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Wednesday, April 6, 2016

Rainha Zenóbia: o cúmulo do jogo de cintura feminino




Zenóbia, que inspirou óperas a Handel e Giovanni Legrenzi, era filha e mulher de dois Reis da Arménia: o seu pai era Mitridates e teve por marido Radamisto, seu primo. Por volta do ano 53 da nossa era, o monarca seu marido viu-se obrigado ao exílio e Zenóbia, como boa esposa, seguiu-o. 

Porém, a viagem foi tão má, tão fatigante, que a pobre Rainha sentiu que não podia continuar. Implorou então a Radamisto que a matasse, pois não desejava atrasá-lo na fuga e preferia a morte a cair em cativeiro. Desesperado, Radamisto fez-lhe a vontade: apunhalou Zenóbia e atirou-a ao rio Araxes

Mas por uma dessas ironias do destino, a Rainha não só sobreviveu como foi salva pelo adversário que tanto temia: os servos do Rei Tiridates, que tomara o trono da Arménia, tiraram-na da água, trataram dela e conduziram-no ao seu senhor.



 Tiridates ficou tão encantado com Zenóbia que a tratou como convidada de honra: cumulou-a de gentilezas,  de presentes, de homenagens e não descansou até fazer dela a sua rainha. Ora, a História não nos conta o que foi feito de Radamisto nem o que terá levado Zenóbia, que parecia tão intransigente, a mudar de ideias, passando de temer cair nas mãos do inimigo a cair-lhe nos braços de boa vontade. Paixão à primeira vista, já que do ódio ao amor vai um passo? Gratidão? Luta pela sobrevivência? Ambição? Rancor contra o primeiro marido, no melhor modo feminino "eu disse para me matares mas era a ver se tu dizias que jamais serias capaz de tal, meu grande banana!" e consequente síndroma de Estocolmo para com o seu captor/salvador?

Nunca saberemos, mas com esta estranha reviravolta Zenóbia salvou a vida e saltou de uma alcova e de um Rei para outro, sem mudar realmente de trono...


Curiosamente,  a flexibilidade parece estar ligada às Zenóbias: outra Rainha do mesmo nome, esta Rainha de Palmira, perdeu o controlo dos seus vastos domínios, que se estendiam dos confins da Síria ao Egipto, para os Romanos.

 Sentindo admiração por esta mulher forte e capaz, além de bela e virtuosa, o Imperador Aureliano concedeu-lhe o título honroso de Imperatriz e permitiu-lhe manter-se no poder, embora na posição de monarca -fantoche. Zenóbia não gostou desta meia autoridade e revoltou-se, sendo castigada por Aureliano, que a conduziu com o filho em triunfo pelas ruas de Roma, para gáudio da populaça. Porém, talvez ainda impressionado pela altivez de Zenóbia, acabou por ser generoso novamente e conceder-lhe um território- Tibur - para que ela "não perdesse o hábito de ser Rainha".

A capacidade de adaptação às circunstâncias é realmente um dom das mulheres... 









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