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Friday, May 20, 2016

As coisas que eu ouço: sem medo e com pouca vergonha




Uma pessoa das minhas relações que está a representar a organização onde trabalha num exótico e distante país, ganhou simpatia por um dos moços que limpa o condomínio- jovem emigrante alegre e prestável, vindo lá do Bangladesh, do Paquistão ou coisa que o valha.

Pois há umas semanas o meu amigo estranhou que o rapaz, sempre tão bem disposto, andasse com cara de Sexta-feira Santa, triste que dava dó, como se carregasse o peso do mundo nos ombros. Ao início não quis parecer intrometido, mas como os dias passassem e ele continuasse acabrunhado, perguntou-lhe o que tinha e se o podia ajudar em alguma coisa, etc.

Pobrezito! Vendo que alguém se interessava pelas suas arrelias, não aguentou mais e rompeu a chorar, contando o infortúnio que o moía por dentro e sacando de umas imagens comprometedoras que lhe tinham enviado anonimamente. 

Era portanto o caso mais velho e sórdido do mundo: o desgraçado a mourejar de sol a sol para dar uma vida melhor à família (mulher e um filho pequeno) e a flausina lá na terra, de sari para o ar...e de arranjinho com outro. 


Todo sufocado com o desgosto, ainda teve a presença de espírito de dizer que só queria ir a casa quanto antes tratar discretamente do divórcio e da custódia do pequeno, sem revelar as razões do desquite nem à própria família, nem à família da adúltera, senão cunhados e irmãos ainda se juntavam para algum medonho crime de honra daqueles que são tristemente costumeiros por essas bandas, e ele - com a nobreza de um S. José  - não queria, apesar de tudo, nenhum mal à mãe do filho, nem fazer dele órfão. E lá foi para a terra encerrar o assunto.

Qualquer infidelidade é sempre horrível: mas quando à traição se soma a ingratidão, pior se torna. E depois, está provado que más mulheres, como maus homens, há em toda a parte e que quando se querem portar mal, não são os rígidos costumes, nem a vigilância, nem trancas ou a ameaça de consequências tremendas que impedem o que quer que seja. Que a mulher faltasse aos seus deveres, já era mau; que não receasse pela própria pele, sabendo os bárbaros usos com que por lá se afligem até as mulheres inocentes, quanto mais as culpadas... é muita lata e muita loucura.

O que reforça a minha ideia de que quem leva uma vida desregrada e/ou é capaz de apunhalar friamente a cara metade não está muito bem, mentalmente falando. O descaso pelo risco, pelo embaraço e pelos sentimentos alheios só pode querer dizer que se está num modo um bocadinho psicopata. Não sei se isso existe, mas explicava muita coisa.

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