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Friday, May 27, 2016

Pasmem: atrevi-me a *tentar* ver "Comer, Orar, Amar".




Shame on me. Se há coisa que me aborrece é filmes de mulheres tipo Bridget Jones, que invariavelmente envolvem uma solteirona desesperada a fazer asneiras enquanto procura um diabo que a carregue, ou uma divorciada a tentar encontrar-se a si própria justificando com essa desculpa a sua fiada de asneiras. Que- estava eu farta de saber - é o caso de Comer, Orar, Amar, livro/filme autobiográfico que pôs muita alma tonta em modo rebanho a viajar para Itália, Índia e Indonésia (acho- não cheguei a essa parte) para aborrecer os nativos com os seus chiliques. 

Sobre o romance light, uma cronista do New York Post deu a melhor definição possível: "uma tolice narcisista e new age"



Adequado, portanto, ao mulherio oferecido que adora Chagas Freitas, tem montes de one night stands com homens que estão fora do seu alcance para uma relação séria, acha-se mais bonita e capaz do que na realidade é, porta-se mal mas reclama que nenhum homem presta, finalmente se tiver sorte lá casa com alguém mais a condizer consigo para não ficar para tia, corre mal e vai descarregando no Papa, nas boas energias, nos gurus e nas citações ressabiadas/sórdidas de Facebook. Típico. Não admira que fosse um best-seller à escala global. As coisas andam assim, pretas.

Mas primeiro, porque estava a passar na TV e eu não tinha sono, logo dava-me jeito assistir a algo que me maçasse de morte; segundo, porque queria ver a parte que se passa em Itália (pintada com os estereótipos da praxe e como se em Roma não houvesse águas correntes quentes e frias); terceiro porque enfim, não acho necessário conhecer a fundo as coisas  com que embirro mas sempre convém embirrar com algum conhecimento de causa; e quarto, porque não havia nada melhor, lá arrisquei.



Bom, o filme tem imagens bonitas, tem uma boa fotografia. Há umas nonnas e mammas italianas a levar as mãos à cabeça com as modernices da protagonista, que lhe dão uma pitada de bom senso obviamente descartada pela narradora.

Salva-se por aí. Mas o argumento, justos céus! Se já viram, como quase todo o mundo viu, não me quero alongar: mas a heroína (bem casada, com um bom emprego e uma vida estável) acorda um belo dia e diz ao marido "não quero estar casada". Assim, porque não lhe apetece. Como quem diz "não quero ir ao ginásio hoje". O pobre coitado, que parece um tipo decente, indigna-se todo e lembra que fizeram um juramento, que para ele foi a sério, que queria criancinhas e envelhecer juntos e todas essas puras alegrias. 



Mas não. A egoísta da menina (vejam aqui um texto excelente sobre o filme que se foca mesmo nisso) está super desinfeliz.

Desinfelicíssima. A morrer por dentro apesar de ter saúde, família e amigos, um marido que a ama,  bom aspecto, uma carreira de sucesso, meios para passar um ano sem trabalhar se lhe apetecer e uma casa confortável. Que tragédia.

  Como se qualquer casamento fosse só felicidade todos os dias, sem esforço nem sacrifícios - e divorcia-se mesmo. Depois a maluca leva palmadinhas nas costas dos amigos que deviam era dizer-lhe "cresça", aborrece toda a gente com as suas lamurias, envolve-se numa relação muito pior que a anterior só para não estar sozinha com uma espécie de Gustavo Santos mais novo e todo metido a espiritualmente superior, desses que são vegetarianos porque é bonito armar em social justice warrior, começa a adoptar os hábitos dele como se não tivesse nada na cabeça, corre mal, separa-se desse também e lá vai toda contente ver se se encontra a si própria. 



Ou a ver se encontra Deus a meditar num ashram cheio de mosquitos ou lá o que é (adormeci nessa parte- os mantras deviam ser mesmo bons).

E em Itália lá aprende o valor do hedonismo e do dolce far niente, mas como lhe falta a noção de bella figura das italianas, que comem e bebem sem engordar, enfarda como uma esfomeada, trata de arranjar um pneu e dizer que isso é liiindo. Claro que a autora não capiscou nadinha, nada, niente, da filosofia de vida italiana, que passa muito mais por isto. Prazer de viver, descontracção, mas força, espírito de sacrifício, amor à família, Fé, brio na imagem, feminilidade. Isso são conceitos que passam totalmente ao lado destas cabeças de alho chocho.




E foi isto. Não vi mais nem preciso. São estas ideias doidas, egocêntricas, superficiais e patetas que andam nos média a ser pregadas às mulheres como positivas, poderosas e CORAJOSAS. Porque ir laurear a pevide pelo mundo fora só porque nos dá na gana exige muiiita bravura.

Não que seja má ideia uma mulher, ou qualquer ser humano, tirar um ano sabático para pensar na vida e "encontrar-se", se quer e pode. Não que seja necessariamente errado uma pessoa ter uma epifania e agir como lhe der na telha, pensar em si própria, perceber o que realmente quer. Mas deixem-se de floreados e de colocar filosofias da treta nos caprichos, por favor. É muita lata.

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