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Monday, April 11, 2016

Os super -poderes das mães




Esta semana, já não sei porquê, veio à baila o Dia da Mãe e ocorreu-me uma ideia das minhas: para muitas, o melhor presente será um belo par de chinelos, flexíveis, fofos e sólidos, para distribuírem chinelada, essa bela instituição que se vai perdendo com resultados tão nocivos para a sociedade.

E pus-me a pensar como são diferentes essas mães não só da minha...mas das outras mães da minha família que por sua vez também foram meus modelos femininos enquanto avós, tias e primas. Sem contar com as mães de amigos da mesma idade que se comportam de modo semelhante.

E se Deus quiser que chegue a minha vez, não faço tenções de quebrar minimamente a tradição ou seja, de fugir ao modelo que é quase um estereótipo da mamma italiana. Porque no momento em que o fizer, perderei o direito aos super poderes das mães. E digo-vos, não sei como as mães muito modernas, muito desligadas, se arranjam sem eles.

E que super poderes vêm a ser esses?

O super poder de adivinhar, mesmo à distância, uma intruijice.

O super poder de desconfiar do silêncio dos filhos - mesmo que eles já sejam maiores e vacinados - vulgo "que estará ela a tramar? Estou a "ouvi-la" muito calada!".

O super poder de curar todas as maleitas, mesmo as da alma, com petiscos, bolos, caldinhos, tudo capaz de acordar um morto, e uma crença nas virtudes milagrosas do sono. É que para as mães, tudo se resolve com dormir, pois o mal é quase sempre sono. Acompanhado do super poder de se zangar quando os filhos não andam a dormir que chegue, como se o mal não fosse deles (irra!!!).

O super poder de puxar pelas habilidades da prole: seja convencendo-a a mostrar os seus talentos às visitas, na infância (quem nunca se sentiu macaquinho do circo, que atire a primeira pedra) ou obrigando os filhos, já adultos,a dar o melhor de si mesmos- ainda que já sejam CEOs de uma multinacional. Mãe é um treinador melhor que o José Mourinho. Nem Jesus escapou a essa: não fosse por insistência da Virgem Maria, as bodas de Canaã não tinham tido mais vinho. Não é por acaso que se crê que a Mãe de Deus é medianeira das graças. Mãe é obra! Com o seu vá lá, vá lá, vá lá, consegue convencer os filhos a fazer tudo. O que me leva a outro super poder: o de levar a sua avante seja com meiguices, seja com a ameaça do chinelo.



O super poder do super colo que resolve tudo.

O super poder de produzir quantidades industriais de comida para um batalhão e obrigar quem está-  filhos, sobrinhos, amigos dos filhos, genros ou noras - a provar um bocadinho de tudo. E de no final ainda tornar a fruta compulsória, em modo "esta rapariga nunca come fruta, acha que sumos bastam, etc".

E por outro lado, o super poder de não deixar que as filhas - ou mesmo filhos-  se desleixem, o que envolve fazer de polícia, ou CIA, da moda "parece uma doidinha! Que bicho lhe mordeu? Vá de trocar essa roupa/penteado/bâton por amor de Deus; não tenho nada com isso, albarde-se o burro à vontade do dono, mas...". Ou dar o exemplo, vulgo "eu cá nunca me deixei engordar lá por ter filhos - isso são desculpas".
  Mas também ser capaz de o fazer sem ferir susceptibilidades, dizendo por exemplo "tanto chocolate faz mal" em vez de "tanto chocolate engorda e depois não estou para aturar lamurias".

O super poder de nunca levar os filhos demasiado a sério. E de se fazer respeitar por eles eternamente, recebendo um "sim, senhora!" nem que a prole já seja, por sua vez, responsável por filhos e netos. Matriarca é matriarca. Fúria de mãe põe um exército em debandada. Se as mães que conheço se juntassem para fazer face aos terroristas, eles pediam pernas a Maomé para correr mais depressa e só paravam no deserto, porque as além de accionarem o super poder do sermão em modo disco riscado que põe uma alma a pedir misericórdia, mais eficaz do que qualquer tortura em Guantanamo, ainda eram capazes de os perseguir por ali fora com uma colher de pau. 

Quem pode renunciar a isto tudo à conta de modernices e modelos modernos de educação, confunde-me.



3 comments:

Carla Santos Alves said...

Muito bem escrito e descrito.
Mãe é mãe, e eu sou uma dessas, à moda antiga. Chata, que só eu. Como diz o pai lá de casa, parece que sou mãe de 4 filhos únicos.
Mãe que é mãe tem que ser um porto de abrigo.

Imperatriz Sissi said...

Adorei o seu comentário, Carla :). Também quero ser assim. Beijinho.

Raque Henriques said...

Ser mãe é isso mesmo como tão bem disseste. É ser chata e manter o espírito das nossas mães e avós.
Somos nós que mandamos nem que para mostrar isso o chinelo tenha de sair do pé!
Por falar em chinelos, é precisamente um par que vou receber no domingo, pois descobri sem querer, e posso.dizer que pode vir a dar jeitinho :)

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