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Friday, May 13, 2016

Já se sentiram como Maria Stuart?


A bela e infortunada Rainha dos Escoceses - que acabaria por ser aprisionada e executada pela sua priminha Isabel I (naquela que foi uma das poucas gaffes no reinado da Rainha Virgem que passaria à história como "Gloriana") - teve um início de vida tão tumultuoso como o seu fim.


"It came with a lass and it will pass with a lass", terá dito o seu pai moribundo,  James V, aquando do seu nascimento, temendo o fim da Casa dos Stuarts. É que a família tinha ganho o trono através do casamento de Marjorie Bruce, Princesa da Escócia, com o Senescal Walter Stuart. "Veio com uma mulher e com uma mulher partirá...". Não seria assim, como sabemos, mas a suposta frase dita no leito de morte do Rei no momento em que ganhava uma minúscula sucessora ficou famosa pelo impacto.



E impacto teria cada gesto de Maria Stuart: mesmo antes de deixar este mundo com régia dignidade e como um exemplo de piedade extraordinário, Maria da Escócia teve aquela frase lendária de desprezo nítido para os seus acusadores. Só é Rainha quem pode, mesmo destronada!

Mas enquanto viveu, estudou e reinou, por um breve período, em França ao lado do seu jovem  marido Francisco de Valois, Maria foi feliz. E quando por morte deste deixou as praias de França, com dezoito anos feitos e uma beleza que deslumbrava a Europa, mal ela sabia (ou algum pressentimento lho deixaria adivinhar, apesar dos projectos de glória e de brilhantes jogadas políticas para as quais julgava erradamente estar preparada?) que os seus tempos de bonança tinham passado. Era uma época que jamais voltaria.


Amores tumultuosos, um segundo casamento desastroso movido pela paixão, o facto de ser uma Rainha Católica educada na delicadeza da corte de França caída do céu numa Escócia que sofrera uma reviravolta protestante e por fim, a tensão com Inglaterra, tudo havia de conspirar contra ela. Mas a caminho da pátria onde já nascera Rainha, galgando as águas, Maria fechava uma porta para abrir as que viessem.

Mike Oldfield escreveu uma canção brilhante sobre esse exacto momento, mas eu prefiro - por um triz - a versão da banda alemã Blind Guardian:


Maria Stuart talvez soubesse no seu íntimo que não havia de voltar a França, pois lá não lhe restavam senão memórias tristes e alegres. De certa forma, almejou-o até à morte (quis ser lá sepultada- até isso lhe negaram) mas não saiu do seu caminho olhando para trás. Outras possibilidades se abriam diante de si. Para o bem ou para o mal, encerrou esse capítulo. Não regressaria a França, ao seu primeiro amor inocente nem à única vida despreocupada que conhecera.


Mas isso também não importava: não fora ela a queimar as pontes; estas tinham caído por si. A vida tinha- a encontrado com as suas surpresas boas e más. E ela acolheu-as: como monarca, mas sobretudo como mulher.

Penso muitas vezes na frase que a mãe da outra dizia: somos mulheres. As nossas escolhas nunca são fáceis!

E tantas vezes, decisões voluntárias ou fruto do acaso ou do destino, há que abraçá-las cegamente, apaixonadamente, haja o que houver, com todo o ímpeto e coragem, como um barco que segue da França à Escócia empurrado pelos ventos da Fortuna...


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