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Saturday, May 7, 2016

Coldplay dixit: You came to rain a flood


Talvez porque não tem parado de chover - e o céu parece determinado a continuar enquanto lhe der na gana - Hymn for the Weekend*, a nova canção dos Coldplay que pesquei por aí na rádio (e que conta com uma Beyoncé num registo irreconhecível mas bem bonito) não me sai da cabeça. 


Tenho uma relação estranha com a música de Chris Martin e a sua banda: às vezes
 deixa-me capaz de dormir em pé, mas do nada sai-se com temas cheios de significado, como Princess of China, Paradise ou See it in a boy´s eyes, que o cantor/compositor inglês escreveu para Jamelia.

 Hymn for the Weekend é uma canção de amor alegre, mas agridoce e com um ritmo quase marcial: tão boa e melancólica como uma canção de amor triste. 


When I was down, when I was hurt
You came to lift me up

Life is a drink, and love's a drug
When I was a river dried up
You came to rain a flood

 Parece confuso? Eu sempre achei que as canções de amor angustiadas, com histórias tristes, são mais conseguidas e menos superficiais. Por algum motivo, é muito difícil cantar sobre um romance quando corre tudo bem. Talvez porque na fase linda as pessoas estão demasiado envolvidas (e tolas) para se sentarem a escrever poemas e a arrancar melodias do peito. É nos momentos maus (sejam ou não definitivos), quando a roda pára de girar, que se olha para trás, que se faz uma análise e que a ideias fluem à laia de desabafo. 


Mas Hymn for the Weekend escapa a esta regra. Consegue transmitir o que se sente quando um amor é bom e saudável, daqueles que fazem com que as canções de romance falhado deixem de fazer sentido. Mas não deixa de ser agridoce, porque até o amor feliz é dor que desatina sem doer.
Afinal, os apaixonados emocionam-se com facilidade, à menor tonteria. Um simples "até logo" é um aperto no peito, umas palavras romanescas ou uma discussão mais acalorada levam às lágrimas, e todas essas delicadezas, esses luxos do sentimento em modo "todas as cartas de amor são ridículas".
 Mesmo no caso de paixões como esta que os Coldplay descrevem, que vêm curar como um bálsamo, causar a euforia de um vinho forte e vivificar como uma inundação benfazeja.


*O vídeo passa-se na misteriosa Índia, e alude ao festival religioso de onde se copiou a ideia para as colour runs da vida. Seria mais giro antes de tirarem o significado à coisa e desatarem a atirar tinta uns aos outros porque sim, mas pronto.







2 comments:

C.N. Gil said...

...pois eu não consigo ter paciência para o elogio à mediocridade que estes gajos são...
...e sobretudo para a voz anasalada do Cris Martins que me faz lembrar não cantores, como os Carreira!
Assim que ouço a voz dele na rádio ou na televisão, é a deixa perfeita para mudar de estação!

:)

Imperatriz Sissi said...

São embirrações...inicialmente não apreciava, mas têm, alguns aspectos interessantes. A voz dele é nasalada, mas tem uma boa extensão...

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