos destes que existem as separações, os bons advogados e -para quem casa pela Santa Madre Igreja- a hipótese de avaliar se o casamento é válido ou não. No limite um erro pode ser perdoado, mas é depois de o prevaricador muito penar para mostrar que enfim, não é uma pessoa assim tão horrível. Não é a mulher telefonando-lhe para "resolver as coisas TODA A NOITE" e dizendo "ai que eu exagerei; foi só um pulinho fora da cerca, coitadinho".





No entanto, tudo não passaria de ficção em modo "bem prega Frei Tomás" se não se suspeitasse que o drama doméstico de Lemonade relata os "enfeites" que Jay-Z, o marido nada lindo da cantora, lhe terá posto com uma "amiga" designer. Em última análise, a ser verdade, Beyoncé é uma mulher da luta com motivações inexplicáveis. Quando uma mulher linda e financeiramente independente como ela é traída por um sujeito feio como os trovões (está bem que os homens não se querem necessariamente bonitos, mas...) e não só se mantém por perto como escreve um álbum inteirinho sobre o caso a contá-lo ao mundo, algo não está bem. Às vezes parece que quando mais forte uma mulher se auto proclama, mais fragilidades esconde...









4 comments:

C.N. Gil said...

Só parece?

Pessoas cujo ego é demasiado frágil precisam mesmo de atenção!
E algumas são capazes de tudo para a ter!

:)

Carla Santos Alves said...

Certo! Tudo certinho.
Adorei!

Imperatriz Sissi said...

@Gil, mas deve ser uma necessidade de atenção insaciável, sem fundo. Fãs não lhe faltam, não precisava disto...

@Carla, grazie :) Beijinho

C.N. Gil said...

Mas é mesmo!
E não, não precisava disto! Aparentemente, porque bem lá dentro é o que se vê!

(já agora deixo-te um link de uma coisa a que poderás achar alguma piada:

http://umblogdiferentedosanteriores.blogspot.pt/2016/04/a-cidade-de-misandria.html

)

:)

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