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Thursday, April 7, 2016

Santa Teresinha dixit: antes carregar que arrastar


 "A cruz que se arrasta é mais pesada do que a cruz que se carrega".

 Santa Teresinha de Lisieux

   Santa Teresinha era uma alma perfeitíssima que se considerava a mais pequena de todas. O mesmo acontece com esta sua frase. A quem não compreende, a ideia popular que se tem de "carregar com a sua Cruz" parece uma atitude derrotista, que casa mal com a moldura mental "poderosa" que está agora na moda. No entanto, se meditarmos bem sobre isso, não só há um grande poder em deixar-se guiar, em seguir a corrente, no "seja feita a vontade do Céu" (ou do destino/da vida, para quem não acredita em céu) como carregar uma cruz em vez de a arrastar - ou de fugir dela- é um acto de extrema coragem

Não sei se já vos aconteceu, mas por vezes há questões que por mais voltas que se dê, por mais malabarismos que se faça, por muito que se reze, se proteste, se esperneie...parecem estar ali de pedra e cal. Não se consegue escapar delas. Nem contorná-las. Para quem é Católico, parece realmente uma cruz. Para quem acredita noutras coisas, soa a karma. E os adeptos de certas correntes da Psicologia 
chamar-lhe-iam um padrão ou coisa semelhante.

Quando é assim, as tentativas falhadas de dar a volta à questão provam que não há outro remédio senão enfrentá-la, encará-la de frente, respirar fundo e deitar mãos à obra, em modo "quanto mais depressa fizer a vontade ao Universo, mais depressa ele me deixa em paz". Para carregar a cruz é preciso fazer como o toureiro, que apenas volta as costas ao touro depois de saber que já o dominou. Tomar impulso, colocar o madeiro ao ombro com um "upa" e levá-la monte acima com a mesma boa vontade que se emprega no ginásio, quando um exercício é pesado ou doloroso. E passo a passo, há-de chegar-se a algum lado. Sempre há-de ser mais depressa do que arrastar-se com um espírito amargo de revolta, a levar chicotadas da vida para deixar de ser teimoso....

Se algo nos persegue, por algum motivo é: e fugir do "monstro" em vez de parar e perguntar-lhe o que quer de nós é receita certa para andar sempre a monte, arrastando o peso do mundo nos ombros...se um desafio se apresenta insistentemente, repetidamente, há um mistério a descobrir ou arestas a limar. É preciso passar o calvário para polir o diamante em bruto.

Como em tudo na vida, quanto mais dificuldades algo apresenta, mais rigoroso deve ser o treino para as vencer. Ou como vi há dias, numa citação siciliana que não podia ter menos a ver com a bondade de Santa Teresinha, "uma lâmina deve ser afiada onde menos corta".




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