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Monday, May 2, 2016

Donatella Versace é que sabe.


Este fim de semana pude ver (na SIC) a afamada produção televisiva House of Versace, muito comentada pela prestação de Gina Gershon, que interpretou magistralmente a larger-than-life Donatella.


O filme (que conta também com uma das minhas poucas musas inspiradoras vivas, Raquel Welch- cada vez mais bonita- e com um Enrico Colantoni que é o vivo retrato de Gianni Versace) tem algumas falhas motivadas pelo baixo orçamento. Por exemplo, a sessão fotográfica que pretende reproduzir Richard Avedon a retratar Cindy, Nadja, Christy, Claudia e companhia parece um trabalho de catálogo baratinho. E a própria protagonista admitiu que, uma vez que a Casa Versace não se envolveu na rodagem do filme, muitos figurinos tiveram de ser reproduzidos, o que, por muito bem que se trabalhe, nunca é a mesma coisa. Mesmo assim, adorei os looks pretos de Donatella: muito simples, muito femininos, fitting perfeito (já falaremos disso...).

"Não se consegue simplesmente recriar Versace. Há uma razão para Versace ser Versace" explicou a actriz, que percebe alguma coisa do assunto porque, sendo amiga de Tom Ford, passou os anos 90 embrulhada em Gucci e Yves Saint Laurent (lucky girl!).


Não posso concordar mais com isto. Já por várias vezes disse aqui que embora Versace - tal como Cavalli, aliás - seja um pouco risqué, sensual e colorido de mais para mim ( quando se trata de italianos, prefiro Dolce & Gabbana ou Armani) no corte é um prodígio.

Usa-se algo Versace (eu recomendo as calças) e zás-trás, as formas da mulher são enaltecidas na perfeição, sem achatar nem engordar a figura um palmo. Este aspecto foi muito bem conseguido na película, aliás: a caracterização de Gina Gershon obrigou-a a emagrecer e fazer musculação para ganhar a silhueta petite e  ultra definida de Donatella Versace, mas houve igualmente bastante trabalho de espartilho, até porque parece que a própria Donatella os usa até sob t-shirts: "eles constroem aqueles vestidos para ficarem incríveis, mas a não ser que haja tempo para fazer o espartilhado e os ajustes da mesma forma que Versace faz, o resultado não é assim tão fabuloso".


A frase "aperte mais na cintura!" foi dita imensas vezes durante a rodagem. Ora aí está um mantra com que me identifico (para desespero da minha costureira, diga-se). Donatella sabe como exaltar a feminilidade. E feminilidade é uma ideia muito presente neste House of Versace, já que retrata o esforço de Donatella (actual Vice-presidente da empresa) para não deixar cair a Casa criada pelo irmão.

Embora o filme seja assumidamente um trabalho de ficção, foi baseado numa pesquisa intensiva sobre Donatella Versace. E quando ela ensina à filha a importância do bâton, dizendo que a sua mãe "pintava os lábios ainda antes de beber café", frisa a importância dos saltos altos no porte e na confiança ou reflecte se uma mulher é a Lua (reflectindo o brilho do homem que tem a seu lado) ou antes uma estrela (aparentemente pequena e frágil, mas cintilando com luz própria), não só isto são coisas que facilmente imagino a saírem da sua boca, como espelham o espírito da mulher italiana (e do sul, de mais a mais) mas também da mulher tradicional, feminina, conhecedora do seu papel e das armas à sua disposição. Mamma mia!








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