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Wednesday, April 13, 2016

S.João Crisóstomo dixit: mais vale pouco, mas de qualidade.


Dirigindo-se aos fiéis para os alertar quanto ao mau comportamento dentro da Igreja, S.João Crisóstomo (para quem tais faltas de respeito mereciam um raio, pois nesse tempo nem os Santos tinham papas na língua) dizia o seguinte:

 "De que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham.
O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio."


 A homilia deste Doutor da Igreja conhecido pela sua eloquência extraordinária (Crisóstomo significa "boca de ouro") aplica-se hoje mais do que nunca no contexto religioso: há quem diga que a Igreja não perde fiéis, perde infiéis. Mas podemos considerar as suas palavras num sentido mais abrangente.

Quantidade sem qualidade de nada vale. E em certos casos, a quantidade per se é mesmo perniciosa. Há quem se lamente por perder amigos: mas amigos falsos, ambíguos, invejosos, desleais ou que jogam com pau de dois bicos, são como os fregueses de más contas que compram fiado: mais vale perdê-los do que tê-los. Lá está, marinheiros que afundam o barco não fazem falta nenhuma...

De igual modo, as mulheres em geral gostam de ter muita roupa: algumas até fingem envergonhar-se disso, mas secretamente orgulham-se do seu armário a rebentar pelas costuras. No entanto, não só a quantidade exagerada desorganiza (todas já sofremos disso uma vez ou outra) como na maioria dos casos, o conteúdo do guarda roupa não vale um caracol. De poliéster a coisa contrafeitas, disso se compõe a "colecção" de muita gente. Acumular muita roupa e sapatos, mas de qualidade inferior, é o mesmo que não ter nada que preste para usar. É andar feita boneca de feira. Roupa má presta o mesmo serviço dos soldados que só assarapantam as tropas.



E nem falemos nos homens promíscuos que se gabam aos amigos das suas muitas "conquistas": quem escolhe pouco, quem não selecciona, quem vive pelo ditado "tudo o que vem à rede é peixe" não acerta uma. Julgam-se assim uns playboys, mas não só perdem a dignidade, relacionando-se com mulheres de meter dó (quer na moral quer no que diz respeito à beleza - pois só as desesperadas cedem a tais esquemas) como ganham uma reputação capaz de afastar qualquer rapariga séria e ainda se arriscam a acabar presos a uma serigaita espertalhona que lhes faça a vida num inferno. E no fim da lista, quantas conquistas valeram a pena? Ainda que falando só no sentido mais superficial, é mais impressionante conquistar uma só beldade do que de muitas marafonas banais. Um punhado de diamantes vale mais que uma tonelada de palha.

  No feminino isso também acontece: há mulheres vaidosas e inseguras que adoram alimentar pretendentes e admiradores. Sentem-se poderosas por receberem atenção, mesmo que seja atenção negativa, expõem-se quanto podem, vão para a rua vestidas como a Beynocé entra em palco, dão troco a tutti quanti; cada like nas redes sociais contribui para a sua duvidosa coroa de glória, cada elogio meloso lhes infla o ego. Mas um convite para jantar ou pedido de namoro do homem de quem realmente gostam perturbá-las-ia mais do que todos os comentários juntos. Momento que dificilmente aparecerá, pois a sua forma de estar não proporciona que a levem a sério. Antes um soldado valente só, do que muitos em debandada. Ou neste caso, à distância segura de quem vê um estafermo numa montra, pensando "faz vista, mas não me serve".

E até na cultura isto se vê: há quem adore mostrar que sabe de tudo, pôr colherada em tudo, opinar sobre tudo, tocar quantos pianos há, sem se dedicar realmente a nada, sem aprofundar nada. Ter cultura geral e ser multifacetado é muito bonito e recomendável, mas há que evitar ser um diletante, um espalha brasas, um chico esperto que fala de tudo sem ter conhecimento de causa no que quer que seja. Voltamos ao feno e à palha...

Em toda as coisas, menos pode ser mais. E é-o quase sempre...



de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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de que vale ter feno em abundância, quando se poderia ter pedras preciosas? O montante não consiste na soma dos números, mas no valor comprovado. Elias foi um: mas o mundo todo não valia tanto quanto ele. (…) Que necessidade tenho eu de uma multidão? Ela é (apenas) mais alimento para o fogo. (…)
Isso também se pode ver na guerra: melhor são dez homens bem treinados e valentes, do que dez mil sem nenhuma experiência. Estes últimos, além de não trabalharem, atrapalham os que trabalham. O mesmo também se pode ver no caso de um navio: melhor são dois marinheiros experientes, do que grande número de inábeis, pois estes afundarão o navio.
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2 comments:

Carmen Rocha said...

Adorei Sissi. Tenho pensado muito nestas questões mas não poderia ter escrito melhor.

Muito obrigada e parabéns. :)

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Carmen! :* Um beijinho.

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