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Thursday, April 7, 2016

Pauline Gower: aviatrix, escritora e esposa





Se no Imperatrix nunca se dedicou um post às valentes mulheres aviadoras (nomeadamente às que deram o seu contributo durante a II Guerra) é apenas porque os seus feitos me parecem tão extraordinários. Tivesse eu lá estado e preferia ser sniper como Roza Shanina ou uma informadora como Nancy Wake - cada qual é para o que nasce. Mas as histórias e protagonistas interessantes são mais que muitas, e deixam-me sempre a pensar de que "preconceito" se queixam as mulheres hoje, quando há 70 anos - e mais cedo - já faziam proezas pelos ares.

Porém, a vida de Pauline Gower é especial não só pelo seu lado de heroína, mas pelo comovente enredo da sua vida pessoal.

Filha de Sir Robert Gower, membro do Parlamento, e de Lady Gower, a família bem tentou que a audaciosa rapariga esquecesse a extravagância de voar e escolhesse um caminho mais conforme a sua condição de menina de família - debalde. Depois de terminar os seus estudos num colégio Católico, Pauline empenhou-se em obter o seu brevet de piloto - sendo uma das primeiras mulheres a quem os peritos ingleses o concederam.



Em 1931, com apenas 21 anos, estabeleceu um serviço de taxi aéreo em Kent. Paralelamente, escrevia para publicações femininas como o Girl´s Own Paper. Editou também um livro de poesia e um trabalho sobre as mulheres na aviação. Em 1938, integrou a Civil Air Guard, como Comissária de Defesa Civil.

Entretanto apaixonou-se por outro ás da aviação: o Comandante Bill Fahie. Mas a Segunda Guerra Mundial, que se aproximava como uma tempestade, veio toldar o idílio dos namorados: ambos foram destacados ao serviço da Pátria, ele como perito de radar, ela como responsável pela facção feminina da ATA- Air Transport Auxiliary, organização encarregada de, entre outras tarefas, servir de ambulância aérea e de transportar peças danificadas para reparação de uma fábrica para outra. 

E corajosamente o casal, unindo a audácia dos apaixonados à galhardia de soldados de Inglaterra, enfrentou os anos de pesadelo, de sustos constantes, de malabarismos para que as licenças de ambos coincidissem de modo a que pudessem passar alguns dias juntos. Finalmente, conseguiram casar em 1944. E um ano depois, com o fim do conflito, Bill e Pauline - que seria condecorada com a  Ordem do Império Britânico pela sua coragem - imaginavam para si uma versão mais pacata da sua existência até então: planeavam continuar a voar e criar uma família. 

Tudo parecia correr às mil maravilhas: a aviatrix descobriu, com grande alegria, que ia ser mãe. Mas o destino, que a preservara  nas situações mais arriscadas, foi cruel no momento em que  ela cumpria a elevada missão de simples mulher igual a todas as outras: Pauline não resistiu ao parto de dois rapazes gémeos, em 1947.

Em 1950 foi-lhe atribuído postumamente o Harmon Trophy - destinado aos melhores aviadores do mundo. Em 1995,o seu filho Michael publicou um livro sobre a vida de Pauline: Harvest of Memories.

Pauline cumpriu na perfeição a máxima "o lugar de uma mulher é onde ela quiser, no lar ou fora dele" - e se a Natureza não a tivesse traído, sabe-se lá que mais façanhas teria realizado.





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