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Wednesday, May 4, 2016

A tradição irlandesa de pedir um homem em casamento


Como este ano foi bissexto, falou-se bastante na antiga tradição irlandesa que permitia que as mulheres, a cada quatro anos, virassem os bons hábitos ao contrário e pedissem em casamento os namorados que nunca mais se decidiam. O meu lado de irish lass não concorda nada com uma tradição tão descaradona assim à mulher da luta, mas enfim. Por algum motivo seria a cada quatro anos...

Diz-se que o costume nasceu no sec. V, quando Santa Brígida se queixou a S. Patrício que havia demasiadas mulheres na ilha a ficar solteiras à conta de marmanjos que iam adiando, adiando, adiando...e não se descosiam (ou cá entre nós, que não eram bons rapazes, que as tomavam por garantidas ou simplesmente, não gostavam delas o suficiente para dar o nó). Por outro lado, também há muito quem defenda que na verdade Santa Brígida não existiu, que é meramente uma cristianização da deusa céltica Brigid; outros ainda sustentam que ela era uma druidesa que se converteu ao Cristianismo e já se sabe que os druidas tinham umas ideias esquisitas, logo tudo é possível.


O certo é que a pouco cavalheiresca tradição foi ficando e acabou estabelecido que, caso o homem recusasse o pedido, teria de pagar uma pequena multa em presentes (como luvas ou um vestidos de seda) para adoçar o golpe e a vergonhaça à menina que levasse um "não".

E se ao longo dos séculos houve casamentos que resultaram felizes apesar desse começo nada elogioso, também tem havido algumas cenas caricatas- como esta rapariga tão bonitinha que bem escusava de se rebaixar a tal papelão:



Apre, antes ficar solteirona numa casa cheia de gatos. Ou vá, esperar por um homem a sério que estivesse mesmo interessado nela. Nenhuma mulher merece! Rapariga alguma devia ter de pedir o namorado em casamento a não ser que, vá, tivesse tratado o rapaz muito mal, estilo Penny e Leonard do Big Bang Theory.



Mas o uso lá se mantém até hoje, apesar de, com tanta igualdade *e lata*, já haver mulheres que, com ano bissexto ou sem ano bissexto, não só tomam toda a iniciativa e mais alguma em vez de se deixarem cortejar, como pagam o seu próprio anel de noivado, outras que praticamente arrastam o homem até ao altar e demais atitudes  nada românticas que quase sempre dão mal resultado.




Esta semana está disponível no canal Hollywood um filme sobre o tema, com a bonita Amy Adams (filme que os irlandeses detestaram, mas pronto). Ela viaja até à Irlanda para aproveitar a tradição de 29 de Fevereiro, mas *SPOILER ALERT* pelo caminho encontra um irish lad todo Alfa que lhe põe as ideias no lugar, dizendo-lhe "este é um costume parvo em que mulheres desesperadas fazem a proposta a homens que não se querem casar".


 E depois mostra-lhe como um homem verdadeiro age. E acaba por pedi-la em casamento, com o anel de noivado da mãe dele e tudo, como manda Deus e o figurino. Santa Brígida que me desculpe, mas as moças casadoiras farão melhor serviço a si próprias se se pegarem com fé a Santo António... o nosso santinho tão português lá dá o jeito de o caramelo desatar a língua ou desencanta outro pretendente mais capaz. Já Santa Brígida só dá o mote, em modo "olhe minha filha, desembrulhe-se".






2 comments:

Carla Santos Alves said...

Adorei este artigo/post.
Muito bom.
Eu também preferia ficar solteira a ser eu a pedir um homem em casamento, credo!
Vi o filme e adorei, acho que o actor fez de homem "à séria", se é que me faço entender!

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Carla :)

Eu decididamente preferia. Deve ser horrível pensar "ele não me queria o suficiente para dar esse passo". Por muito que um casamento assim até possa dar-se e resultar, nunca será "aquela paixão". A forma como as relações começam determina muita coisa.

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