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Thursday, April 14, 2016

Responder a uma má criação com outra? Assim andam as mulheres.




Eu não sei como todas as minhas amigas que acompanham o Imperatrix foram educadas, mas calculo que não andem muito distantes daquilo que me ensinaram desde pequena. Ou seja, que face a uma provocação vulgar e malcriada, uma Senhora responde, tanto quanto possível, com o mais gélido, nítido e categórico DESPREZO. Em boa verdade, nada enfurece tanto o "inimigo". 

E se o caso for mesmo mau, daqueles em que as pessoas não desistem de todo e não há outro remédio senão enfrentar o touro pelas hastes, então dá-se uma resposta curta e clara, com duas ou três verdades mas sem descer dos saltos. No mundo em que cresci, ser "levada da breca" não era necessariamente mau- mas havia formas educadas de ser "levada da breca".

Bom, foi isso que eu aprendi (e sabe Deus o que me custou na infância, já que eu tinha um mau feitio como a Mónica que desancava o Cebolinha...). Que quem é malcriado perde a razão, já para não falar da classe. Mas nestes tempos de "empowerment" em que a maioria das mulheres parece mais preocupada em "empoderar-se " expondo o corpo e brandindo uma atitude super agressiva, eis que ser peixeira merece aplauso.


Devo estar a ficar cheia de verdete, porque no meu tempo a pior coisa que uma rapariga podia parecer era "peixeira, sopeira, regateira da praça" (sem ofensa às vendedoras de peixe e empregadas da limpeza ou da cozinha que até tenho por gente honrada e trabalhadora).

Mas actualmente não. Responder toda gaiteira, toda atrevidota, bruta que nem uma carroça, é ter "sass". É ser vigorosa e não se deixar pisar. Principalmente se o caso tiver alguma coisa a ver com "body shaming", slut shaming ou fat shaming.

E agora anda na internet mais um caso desses: Iskra Lawrence, uma bonita modelo plus size que corresponde ao que o povo chamaria " cheiinha mas bem feita" cansou-se de receber comentários negativos sobre o seu corpo no Instagram.



 E face a um particularmente rude, vai de posar em lingerie deitada em pacotes de batatas fritas. Até aqui enfim: como ela é modelo de fatos de banho não deixava de ser uma resposta bem humorada. O pior é que não contente com isso, gravou o seguinte vídeo em câmara lenta, de roupa interior a arrefinfar sensualmente uma data de lambarices enquanto mostrava dedos aos "haters":



Um bocadinho desagradável, não? Quanto a mim, não a veria como "gorda" antes de ela se mostrar nessas figuras. Depois a modelo ainda disse que por norma não é tão malcriada e que não aprova o enfardar de junk food, mas que  enfim, perdeu as estribeiras.


Vamos aqui por partes: ninguém é obrigado a achar bonita esta nova moda de as mulheres "redondinhas" serem consideradas o "normal" ou "real". Pessoalmente considero que Iskra tem uma figura bonita dentro do seu género; se emagrecesse uns quilos ficaria mais esculpida, mais dentro do padrão, mas é lá com ela e ninguém tem nada a ver com isso. Segundo, ninguém devia ser tecer comentários parvos sobre o corpo alheio, principalmente se não lhe pediram opinião e muito menos de forma mal educada. No entanto, quem se expõe em lingerie para milhares de fãs sujeita-se a isso, tal como se sujeita a admiradores obcecados. 

A melhor forma de mostrar que não se rala, como diz que não rala, o melhor I don´t give a f*** (palavras dela) é continuar a postar os seus retratos em bikini alegre e feliz, e deixar rosnar quem rosna. Quem gosta muito bem, quem não gosta delete, shake it off como diz a outra, arruma para o lado.

Ao tirar um bom bocado do seu dia que ninguém lhe devolve para se cansar a responder a um troll qualquer não só perdeu a elegância (e a elegância do espírito é bem mais importante que a do corpo) como demonstrou que afinal se rala - e bastante - que a achem gorda.

Mas como toda a gente achou lindo e o vídeo viralizou, talvez seja Iskra que tem razão e eu que estou errada, ou simplesmente não consigo entender as normas para viver nesta época. Sei lá eu...





2 comments:

Augusta Resende said...

Bom dia, Sissi

Há anos, decidi, em prol da minha sanidade mental ! :) desistir de uma luta inglória e stressante,que me obrigava a um policiamento constante de tudo o que ingeria e como ingeria, na tentativa de ter medidas dentro do considerado "bem". Acho que "normais" somos todas nós, mais magras ou mais gordas, desde que isso não traga problemas de saúde, e não vejo porque razão teremos todas de obedecer a determinado padrão físico - da mesma forma que me parece que toda a gente acharia idiota que de repente se considerasse que, para ser verdadeiramente elegante, teríamos de andar todas em amarelo integral...Tendo eu uma forma fisica do tipo "cheia", em formato Girl with Curves ou Curves to Kill (2 blogs que acho estupendos, já agora)também já ouvi comentários menos simpáticos, para responder aos quais cultivei um sorriso esfíngico de a mais completa indiferença e um mantra interior "sou assim. Se gostam, fico contente; se não gostam, não são obrigados a olhar".
Mas este meu comentário dirige-se mais a um outro aspecto por si focado:a atitude "peixeira, sopeira, regateira da praça", que parece também se ter viralizado...há dias, mercê de uma fortíssima gripe que me obrigou a ficar de cama sem grandes alternativas de distracção, envolvi-me numa "discussão" virtual via Facebook. O teor, que vou dizer apenas para contextualizar, já que não é para aqui chamado, eram as touradas e sua extinção. Como em todas as discussões, havia os contra e os a favor. Mas o que de me facto me deixou pasmada, foi o vocabulário empregue indiscriminadamente por ambas as partes, fossem masculinos ( o que para mim é mau) ou femininos (o que me parece pior ainda) . Fiquei com a sensação de que já ninguém é capaz de defender uma causa, um ponto de vista, uma preferência, whatever! sem empregar profusamente insultos, grosserias, palavrões e ataques directos e despropositados !!! Deixou-me particularmente entristecida, além do mais, um pormenor, não tão de somenos quanto isso: no meio de tudo aquilo, apareceram também comentários assinados por apelidos sonantes (que não vou, é claro, divulgar) de famílias que, tendo em conta antepassados e pergaminhos, se esperaria tivessem, à falta de melhor definição, "tomado chá em pequenos". Se o tomaram, esqueceram-lhe o gosto, infelizmente... De maneira que não me resta senão subscrever a sua frase final:"estou errada, ou simplesmente não consigo entender as normas para viver nesta época. Sei lá eu..."

Para si, os meus cumprimentos
Maria

Imperatriz Sissi said...

Querida Maria, muito obrigada pelo seu comentário. De facto a peixeirada é mal geral: os que nunca tomaram chá não querem saber, os que tomaram deixam-se contagiar em modo "em Roma, sê romano". É por isso que eu muito raramente desço a debates. Acho que não se ganha nada com eles, muito menos uma senhora!

Quanto à forma física, desde que cada uma cuide da sua beleza e se favoreça, em vez de usar o que lhe fica mal só para provar que "as cheiinhas também podem" - já que ninguém, nem uma top model, fica fantástica com tudo - há que fazer orelhas moucas porque nunca se agradará a toda a gente. Já a discrição, essa nunca foi espaçosa demais. Beijinho.

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