Recomenda-se:

Netscope

Sunday, April 3, 2016

Um chá com a Raposa do Deserto


 Tenho uma admiração enorme por Erwin Rommel, o genial marechal-de-campo alemão que passou à história com o cognome "A Raposa do Deserto" e que foi obrigado por Hitler a suicidar-se graças à sua participação na conspiração de 20 de Julho para derrubar o III Reich.

 Rommel era um militar tão extraordinário que "fazer um Rommel" passou a significar, para os seus adversários britânicos, uma prestação impecável. Porém, mais do que uma máquina de guerra com uma mente estratégica fora do comum que o tornou o general preferido do Fuhrer, Rommel era um militar que colocava a honradez acima de tudo. E um cavalheiro, incapaz de se exceder na força, de bater num homem ferido ou de cometer uma crueldade gratuita, mesmo em tempo de conflito. Sob a sua autoridade, não havia atrocidades cometidas por alemães.


Fiel aos seus princípios, este homem que conquistava a admiração tanto das tropas que o seguiam como dos próprios inimigos chegava a desobedecer a ordens injustas ou cruéis, recusando-se a abater os comandos que capturados atrás da linha alemã.




Um destes seus episódios de magnanimidade ficou para a História: em Maio de 1944 (poucos meses antes da sua trágica morte)  apresentaram ao General Rommel dois elementos detidos dos British Commandos, o Tenente Roy Wooldridge e o Coronel George Lane - que inclusive, era de ascendência judaica. 

 
O Tenente Roy Wooldridge

E a Raposa do Deserto, que até  já tinha escapado a duas tentativas de execução por parte desta força de elite, fez o impensável: em vez de mandar fuzilar os britânicos ou de os entregar às SS ou à Gestapo - o que significaria igualmente o fim deles- convidou-os para tomar chá. Depois de um colóquio amigável e de lhes oferecer cigarros, cerveja e uma boa refeição, mandou transferi-los para uma prisão de oficiais perto de Paris. 

 
O Coronel George Lane (atrás, ao centro)


O gesto de misericórdia do célebre General  permitiu que os dois oficiais britânicos sobrevivessem à guerra e tivessem vidas longas e felizes, ao contrário dele próprio. O Tenente Roy Wooldridge nunca esqueceu a nobreza do seu "inimigo" e guardou como uma relíquia o maço de tabaco que lhe ele lhe ofereceu quando se julgava perdido.

No Ano da Misericórdia, é sempre de lembrar que ela, como a bondade e a honra, cabe em toda a parte: mesmo no campo de batalha, mesmo que se lute pela facção errada. Ou que ser-se misericordioso (a) não traga qualquer recompensa além da memória que isso deixa. Rommel é recordado por todos como "um homem e um combatente justo" o que, a juntar à sua lenda de chefe militar incrível, não é coisa pouca.

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...