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Saturday, May 21, 2016

À passadeira encarnada o que é da passadeira encarnada.


"Há lugares, trajes e ocasiões para tudo (ou quase tudo, vá) nesta vida". Esta é capaz de ser das frases que mais se repetem aqui pelo Imperatrix, embora haja sempre quem ache que não, ou até concorde mas fique muito surpreendido quando calha criticar-se algo que remotamente lhe diga respeito.

Ora, há dias falámos na patetice de Jennifer Lawrence e das suas "intervenções políticas". Eu sou da opinião de que os artistas - e em especial os actores - devem manter alguma discrição acerca de assuntos sérios. Não só a bem de uma certa neutralidade que lhes permite chegar a uma audiência mais alargada, não apenas porque é raro terem posições sensatas (veja-se o disparate de Jodie Foster a dizer que os ricos são o demo quando ela própria vale muitos milhões) mas também porque detesto ver eventos como os óscares transformados em manifestos baratos. Não sei o que fizeram da velha máxima "numa festa não se discute futebol, religião nem política" mas ela faz muita falta. Cada macaco no seu galho.



Se os famosos querem intervir em causas, podem fazê-lo brilhantemente apenas por serem famosos: usando a sua imagem para chamar a atenção para problemas que os média ignoram (como Audrey Hepburn e mais recentemente, Angelina Jolie, que goste-se ou não dela tem sabido ajudar sem dizer tolices) passando grandes cheques para caridade como fazia a saudosa Elizabeth Taylor (seja às ocultas seja em público para que haja mais gente a querer fazer o mesmo) organizando eventos de solidariedade cheios de caras conhecidas, ou gravando singles do tipo We are the World, como Michael Jackson e companhia. E finalmente há as entrevistas e os social media, onde podem dizer da sua justiça para os seus muitos seguidores, nem que seja para debitar as piores fiadas de asneiras.


O campo de acção é vasto, mas às ocasiões festivas há que deixar a devida leveza. Atravessar a passadeira encarnada é um momento leve, superficial mesmo - e convém que assim seja.

 Pessoalmente não tenho paciência para acompanhar os ditos das celebridades que pisam o red carpet a caminho de qualquer entrega de prémios (vejo o que vestiram nas publicações da especialidade, e mesmo assim...) mas já se sabe que é puro trolaró.

 O que dizem é pouco relevante e é bom que assim se mantenha. Por muito importantes que se achem, actores e cantores recebem os balúrdios que recebem para ENTRETER as plateias. Deles espera-se material para descontracção e diversão e com sorte, algum bom exemplo. Ninguém lhes paga para questionar os grandes enigmas da humanidade: para isso há filósofos, cientistas e estrategas.

Por isso, quando a comediante toda pró-liberal e pró-feminismo progressivo Amy Poehler vem desafiar os jornalistas a fazer "perguntas inteligentes" às mulheres na passadeira encarnada, porque falar só de roupas é sexista e redutor- diz ela- não é que haja mal no caso; é só disparatado.


 Eis mais um exemplo de chica esperta a querer por força provar que é inteligente. E já se sabe, uma rapariga inteligente e poderosa não precisa de o demonstrar por força, tal como uma senhora não tem de provar que é uma senhora. De resto, trate-se de homens ou mulheres, não estou para que me macem com as suas teorias na passadeira encarnada. Quero saber que trapos vestiram, um ou outro plano de carreira e já é muita conversa. Não é que todas as perguntas sugeridas por Amy e seguidoras (até Hillary Clinton, cruzes) sejam totalmente descabidas; mas arrelia-me a constante necessidade de afirmação feminina, tanto como a constante necessidade de afirmação da gente de Hollywood. Não podem concentrar-se no seu trabalho e deixá-lo falar por si? 

Ninguém tem de provar nada a ninguém, há ocasiões para tudo e cada caranguejo no seu buraco, etc. Pior que ser cabeça de vento, só fazer questão de partilhar isso com o mundo...


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