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Monday, April 18, 2016

Tudo o que um homem deveria ser



Este fim de semana pude finalmente apreciar (um pouco à toa, mas pronto) o filme Operação Valquíria sobre os heróis do 20 de Julho, que já estava na minha lista há bastante tempo. Não é tão espectacular como poderia ter sido (o Marechal "Raposa do Deserto" Rommel, o Conde von Lehndorff-Steinort e o Barão von dem Bussche nem aparecem) mas vale a pena.  Gostei de ver Tom Cruise como Conde Stauffenberg; tornou o papel seu, embora ache que o verdadeiro Stauffenberg - sem desprimor - conseguia ser ainda mais bem parecido.

E sobretudo, captou-me a atenção a  relação do Coronel com a esposa, Nina. Não só pela química, expressa em muito poucas palavras, entre Tom Cruise e a actriz que interpretava a Condessa, mas pela escolha das cenas em que o Coronel abraçava a mulher e brincava com os filhos. A forma cheia de carinho e sentido de protecção como ele a olhava - e o apoio incondicional dela, de uma confiança infinita - comoveram-me mesmo.



 Em Operação Valquíria, o herói é tudo o que um homem deveria ser não só perante a sociedade, mas para a sua mulher: forte, corajoso, digno, cheio de nobreza de espírito e sentido de honra e das prioridades, um pilar. Gentil, mas uma fortaleza. 

Feliz da mulher que encontra um homem assim, a sério, sério e de honra: para ela, toda as canções de amor tristes sobre encontros e desencontros deixam de fazer qualquer sentido. Nunca olha ansiosa para o telefone, ou para a porta, à espera de notícias ou manifestações de afecto "dele", porque o tem de pedra e cal a seu lado. Ele deu-lhe a sua palavra e palavra dele vale um escrito. 



As angústias e inseguranças das mulheres enganadas ou relegadas para segundo plano não lhe roçam a fímbria das vestes, pois sabe que são uma unidade, que se adoram e que se escolheram como únicos ídolos um do outro. Não necessita de cansar a mente a elaborar ardis para levar a melhor, pois os conflitos e problemas são abordados em equipa e à porta fechada: o que ele quer, quer ela e vice versa. Em caso de dúvida, as possibilidades são postas em cima da mesa e analisadas até se chegar a um único e indivisível fito comum. Não existem planos nem objectivos divergentes entre os dois: a vitória de um também pertence ao outro, e qualquer ofensa ou derrota é igualmente partilhada. Não tomam as dores de ninguém antes das dores um do outro. A casa de um casal assim, seja uma cottage ou um palácio, é sempre um castelo inexpugnável. 



E é claro que um homem assim só pode dar o seu melhor junto de uma mulher que saiba ser uma suave, mas boa influência; de ser realmente esposa, no mais nobre sentido da palavra: ciente de quem ele é para lhe burilar as qualidades sem o mudar, forte e corajosa, dotada da intuição e boa vontade para ler as mais subtis emoções dele - pois os homens, mesmo os melhores, nem sempre sabem explicar-se à primeira; possuidora de um coração de leão que é capaz não só de amar em mananciais, com todo o espírito de sacrifício que o amor verdadeiro exige, mas de guardar silêncio ou de renunciar quando necessário, de agir com prudência e sensatez, de colocar em tudo, mesmo nas coisas graves,  um toque de meiguice; de apoiar incondicionalmente, de esperar o melhor mas estar preparada para enfrentar o pior- se ele é a espada, ela é o escudo. Nina Von Stauffenberg nunca saiu do lado do marido - quando ele ficou gravemente ferido e quando ele aceitou tomar parte numa missão arriscadíssima por um bem maior, mesmo pondo em causa o bem estar da família. O seu heroísmo não foi inferior ao dele. It takes two to tango...

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