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Sunday, May 15, 2016

Às vezes gostava de ser como os Benfiquistas, palavra de honra.


Mas calha que o futebol nunca me entusiasmou (rugby ainda vá- "jogo de carroceiros jogado por cavalheiros"!), fora um desafio por outro da Selecção, por mero patriotismo, e um ou outro da Académica, por bairrismo. Também sou capaz de apoiar o clube da terra dos antepassados, mas porque alguns familiares lá jogaram e porque tem um nome a condizer com a têmpera daquela gente: Ferryaço. Já os homens da família, esses dentro dos "três grandes" tinham alguma simpatia leonina e eu que sim, por arrasto. Mas essa experiência quase religiosa de delírio com algo que não me diz directamente grande coisa, não sei o que seja.

 Apesar de respeitar a estratégia, não consigo empolgar-me com uma bola aos saltos durante 90 minutos, empurrada a pontapé por marmanjos um bocado brutamontes pagos a peso de ouro, mas comprados e vendidos como gladiadores modernos. Nem com a politiquice à volta do jogo, como se se tratasse de coisa de importância nacional. No liceu, lá me obrigavam a jogar também (sempre era menos detestável do que o vólei, que andava muito na moda mas me dava cabo dos pulsos e me deixava no terror de amassar a cara com uma bolada) e se me pusessem à defesa, como era um bocado maria-rapaz e tinha pontapés certeiros, não deixava passar ninguém. Fazia o frete. Aliás, cheguei a embirrar com pretendentes por (coitados, eu era uma peste...) serem jogadores profissionais e tudo: até pareciam rapazes com miolo, bons estudantes, mas nunca poderia funcionar. Como jornalista, entrevistei alguns jogadores famosos (preparando-me muito bem e fazendo perguntas abertas, não fossem eles perceber que eu não entendia patavina do assunto) que (não o digo com vaidade: fariam o mesmo com qualquer alma de saias) trataram logo de entrar em modo atiradiço. Cruz Credo.

A única vez que achei piada ao Benfica- ou ao futebol, de resto. A peer pressure na adolescência é danada.

 E a isto se resumem as minhas experiências com o "desporto rei"...o mais próximo que tive de gostar do Benfica foi achar piada ao Caniggia, por influência de colegas e para não ficar de fora das conversas.

Mas confesso que tenho uma pontinha de inveja da alegria colectiva, do entusiasmo dos aficionados do futebol e em particular - pelo número e devoção - dos benfiquistas, capazes de se desunharem e delirarem por algo que não lhes paga as contas, não lhes salva a alma, mas os põe todos contentes, papoulas saltitantes com camisolas berrantes. Já tive alegrias parecidas mas eram familiares, afectivas, espirituais, profissionais ou materiais- tudo coisas muito voltadas para dentro, portanto. Digamos que é preciso um grande shopping spree com um grande orçamento para me deixar em modo remotamente semelhante ao de um benfiquista numa noite como esta.

Adorava perceber, mas não percebo e quase tenho pena...fico contente por ver os outros contentes, e olhem lá.





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