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Thursday, May 5, 2016

As coisas que ouço: ele há pessoas mesmo inconvenientes, Credo.


As regras de civilidade social nem todas são escritas na pedra, a preto e branco e letras gordas. Ainda que estivessem, de pouco ia servir porque assim como assim a maioria não se podia estar mais nas tintas para a boa educação e não segue as directrizes óbvias, quanto mais as nuances....

Mas tenho a certeza de que haverá algures uma regra implícita quanto a não mencionar, diante de um casal que ainda por cima não se conhece bem, os ex de um ou de outro. Como numa conversa que me contaram esta semana:

João: olá Frederico! Há quantos anos, blá blá, blá...olha, queria apresentar-te a minha mulher, Dora.
Dora: como está, Frederico? Prazer em conhecê-lo.
Frederico: ah...eu conheço-te! * nota bene o "tu" super agressivo* Tu não namoraste com o Filipe da faculdade X ou Y?

Assim como quem diz "tu não trabalhavas na Zara?", mas com o tom acusatório de quem afirma "tu partiste o coração ao Filipe" ou pior, "tu namoraste a turma inteira". Em todo o caso, dito como se isso interessasse ao Menino Jesus.



Yup, estou certa de que essa regra de sensatez, ou exercício de sensibilidade, devia estar nos compêndios. Algures ao lado da directriz que explica que nunca se pergunta se uma senhora está de esperanças (porque ela pode só ter engordado e é aborrecido) da que enuncia que nunca se pergunta "é a sua filha?" a um cavalheiro (porque pode ser a namorada vinte anos mais nova) e pertíssimo da regra que frisa que  não é leal nem bonito ser amigo de um inimigo do amigo ou continuar em grandes amizades com os ex dos amigos, principalmente se se portaram mal (porque não se pode servir a dois senhores). 



Antigos namoros - ou de resto, quaisquer esqueletos no armário e episódios "coloridos" ou embaraçosos da vida de alguém - não se mencionam a não ser que se tenha grande convivência e confiança com a pessoa e principalmente, com o casal em causa. O indiscreto que fala pode não ver mal nenhum nisso, c´est la vie e tal, hall of shame cada um tem o seu, certo; mas nem todas as pessoas são assim tão modernaças e encaram águas passadas com a mesma ligeireza, tipo num dia namora-se e no outro vai tudo alegremente para os copos como nos filmes americanos.



Tanto quanto o inconveniente linguarudo sabe, esse pode ser (e quase sempre é) um tema sensível. A relação que menciona desnecessariamente, sem pensar, pode já ter sido motivo de arrelias entre a Dora e o João, de forma particular ou por ciúmes retroactivos em relação à vida passada de ambos de modo geral. Ou ter acabado da pior maneira e deixado algum trauma/problema de consciência à Dora ou ao Filipe. Em todo o caso, as pessoas mais conservadoras encaram os seus erros com grande discrição, principalmente se estão numa relação estável. E um fala barato nunca sabe se está a abrir a Caixa de Pandora dos outros, que podem não ser assim tão open minded.

É um bocado como pôr-se a falar de mortos e tragédias a quem está doente. Há sempre modo de uma pessoa se situar sem cair em gaffes destas. Perguntar "tu não tinhas amigos na faculdade X ou y?" esclarece na mesma a impressão do "já vi a tua cara em algum lado". Mas causar confusão, constranger os outros e lançar uma eventual discórdia é muiiiito mais divertido, não é?

Em última análise, tudo isto se resume à máxima "se não tiver nada de agradável para dizer, cale-se". E essa é bem simples e categórica...



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