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Wednesday, May 4, 2016

Nouveau riche, fazer o quê?


Está muito engraçado este artigo do SOL sobre a ex-senhora da limpeza que se tornou euromilionária e que, apesar das boas intenções iniciais, tem feito todos os disparates da praxe, encarnado o estereótipo do parvenu em todo o seu esplendor... em suma, tornou-se uma caricatura do pato bravo. A última asneira em modo arrivista fazendo arrivismos foi ter espatifado um Maserati e - apesar de se vangloriar de "nem uma unha partir" (tinha de haver unhacas envolvidas, nem podia deixar de ser)- fugido do local sem assumir a responsabilidade pelo camião que escangalhou no processo.



Eu tinha-o adivinhado aqui, rezando para que assim não fosse - não porque possua super poderes (se os tivesse, também não contava a ninguém: punha-me eu a ganhar o jackpot bem caladinha) mas porque esse tipo de comportamento nos casos de rags to riches é tão típico, tão típico, que o enredo é invariavelmente o mesmo. 

Por mais que o dinheiro seja essencial, defenderei até à morte a máxima "antes um novo pobre do que um novo rico" (há quem vá mais longe e diga mesmo "antes um velho pobre do que um novo rico" pois, mal por mal, essas pessoas sempre são genuínas).



Isto porque dinheiro pode sempre fazer-se, cursos podem sempre tirar-se, 
visuais podem modificar-se, boas maneiras podem ser adquiridas... mas sem educação de raiz, um bocadinho de "mundo", bom ar de nascença e mais importante, valores familiares é muito complicado passar, sem incidentes, de uma realidade para a outra. Há pessoas que o conseguem brilhantemente, não o nego, mas fazem a excepção à regra. Possuem um dom natural para se adaptarem, muita discrição para aprenderem sem dar nas vistas, e uma inteligência superior que eventualmente passará por ter jeito para o negócio e/ou pela humildade de contratar quem sabe, para não falar numa certa graciosidade inata que transcende "estirpes".



Não me entendam mal, mas eu tremo quando ouço dizer (geralmente de forma elogiosa) que uma grande fortuna saiu a "gente simples e humilde". Não porque essas pessoas não mereçam, antes pelo contrário (em muitos casos, trata-se de gente honrada e trabalhadora) ou por não terem, eventualmente, um gosto sofisticado para aplicar tais quantias (dinheiro é a coisa mais neutra do mundo e cada um faz do seu o que bem entende) mas porque quase sempre a falta do tal "mundo" se traduz numa ingenuidade de bradar aos céus. O que é claro, não sucede com quem sempre viu o que o dinheiro faz de bom e de mau ou vem de uma família que conheceu melhores tempos.




Ou por uma vaidade que não conseguem conter nem para seu bem, ou por uma candura de quem nunca viu mesmo nada, por mais que tenham lido exemplos nos jornais, tratam de ir contar a todo o mundo como se não houvesse neste planeta burlões, raptores, pedinchões e aproveitadores. Há meses, quando um enorme jackpot foi sorteado cá para as minhas bandas, lá me vieram com essa do "gente simples e humilde". Zás, pensei logo "Deus os guarde e lhes dê juizinho e uma rolha". Pois sim. Rapidamente me chegou aos ouvidos, eu que nem os conhecia, que a senhora andava no café a relatar como tencionava dar um milhão a cada irmão e assim e assado. Como quem diga"vou comprar um aspirador para oferecer à minha irmã nos anos". Claro que tiveram de agarrar nas malas e fugir para o estrangeiro. Esperavam o quê?

Isto quando não querem, como a ex-senhora da limpeza de Marco de Canaveses, ostentar e serem além de ricos, famosos; ou à semelhança do ex-marido da dita senhora, derreter tudo em mulheres de mau porte e vinho verde, que isto o dinheiro, como o poder, não muda ninguém: é uma lupa que mostra o que as pessoas são na realidade. 

Deus nos guarde dos deslumbramentos dos alpinistas. Bem diz o povo que "o que o berço dá, a tumba leva". Ou como explicam aqui e muito bem, "só existe um tipo de elegância: a discreta".







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