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Sunday, April 3, 2016

The Walking Dead ensina #2: mães, deixem o cabelo em paz!




Cada vez mais confirmo que The Walking Dead tem boas razões para ser a minha série de eleição: não só é um pratinho de emoções para os fãs do género zombie, como alimenta a imaginação (volta e meia dou por mim a conjecturar como sobreviveriam ou não, naquele universo, certas pessoas que eu conheço). E mais do que isso, a série tem sempre uma lição de moral. Já aqui mostrei várias, como a hombridade de Darryl Dixon ou o mau exemplo de Rosita, que se deixou ser "a namorada à falta de melhor".

 Desta feita foi a corajosa Maggie, que - apesar de se sair lindamente tanto em combate como a gerir os recursos dos sobreviventes - caiu no estereótipo engravidou, endoidou.

Pelos vistos, há disparates que não mudam nem com um apocalipse: um deles é o hábito pateta de imensas mulheres, assim que têm filhos, fazerem uma carecada não porque acham bonito ou porque lhes fica melhor, mas porque "é suposto".  O que (não obviamente para todas, mas em muitas) resulta numa perda de feminilidade e é um sinal de outros desleixos. Do complexo deprimente  "deixar de ser mulher para se tornar numa mãe".

É um cliché irritante, não só por o "corte à dona de casa" desfavorecer tantas mulheres e desiludir tantos maridos, mas porque usar madeixas curtas não é necessariamente mais prático (certos cabelos dão menos trabalho quanto mais longos estão, falo por mim).


 Os fãs da série não perceberam patavina do motivo *ainda*, mas a personagem justificou-se com algum lugar comum maçador, tipo "tenho de seguir em frente e não quero nada no meu caminho".

Comentário dos homens cá de casa: ora essa, apanhava o cabelo! Aquela franja nos olhos ainda atrapalha mais!

E é verdade. Não só o penteado pelos ombros de Maggie não era tão grande como isso (e até ver, não foi a causa de nenhum morto vivo a apanhar pelos cabelos) como so far, apesar de todos os horrores, os nossos heróis ainda não foram atacados por piolhos (não pode haver as desgraças todas, e mesmo que fosse assim também não era aquele corte que resolvia coisa nenhuma). E com apocalipse ou sem ele, não faltam pentes, escovas, cremes e champôs (os protagonistas passam a vida a saquear supermercados, drogarias e farmácias com stocks bem recheados). Na cidade onde estão nem falta a electricidade para ligar secadores!

Se há coisa que me arrelia é ver perpetuar estereótipos femininos pouco apelativos - mesmo com as desculpas esfarrapadas da queda da civilização e do fim do mundo.



 

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