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Thursday, May 5, 2016

Não faço a mínima de quem seja Gonçalo Carter.





É um desses miúdos que fazem vídeos com imbecilidades, não é? Um qualquer produto da geração MTV que vive de desconchavos nos social media, correcto? Uma consequência destes tempos em que vale tudo para chamar a atenção, até #aftersexselfies, e em que nem os adultos se envergonham de pôr online as suas preferências de alcova, estou certa? Um desses meninos ameninados que fazem carinhas e beicinho mas querem ser rufias, right? Não devo andar longe. 

Penso muitas vezes que não me importaria de voltar aos meu dezasseis anos sabendo o que sei hoje e refazer algumas coisas, mas juro-vos que queria os dezasseis anos do meu tempo. Também fazíamos disparates - tinha colegas que eram um horror -  mas éramos mais inocentes, mais elegantes e mais discretos. Definitivamente.

Da crueldade de maior ou menor gravidade contra o animalzinho inocente já nem falo - é assim que os psicopatas começam, os psicopatas também adoram dar nas vistas e se este foi "diagnosticado" pelo público a tempo e o cãozinho está bem de saúde e melhor entregue, ÓPTIMO. Mas o que isto prova é que quando se trata de attention whoring, as pessoas até perdem a noção de crime perfeito. 



Não bastava fazer uma maldade. Era preciso mostrá-la ao mundo sem sequer (já que a consciência não lhe assiste) olhar para a lei. Tipo, fazer o raciocínio "até me apetece maltratar um cachorrinho fofo e ter imensos likes mas às tantas sou catado pela bófia", ou lá como esta gente fala.

Há tempos dizia-se que o Google anda a atrofiar a memória das pessoas porque com tanta informação sempre disponível,  já não é preciso saber nada de cor. Eu diria que as redes sociais fazem outro tanto, não à memória mas à noção do bem e do mal. Se não houver chinelo (ou neste caso, chicote) em casa para atalhar a maleita, claro. E reformatórios nas redondezas. Mas esperem, a educação no Colégio Militar é que é violenta, mofenta, preconceituosa e salazarenta, não é *sarcasmo*? Poupem-me.

6 comments:

BIA said...

Excelente ! Escreveste tudo aquilo que eu penso mas que não sabia passar para palavras de uma forma organizada :)
Beijinhos Sissi*

Manuela said...

Olhe, sissi, nem sei que lhe diga. Choca-me terrivelmente este mundo de constante exposição, de constante partilha. Sinto-me cada vez mais desadaptada, parece que há 10 anos aterrei num planeta extraterrestre chamado geração cibermundo. Veja este horror e comente, se achar pertinente.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/comportamentos-inaceitaveis-8408240

Imperatriz Sissi said...

@Bia, obrigada :) . É o que se pode dizer sobre o tema sem dar grande publicidade a palhacitos. Beijinho

@Manuela, obrigada por partilhar o texto. Do caso espanhol eu já sabia mas achei demasiado horrendo para me pronunciar. Este parágrafo diz tudo: "a tolerância costuma desfigurar-se num conceito que se lhe parece muito mas que na realidade é o seu contrário: a indiferença perante comportamentos que degradam o civismo, instaurando uma tirania invisível que é a de considerar aceitáveis atitudes que são censuradas por uma larga maioria".Perfeito!

Diana Simões said...

Sisi, texto perfeito! Só ontem tomei conhecimento desta noticia e pensei o mesmo! Forma brilhante como expoes a situação! Saudades suas... beijinhos

Imperatriz Sissi said...

@Diana, obrigada minha querida. Miss you too.

Carla Santos Alves said...

É lamentável.
A educação, é na educação que está o segredo.
Vivemos num era em que o profissional subiu na tabela das prioridades.
Querem carreiras brilhantes? Força. Mas então não tenham filhos. Se não têm tempo para eles, querem filhos, já sabem que vão ficar coisas para trás, forçosamente, ou então ficam as crianças muito bem entregues a familiares ou empregadas - não critico. Mas há que fazer opções.
Educa-se cada vez menos, compram-se os miúdos com gadjets, dão-se calmantes porque são irrequietos...é preciso brincar, jogar à bola, apanhar ar puro, brincar com bonecas, ler interagir com eles, que são nossos.
No meu tempo brincava-se na rua, expandíamos a alma e éramos felizes. Os que faziam asneira eram colocados à margem e sentiam isso mesmo, queriam brincar tinham que alinhar e portarem-se com juízo, não me lembro deste tipo de atrocidades.
Agora é a loucura total.
Tudo é colocado no facebook,com uma naturalidade assustadora. Muidos com menos de 18 anos têm facebook, instagram...depois admiram-se ...
Tudo isto me deixa triste e pensativa.
Mas cada vez mais defendo que os filhos são param serem "escutados" ...um miudo que faz uma coisa destas não pode estar bem...digo eu!

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