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Saturday, January 9, 2016

As 10 maiores tendências para 2016

De acordo com o site Who What Wear, estas são algumas das tendências e básicos que não largaremos este ano. Alguns itens já por cá tinham andado em 2015 (e "espreitado" antes disso) outras são mesmo novidade. Escolhi as mais razoáveis para partilhar convosco, a ver:

1- Tops "off the shoulder"

Vistos nos desfiles de Casas como a Chloé, já andavam pelas ruas e a fazer grande sucesso no comércio online. E ainda bem, porque mostrar os ombros e a clavícula é uma das melhores formas de ficar sexy sem parecer vulgar, além de adelgaçar a silhueta. Vão aparecer numa variedade de modelos (da blusa largueirona à simples t-shirt) mas para os  usar bem, há que optar por uma versão que não achate o busto, como este top de algodão.

2- Sapatos estilo "chinelo"


Não são grande novidade (comprei pelo menos um par no ano passado, fora os mules e slingbacks que já por aí andavam) mas agora confirma-se que não desaparecerão tão cedo. Para calçar os modelos trendy, um pouco masculinos, sem desfavorecer a figura, recomenda-se coordená-los com calças cigarrette pretas ou cropped jeans e um simples top tipo bailarina, estilo Audrey Hepburn.

3- Nerd is cool

Visto em colecções como Miu Miu e Gucci, trata-se de brincar com toda a parafernália associada aos nerd e ratos de biblioteca: pullovers sem mangas sobre camisas, saias "da avó", blusas de laçada, peças de tweed estilo anos 70...é um look a puxar para o hipster, mas com ironia. Pense em imitar a Amy Farrah Fowler de Big Bang Theory mas com um toque sexy, juntando-lhe uns saltos compensados ou uns stilettos pontiagudos. Ou mais sensato, adopte uma ou outra peça como apontamento e assuma os óculos de massa, se precisa deles.

4- Carteiras ecléticas e vistosas

Quase de certeza que terão em casa alguma coisa parecida, quanto mais não seja em modelos vintage: estruturadas e de tamanho médio mas coloridas, de  ar boémio/étnico/retro e enfeitadas por patchwork, aplicações ou bordados. E se quiser juntar duas tendências numa carteira só? Opte por uma versão a tiracolo.

5- Vestidos ou tops estilo lingerie... e slip dresses
Volta não volta, a tendência de usar roupa "interior" na rua - acetinados, rendas...- regressa, por isso a maioria terá algumas coisas destas guardadas. São sempre bonitas, desde que vestidas sensatamente. Gosto da ideia de um vestido rendado (como em Dolce e Gabbana,  que revisitou um dos seus clássicos) ou de um top/blusa como este Givenchy, com alguma estrutura. Desaconselho os modelos muito minimais, que dificilmente vestem como devem ou facilitam usar *verdadeira* lingerie por baixo. Quanto ao slip dress, não há nada a fazer: o "vestido-estilo-camisa-de-dormir" que tanto sucesso fez nos anos 90 tem vindo a ficar cada vez mais na berra e apesar de não ser o tipo de vestido que pessoalmente aprecie usar, não resisti a um Cavalli que me apareceu por um bom preço. Quem quiser experimentar mas não tem a figura arrapazada de uma Twiggy, deve escolher uma versão com um forro decente e munir-se de um soutien apropriado, para não virar todas as cabeças na rua.

6- Flare jeans
Vieram para ficar, como vimos.

7- Saia cruzada

Muito anos 70, principalmente se for de camurça. Não recomendo investir muito numa, mas se tiver um exemplar vintage lá por casa, aproveite para lhe dar uso. A coordenar com botas compridas ou sandálias.


8- Culottes

Faça o que fizer, não os use sem uns bons saltos. A minha combinação preferida é culottes + scarpins pontiagudos ou com botas longas de salto largo q.b., que escondam a perna até à bainha - again, completamente seventies.

 9- Ténis brancos
Como os Stan Smith - enough said. O must? Ter uma versão que pertencesse à sua mãe nos anos 70/80.


10- Biker jacket/ perfecto

É um básico, mas nunca foi tão in como agora soltar a Françoise Hardy em cada mulher. Com uma versão em pele, por favor - ou caso a preocupação ecológica cause demasiados remorsos, em tecido. Evite-se a napa, que nunca funciona como deve.


Friday, January 8, 2016

Frase do dia: o único termo de comparação que importa



"A única pessoa a quem deves comparar-te é a pessoa que eras ontem, 
e tentar ser mais forte do que isso".

vos falei de como aprecio alguns vídeos desta divertida instrutora de Pilates. E acredito muito naquele adágio que quem pratica sabe: "a vida é como o Pilates; se tudo parece fácil demais, não estás a obter bons resultados". Mas seja em termos de boa forma, de sucesso profissional ou pessoal, o pensamento de Cassey Ho é bem verdadeiro: comparar-se a  quem quer que seja é o pior atraso de vida possível. Isso e permitir conselhos ou opiniões demasiado veementes, vulgo interferências que ultrapassam a esfera do razoável.

Ser o mestre do seu barco é mais difícil do que parece. Às vezes é preciso fazer-se cego, surdo e mudo e ter no espelho - ou no Eu interior, ou lá como lhe chamam - o melhor conselheiro. Ouvir o instinto, o travesseiro (sábia dica que um bom doutor deu à minha avozinha no tempo da outra Senhora) e dizer para si próprio (a) "aqui mando eu e eu é que sei" mesmo que não saiba lá muito. Porque o que está correcto para cada um não é o que a vizinha é, faz ou tem; nem necessariamente o que quem lhe quer bem acha que deveria ser. At the end of the day, por muito que os outros tomem as dores ou partilhem os louros, é cada um que tem de lidar com as consequências das escolhas que fez: então, para o bem e para o mal, convém que seja o único responsável pelo desfecho...

5 mitos de estilo para esquecer

Mitos de estilo há muitos. Uns fazem parte dos cânones mas não se aplicam necessariamente a tudo; outros vêm da perspectiva de cada um (a); outros ainda têm sido amplamente publicitados por revistas, portais e blogs de moda...o certo é que certas lendas urbanas no que à elegância diz respeito não devem ser tomadas ao pé da letra. Aqui ficam cinco, para meninas e meninos:


1- Casacos e sobretudos são "pesados" e desconfortáveis
Um casaco pode fazer (ou estragar) uma toilette e saber usar agasalhos apropriadamente traça a linha entre as pessoas elegantes e as simples curiosas. De facto é muito desagradável - e mau para a coluna- usar um sobretudo que parece pesar uma tonelada, cansando os ombros e atrapalhando as caminhadas ao vento e à chuva.  Se "picar" ou apertar onde não deve, pior o tormento! E de facto, até há alguns anos, os casacos "pesadões" eram infelizmente a norma, principalmente nas marcas mais comuns. Porém, um bom casaco de fazenda, lã ou pele de qualquer modelo- além de ser  feito de materiais de qualidade - nunca dará essa sensação. Ser consistente e aconchegante, mas leve e macio, é o melhor sinal de um casaco ou sobretudo que vale a pena. Essa é a razão de os homens e mulheres com estilo usarem lindíssimos agasalhos como se fossem a sua própria pele, enquanto o resto do planeta anda enfarpelado em camisolas interiores, polares e outras camadas com um casaquito sem graça por cima. O que além de não ficar bonito, também não é nada cómodo.


2 - "Não consigo usar saltos" ou "não fico bem sem saltos"


Para ambos os extremos há uma só resposta: calçado de qualidade. Não me canso de dizer que até se pode poupar ao máximo noutras coisas (nomeadamente, visitas demasiado regulares ao cabeleireiro e à manicure) mas quando se trata do conforto dos pés, da saúde e do bom ar, convém investir mais um bocadinho. Sapatos bons não magoam nem são instáveis. No limite, podem causar um ligeiro desconforto se forem realmente muito altos, de salto fino (mas esses, qualquer pessoa sensata e de bom gosto os reserva para ocasiões especiais) e/ou muito compensados. Por isso (salvo em casos clínicos muito delicados) não é complicado encontrar um par, ou mais, com uma alturinha que favoreça a figura e permita caminhar com elegância. Já quem não consegue usar saltos baixos ou rasos nunca, por nunca ser, também anda mal informada: repito, um salto altíssimo não alonga necessariamente mais a figura. Há por aí muita botinha e sapatinho com uma altura matadora que atarraca em vez de adelgaçar. A chave está em escolher os modelos que funcionam e em jogar com as proporções, não no tamanho do tacão.

3- Azul escuro e preto não combinam


Sinceramente, ainda gostava de saber quem inventou essa, mas é dos poucos mitos tradicionais a tomar com um grão de sal. Sendo o preto uma tela neutra, presta-se praticamente a tudo, inclusive a outfits com azul escuro. Para o fazer funcionar, porém, convém que o azul seja vivo q.b e de um tecido ou material com textura diferente da peça preta, para não parecer um conjunto que desbotou (e.g. calças de couro pretas com blazer ou sports jacket de lã azul, estilo colegial). Pode também avivar-se o look com um acessório de uma terceira cor que complemente - um cachecol encarnado, por exemplo.

4- Misturar padrões é uma esplêndida ideia
Bom, até pode ser. Há quem consiga resultados de certa elegância com isso. Mas esta sugestão tem sido defendida ultimamente como o Santo Graal do styling e sinceramente, acho que já há gente a fazer disparates que chegue mesmo sem tentar coisas tão arriscadas. Combinar padrões funciona lindamente no masculino ( ex: ao coordenar camisas + gravatas). Também pode ser um recurso para quem tem menos roupa e quer conjugar entre si todas as peças de que dispõe. De resto, pode ser usado como variante, tendo em conta que uma das regras para conseguir um bom efeito é assegurar-se de que ambas as estampas têm pelo menos uma cor em comum. Mas com tanto por onde escolher no armário da maioria das pessoas, qual é a necessidade de abusar dessa "modernice"? Na dúvida, há que colocar o aprumo antes da originalidade, porque o ruído visual é sempre de evitar.

5- Sobreposições = look trendy


Nada contra as sobreposições em si: bem pensadas e em certas pessoas, funcionam lindamente e dão "aquele quê". Porém, esta é outra ideia defendida ad nauseam nos sites de styling ultimamente, e o que mais há é gente que à conta disso, querendo ser original, lembra a cantiga infantil do D. Eustáquio Rebuçado: mais parece uma cebola, ou uma bola de trapos com o nariz de fora. Quando se mistura muita coisa - e comprimentos diferentes - é fácil exagerar, criar demasiado volume, ficar desconfortável ou perder de vista as proporções, achatando a silhueta. É preciso ver que nem tudo o que parece bem num retrato tirado para inglês ver resulta na vida real, e que em todos os tecidos se portam como devem quando sobrepostos. Para usar camadas sem perder a elegância, nada como pensar em termos utilitários e usar a lógica clássica: ou seja, colocá-las onde são necessárias. Um blazer ou biker jacket sob uma capa ou sobretudo, uma camisola de gola alta sob um vestido de tweed sem mangas, uma camisa de mangas tufadas com um pullover de mangas mais curtas por cima,  e por aí fora. Combinações invertidas (ex: blusão de ganga sobre um casaco comprido mais leve) ou juntar tecidos de espessura igual (ex: casacos de malha sobre vestidos de tricot) não são impossíveis, mas exigem cuidado.






Thursday, January 7, 2016

10 dos homens mais bem vestidos de sempre (parte II)

Como prometido, continuamos com a nossa lista de cavalheiros altamente inspiradores no que ao guarda roupa e à elegância diz respeito. Cá vão mais dez (e mais haverá, se eu estiver para isso):


1- Jeremy Irons
O charmoso actor que torna a ambiguidade irresistível ( e que tem uma das mais belas vozes do planeta) é conhecido por gostar de uma certa originalidade nas suas fatiotas. Tão depressa aparece em Ascot sem falhar uma vírgula do figurino ou usa a mais clássica parafernália de um gentleman - fedoras, trench coats, sobretudos e sports jackets, geralmente acompanhados de lenços e cachecóis - como mistura a tudo isso elementos exóticos ou arrojados, de botas motard a peças orientais. Mas sempre com um tal aprumo e sentido de estilo que tudo lhe cai lindamente.

2 - Cary Grant
Incontornável ícone de estilo de Holywood, Cary Grant era um homem dado ao detalhe, que fazia questão de aparecer sempre imaculado e estudava a fundo a arte da alfaiataria e do bem vestir (os seus conselhos preciosos estão disponíveis aqui e aqui, numa entrevista concedida à GQ no Inverno de 1967/68). Cada fato era testado ao milímetro e o actor esforçava-se diariamente para que nada falhasse no seu visual, pois acreditava que as roupas fazem um cavalheiro. Fascinado pelo aspecto viril e composto dos soldados mesmo nas circunstâncias mais perigosas, Cary Grant fazia por tratar cada toilette sua com o rigor de um uniforme. Claro que a sua boa presença e quase 1,90 de altura teriam algum contributo para a forma como tudo lhe assentava...
Também se diz que ele e o seu amigo Clark Gable costumavam emprestar roupa um ao outro, o que não seria de estranhar. Outra curiosidade que  confirma Cary Grant como supremo árbitro das elegâncias: Ian Flemming baseou-se nele para criar a personagem 007, mas o actor recusaria o papel, o que fez nascer outra lenda: Sean Connery.

3 - S.A.R o Príncipe Charles
Ofuscado pelo glamour de Diana de Gales (e, atrevo-me a dizer, por um penteado menos feliz) o Príncipe de Gales nem sempre recebeu o devido crédito pelo seu sentido de estilo. No entanto, quem sai aos seus não degenera e ainda hoje basta olhar para imagens suas, principalmente em situações mais descontraídas, para perceber que veste impecavelmente, apesar de ser uma auto proclamada vítima do complexo "relógio parado" (ou seja, não olha para as tendências). Fã de fatos e casacos assertoados, de bons sapatos, de calças com pinças, do tweed, das gabardinas  e de todas as indumentárias no estilo english countryside, veste como quem é, sempre infalivelmente esteja de kilt, de polo para um passeio ou num evento oficial, mas com um toque individual que cada vez lhe cai melhor conforme os anos passam.

4- Oscar Wilde
Seria impossível não incluir o imortal autor e esteta mor nesta lista- diz-se que Oscar Wilde tinha um sentido de estilo tão aguçado como o seu espírito e era tão cuidadoso com a sua aparência como a vaidosa personagem que criou, Dorian Gray. Defendendo que "nunca se pode estar bem vestido demais nem ser instruído demais" que "cada um deve ser uma obra de arte, ou usar uma obra de arte" e que "ter bom ar e estar bem vestido é uma necessidade maior do que ter um propósito de vida", Wilde acreditava na perfeição da alfaiataria e no poder de uma boa gravata, antecipando muitas das toilettes que os cavalheiros usariam 100 anos mais tarde.


5- "Beau" Brummel
Outro Senhor que seria sacrilégio deixar de fora. Beau Brummel, o dândi por excelência, viveu literalmente para a elegância, inventando/popularizando muitos dos modelos que ainda hoje são a norma na roupa masculina - nomeadamente, é-lhe atribuída a criação do fato actual. Rejeitando o estilo colorido e ornamentado que vigorava até então, Brummel foi responsável pelo movimento da "grande renúncia masculina" que advogava as cores escuras, calças compridas, casacos discretos, gravatas e todo um visual subtil, pouco vistoso se comparado com o que era moda no período da Regência. Levava cinco horas a vestir-se e polia as botas com champagne, mas a quem via parecia tudo muito simples. É que o bom estilo consiste em não se notar a canseira que é para sair de casa todos os dias...

6 - David Bowie
Camaleónico, o genial cantor brincou com a androginia em diversas fases da sua carreira sem nunca parecer efectivamente "efeminado". Mas fora do palco - ou nas vezes em que decidiu aparecer vestido apenas com clássica elegância ou descontraído à vontade - o seu estilo é sempre sofisticado, passando por fatos de todos os cortes e materiais, coletes, casacos de cabedal, and so on.

7 - Errol Flynn
O deslumbrante aventureiro das telas (e assumido bad boy de encanto desarmante  na vida real) sabia fazer valer um fato como poucos, mas ficou para a posteridade o debonair com que usava um bomber jacket de couro, as calças chino e as camisolas de inspiração náutica, bem como o seu "olho" para coordenados e acessórios.

8- Edward, Duque de Windsor

Considerado por muitos o homem mais bem vestido do sec. XX, era conhecido pelos seus fatos Savile Row, mas dominava igualmente combinações menos ortodoxas- e na berra actualmente - como tweed e sport jackets acompanhados de ténis de lona.

9- Rafael e Luís Medina
Aqui temos um ex aequo, porque é demasiado difícil decidir qual dos irmãos se apresenta melhor: Rafael, Duque de Feria, ou Luís, o mano mais novo. Invariavelmente na lista dos mais bem vestidos, o guarda roupa de ambos é mais que perfeito - ou não fossem filhos da sempre guapa Nati Abascal.

10- Johannes Huebl

O modelo alemão, marido da socialite Olivia Palermo, é a prova de que o povo fala bem quando diz que a mulher faz o marido e vice versa...ou se preferirem, de que "quando se faz uma panela, faz-se o testo para ela". Se quiserem ser cínicos, também se pode dizer que ainda há casamentos muito bem pensados, porque de facto não podia haver melhor par para a invariavelmente elegante it girl. Com um estilo sem falhas, mas sem parecer forçado ou exagerado, Johannes é um autêntico Ken da vida real, mas numa versão mais bon chic bon genre.



O complexo "Rebecca"


Quando se trata de ex, há forçosamente que usar de um cinismo saudável: afinal, é quase impossível hoje em dia não ser o (a) ex de alguém ou (a não ser que se rapte a cara-metade de um mosteiro) não ficar com o (a) ex de alguém. Mal comparado, o universo dos relacionamentos parece uma gigantesca feira da ladra

É uma pena que a Ilha dos ex-amores não exista para refundir para lá todas as alminhas do passado, mas como sumi-las não é exactamente uma possibilidade há que lidar com isso com a classe que se pode.

Nunca se perceberá porque é o que  o que lá vai incomoda, mas é certo que arrelia bastante- especialmente quando a pessoa de quem se gosta parece ser "a tal", se se trata realmente de um grande amor e/ou se a história de um casal foi feita de  encontros e desencontros, vulgo fugiste de mim no liceu quando éramos os dois jovens e inocentes e era escusado tudo isto

Não importa o quão pouco relevante ou impressionante tenha sido o (a)s ex, ou o (a) antecessor(a); isso causa quase sempre alguma amargura, principalmente no início. É normal embirrar com ele ou ela. É normal aborrecer-se com isso. Até é normal ter uma ou outra discussão por causa disso. O que convém de todo evitar é entrar num complexo Rebecca (como no romance celebremente adaptado por Hitchcock) ou seja, obcecar-se com a falsa presença de um fantasma. Ou pior ainda, num complexo Rebecca invertido, que então isso é mesmo o fim do mundo, já lá vamos.



Para começo de conversa, mexericar no passado é como agitar uma garrafa de vinho ou abrir a Caixa de Pandora: estraga sempre tudo. Por muito que se promova a sinceridade numa relação, por muito mente aberta que se seja e por mais que a curiosidade faça das suas, some things are better left unsaid. 

Já se sabe  que cada um tem as suas historietas, o seu hall of shame (não importa se é pequenininho ou mais povoado do que seria desejável) e é melhor ser discreto, fingir que nunca houve nada disso, enfim, usar o melhor mecanismo de defesa parvo que se puder arranjar para não tocar em nada que possa explodir ou seja, em pormenores que não interessam ao Menino Jesus. Porque não interessam mesmo. Basta que cada um tente recordar-se em detalhe das suas próprias peripécias para perceber que metade se varreu da memória. Mas se o casal entra numa de "daqui me perguntaram, daqui me responderam..." ai ai. Dali a nada estão a indagar coisas que no fundo não desejam saber e a retaliar com dardos equivalentes só para ninguém ficar para trás e é um sofrimento escusado. Os defuntos não se levantam e finaram-se por algum motivo, end of story, requiescat in pace.



 Voltando à Rebecca, para quem não leu/viu/recorda, é a história de uma rapariga simplória que casa com um aristocrata viúvo de uma mulher lindíssima e sofisticada. Neste caso a defunta, Rebecca, é literalmente defunta mas mesmo assim aborrece porque o casarão de campo onde a pobre recém casada vai habitar está pejado de recordações dela. Ainda por cima a governanta idolatrava a primeira patroa e faz a infeliz  sentir constantemente  que aquela casa nunca será sua, o que quase a deixa maluquinha.

 Ora, a protagonista é uma insegura de marca maior, embora com alguma razão para o ser porque de facto estava, em beleza e estatuto, a anos luz da *cof, cof* falecida. Quando se sucede a uma pessoa bela, requintada, aparentemente perfeita, todas as inseguranças disparam, mas é preciso ver que não é com sentimentos mesquinhos que o espaço se conquista. Do mal, o menos! Quem está numa situação semelhante tem de compreender que se a cara-metade a ama, por algum motivo é. E se por acaso a (a) ex viveu ou passou muito tempo na mesma casa, que se há-de fazer...a César o que é de César. Se a pessoa era uma peste (ou nem era, mas fica automaticamente promovida a peste só por ser ex) mas tinha realmente um gosto irrepreensível, antes assim. É sinal que se está ao lado de um homem ou mulher selectivo (a). Pouco a pouco há-de introduzir-se o necessário cunho pessoal, mas mal por mal se o (a) defunto (a) sabia escolher os tapetes e as faianças, faz de conta que por lá passou um estupendaço decorador sem custo extra. Lá está, há que usar cinismo e desprendimento nestas coisas, ser blasé, entrar em modo "que maçada" e não dar troco, em suma. 



 Mas quando a (o) ex é de algum modo digno (a) de admiração ou vá, a cara metade tem um padrão, escolhendo pessoas dentro do mesmo género, ainda a coisa passa. Entre iguais, vá que não vá. Isso entra na esfera natural do ciúme.

Porém, por estranho que pareça... piorzinho, piorzinho é o complexo Rebecca invertido -  porque aí não é tanto uma questão de ciúmes, nem de insegurança, mas de alergia. E no limite, acaba-se a passar por "ter ciúmes" de alguém que se despreza, o que junta o desconforto à vergonhaça. Por complexo Rebecca invertido entenda-se quando aquela pessoa fantástica que se escolheu para planear um futuro deu um mau passo antes, ligando-se de forma mais ou menos séria a uma pessoa que socialmente falando, pelo ar, pelos princípios,  pelas ligações, pelos hábitos, Deus nos acuda.

 Acontece aos melhores, que já se sabe que hoje em dia as coisas não são o que eram; por muito que se escolha não faltam rapazes e meninas bastante decentes cuja (o) ex é uma mancha. Seja por insegurança, azar ou por falta de juízo temporária, há muito quem apresente em casa, ainda que numa de passar o tempo,  quem não devia ter passado da porta da discoteca sem que isso *quase* escandalize ninguém. E porque o que o berço dá a tumba leva, a pessoa lá acorda para a vida, ganha tino, percebe que estava sob péssima influência e até já a desaprender o que sabia, a ganhar maus costumes... e finalmente foge como devia ter feito desde o início. 



Too late - por ténue, insignificante ou breve que a presença nefasta fosse, por maiores limpezas que se tenham feito com água benta, lixívia, aguardente e águarrás, ainda que se defume com sal e arruda o carro, a roupa e qualquer sítio onde a alma-penada tenha passado, alguma coisita fica. São conhecidos em comum que se mantêm - e que além de não serem a companhia mais edificante, se suspeita que levam e trazem mexericos. É um retrato que não se apagou por esquecimento e que mostra a pessoa em toda a sua glória coberta de viscose e poliéster com acessórios de acrílico.



 É esta ou aquela expressão coloquial que provoca logo um "onde foi ele (a) aprender tal porcaria? Ah, já sei!". Ou coisas que só por acaso, foram oferecidas pela personagem, e ao gosto da personagem, de tal forma medonhas que a vontade é pegar com pinças, queimar e pisar no chão a gritar "mata, mata!". É compreensível ficar-se horrorizado (a) com o que se considera, bom...reles. Sobretudo quando se ama e admira a cara metade, de quem só se quer pensar bem, e é confuso imaginar como pode ter descido a tal disparate. Ao inevitável sentimento de posse junta-se uma estranha indignação e repulsa pelo episódio. 



No entanto, também aqui é preciso usar de cinismo para relativizar e conter, dentro do possível, as manifestações mesquinhas. Pensar no assunto como um disparate ou aventura inconsequente própria de um coração ingénuo (no caso delas) ou uma rapaziada que correu mal, mas podia ter corrido pior (no caso deles). 

Mesmo aceitando com maturidade o inevitável - ou seja, que se está, embora em circunstâncias mais positivas e honradas, a suceder a um pato bravo,  a uma serigaita ou a um parolo (a) do piorio- é natural haver algumas exclamações de repugnância. Porém, é necessário usar de delicadeza com a pessoa amada e ser um bocadinho magnânimo (a) com o defunto ou a defunta, quer para não baixar ao mesmo nível, quer para não ferir a auto-estima da cara metade. Afinal cada um tem os seus erros e ninguém gosta de sentir a humilhação de os ver lançados em rosto a toda a hora. Nem mesmo sob a forma de elogio, do estilo "não sei como uma pessoa tão bonita/inteligente/elegante se associou a tal estafermo".

E em todo o caso, há melhores conversas e actividades para passar tempo de qualidade juntos do que a remexer na "arca das velharias". Ou na arca das trapalhadas. 










Wednesday, January 6, 2016

Bruce Lee dixit (2): e parar de ser casmurro com a vida, não?




"Esvazia o teu cálice para que ele possa encher-se; torna-te oco para ganhares totalidade"

A frase acima faz-me lembrar outro pensamento sábio - do admirável D. Fulton Sheen- que vai dar sensivelmente à mesma ideia, embora sob uma perspectiva religiosa: “Nunca serás feliz se a tua felicidade depender somente daquilo que tu desejas. Muda o teu foco. Encontra um novo centro, será o que Deus quiser, e ninguém poderá tirar a tua alegria.”

Cada vez mais me parece que na vida há que fazer planos de uma forma geral, aberta, sem demasiado detalhe. É importante saber sensivelmente o que se quer, pois sem destino escolhido não há meio de transporte que valha; mas deixar algum espaço para que as circunstâncias (ou a intervenção divina e a Fortuna, para quem acredita) possam fluir e agir. Quanto mais deterministas e traçados na pedra os objectivos que não dependem só da nossa acção e escolha, maior o atraso de vida. Tenho de voltar a Maquiavel: a virtù nós controlamos- é a nossa capacidade de trabalho, de resiliência, de dedicação. A Fortuna - que são os factos aleatórios, a natureza, o zeitgeist e a vontade dos outros - já não dependem de cada um, mesmo que se seja um ás da manipulação. Aí tem de se aplicar a virtù para dançar conforme a música, pois lá diz o povo, são precisos dois para dançar o tango e onde um não quer, dois não brigam; e já dizia o Imperador Aurélio: é estúpido 
amofinar-se com o que depende de outrem (muitas vezes de gente que não sabe ver o caminho)  ou de objectos inanimados...

E no entanto, o que mais há é gente a adiar o próprio êxito ou felicidade - ou a comprometer a paz e alegria dos que lhe são próximos - porque tem ideias fixas: obcecou-se com aquele objectivo/negócio/projecto/pessoa (seja no âmbito profissional, de realização pessoal, amoroso...) e dali não se tira, não vendo as alternativas talvez melhores que estão à mão de semear (porque nem sempre o que se quer é necessariamente conveniente ou bom) ou desprezando-as mesmo que as veja. E um dia é tarde demais para aproveitar o que quer que seja, perdendo-se tudo por um desejo que talvez nunca se realizasse em primeiro lugar.

É como aquele ditado das Minas de Salomão: "procura o que está perto, pois o que está longe quase sempre te engana". 

"Bate e a porta se abrirá, procura e acharás..." é uma grande verdade. Mas por vezes há que ser flexível e humilde. Se a oração repetida todos os dias ou a acção em que se insiste ad aeternum  não produz resultados, talvez se esteja à espera do comboio na paragem de autocarro, ou a querer teimosamente o pior. Uma das mais belas orações - ou frases motivacionais - será mesmo "dai-me o estado que melhor me convenha". Porque às vezes, as pessoas não sabem o que é bom para elas, mas insistem que sim...

Tuesday, January 5, 2016

10 dos homens mais bem vestidos de sempre (parte I)


Se a elegância feminina depende de muitos factores - a silhueta, o gosto, a originalidade - no masculino o caso é mais subtil e intrincado. Isto porque primeiro, os homens têm - aparentemente e por tradição-  menos por onde escolher;  e segundo, porque ser abertamente vaidoso não é tão desculpável neles como numa mulher...
 Um homem demasiado ralado com a aparência perde metade do seu charme varonil, mas ao mesmo tempo espera-se de um cavalheiro uma apresentação impecável e um instinto aguçado para escolher a gravata, o blazer, a camisola certa e por aí fora... numa parafernália de trajes que ao olho pouco treinado, não parecem tão distintos entre si como isso. Erro crasso: como em tantas coisas, a arte masculina de bem vestir está nos detalhes. Um homem elegante, seja em circunstâncias formais ou casuais, distingue-se de imediato entre os outros, pelo todo. Poucos conseguem esse perfeito equilíbrio, mas alguns senhores bem conhecidos são excelentes inspirações. Comecemos então pelos primeiros dez que me acorreram de imediato:

1- Clark Gable



O eterno Rhett Butler podia agradecer o imaculado sentido de estilo à sua amada madrasta, que o criou de pequenino insistindo sempre na arte de vestir como um Senhor. Homem de armas, amigo dos animais, da literatura e da vida ao ar livre, caçador e jogador de polo, o homem que derretia as pedras com o seu sorriso malandro conseguia usar as peças mais clássicas com descontraído panache, mas parecer igualmente elegante em situações casuais. Em suma, dominava como ninguém a arte cavalheiresca de estar sempre adequado, seja num salão ou no meio da selva.  A título de curiosidade, muitas das toilettes que vestia nos filmes e que tão bem realçavam a sua bela figura eram mesmo suas, o que nos dá uma ideia do seu savoir-faire...e da dimensão do seu requintadíssimo guarda roupa!

2- JFK




O trágico Presidente formava de facto um casal perfeito com a elegantíssima Jackie: influenciado pela cultura Ivy League e o meio elegante em que cresceu, tornou-se um símbolo de sofisticação descontraída.

3- Hubert de Givenchy



Conde que se fez couturier vestia as Senhoras com a perfeição que sabemos, mas ele próprio sempre possuiu- e cultivou - a bella figura.


4- Sir Michael Caine



O ultra nonchalant actor conseguiu dois feitos difíceis: trajar com tal perfeição - e elegante indiferença- que ninguém sonharia o seu berço humilde... e passar pelos extravagantes anos 60 e 70 deixando atrás de si um registo inolvidável de toilettes intemporais no mais puro estilo de gentleman inglês. A simplicidade e subtileza são tudo, em qualquer época.


5- Marlon Brando



Alcunhado "o verdadeiro rebelde de Hollywood" Marlon Brando foi (a par com James Dean, mas o meu fraquinho vai para Brando que apesar de tudo soube dosear a rebeldia e andou por cá mais tempo) um dos ícones responsáveis por muitos dos looks masculinos hoje  perfeitamente corriqueiros, mas indispensáveis: a t-shirt branca - até então considerada praticamente roupa interior- as Levi´s 501, o biker jaket....claro que, com a sua beleza exótica, também sabia usar um fato; mas só quando queria. E mais tarde tornou-se O Padrinho, prova provada de que quem é cool pode sempre sê-lo mais um pouco, mesmo que já não vá para novo.

6- Sir Christopher Lee
Um pedigree a condizer com o do Conde Drácula que tão marcantemente interpretou, uma voz incrível...e uma elegância que nunca se perdeu. Um cavalheiro nunca perde a boa apresentação, esteja onde estiver e por mais que os anos passem. Disse e repito, ninguém é mais cool do que Christopher Lee.

7- Bryan Ferry


Outro cavalheiro que representa o mais refinado estilo britânico, o músico - bem parecido, mas enigmático- nunca apareceu descomposto. Usando o mais formal dos trajes ou peças relaxadas como camisolas de ténis, Bryan Ferry está invariavelmente impecável. O facto de se considerar "uma alma à moda antiga que só por acaso se tornou uma estrela de rock" tem decerto algo a ver com a sua intrigante miscelânia entre gentil-homem e bad boy.

8- Muhammad Ali



O icónico pugilista não só se movia com uma agilidade inusitada num peso-pesado, como fora do ringue se apresentava sempre impecavelmente vestido. Com um grande sentido da elegância, sabia de cor uma das regras de ouro do bom styling: contrabalançar a sua figura imponente (1,91 e quase 100 kg) com fatos à medida - estreitos q.b, mas nunca ultra justos.

9- Paul Newman

Com os seus incríveis olhos azuis e um sex-appeal que se manteve intacto por décadas, o actor, filantropo e ás do motor racing (que ainda entrava em competições de duas rodas aos 80 anos!) usava  como ninguém os fatos sóbrios que acentuavam a sua figura atlética, mas dominava igualmente o estilo preppy para as situações casuais, sempre com serena elegância.

10- Sean Connery
Eternamente belo, com uma das vozes mais inconfundíveis de sempre e elegante nem que chovam canivetes, o grande escocês ganhou o papel de James Bond não tanto pelo seu talento ou sentido de estilo, mas porque a mulher do produtor reparou que o bodybuilder e ex Mister Universe tinha os movimentos cruéis e felinos de uma pantera - e que ninguém, a não ser talvez Cary Grant, alguma vez ficara tão bem num fato. Foi só ataviá-lo com a mais pura alfaiataria inglesa que Sean fez o resto. Apesar de ter ficado associado à sofisticação de 007, o que torna Sean Connery especial é mais intangível: a capacidade de ficar fantástico vista o que vestir, por mais que os anos passem. De mais a mais, ninguém usa o kilt como ele e isso diz tudo...







Isto dos poetas desconhecidos que andam para aí...



...e que volta e meia vão parar às redes sociais misturados com toda a sorte de lamechices, às vezes intriga-me. Já partilhei convosco dois textos bastante decentes perdidos naquelas páginas da treta que é preciso "meter like" (Credo, abrenúncio, espiga rodrigo!) para poder ler e que certos amigos têm a mania de seguir vá-se lá saber porquê. E desta vez, pelo mesmo veículo mas através de dessas páginas pró-feminilidade e tradição que aprecio e recomendo, dei-me com este poema que me agradou bastante, apesar de eu ser muito niquenta quando o assunto são versos. 

A autora é desconhecida, assim o diz quem partilhou, e por voltas que desse não a encontrei, mas atrevi-me a uma tradução livre porque achei que tinha umas imagens fortes e expressivas sem cair em doses de xarope.

Amo-te...da tua alma ao teu sorriso
Do teu coração às tuas mãos; essas mãos que me acariciam só de as ver (...)
Amo-te quando escureces e também quando resplandeces.
Quando gelas e quando queimas.
Quando és tranquilidade e quando és perigo.
Quando és choro e quando és riso.
Quando és paz e quando és guerra...

...e continua por aí fora, terminando com trá-lá-lá, trá-lá-lá, a minha vida só é plena contigo, o habitual. Os poemas, mesmo o dos grandes autores, têm esta coisa de às vezes ficarem melhor incompletos. Quando algumas estrofes são perfeitas é patetice tentar rematá-las, mas isso sou eu que digo e vale o que vale...

Captou-me a atenção  a ideia das "mãos que me acariciam só de as ver", porque é verdade. Quando se começa a gostar de alguém, a ganhar alguma intimidade, as mãos dessa pessoa tornam-se importantes. Dar a mão é de repente um grande assunto, especialmente se as mãos em causa forem bonitas. No caso masculino, uma mão elegante, mas firme e forte, é uma promessa de amparo, de protecção, de "não te deixarei tropeçar".




 Depois, e deixem-me continuar a falar para as meninas e senhoras porque consigo apenas adivinhar como um homem sente isto:  uma mulher pode encantar-se com o sorriso à Clark Gable, o sentido de humor contribui muito para a conquista, mas é quando os olhos "dele" escurecem, quando uma sombra de melancolia os tolda e esse reflexo não passa despercebido mas entra directamente no coração feminino, que se percebe que é amor. Gostar da luz é fácil, mas fascinar-se pela sombra exige certa dose de atenção que se existe, quer dizer alguma coisa. 

De igual modo, em qualquer relacionamento superficial, "ama-se", salvo seja, tudo o que é resplandecente e caloroso: mas amar quando "gela", amar quando as coisas se tornam densas- não necessariamente desagradáveis, mas assumindo uma certa gravidade- apaixonar-se mais, se possível, quando um homem diz, muito calma e firmemente, "isto assim não pode ser" ou quando tem os seus acessos como todo o mundo tem, aqueles que fazem pensar "olá! não lhe conhecia este lado tão indomável"...já requer sentimentos mais profundos.

Amar quando o outro é paz e guerra, amar mesmo quando o outro não é tranquilidade, mas perigo (quanto mais não seja, porque quem tem um coração nas mãos pode sempre parti-lo) amar por um amor que não depende das circunstâncias mas abraça igualmente o bom e o mau, como a Terra aceita o sol e a chuva, o frio e o calor, isso é caso sério. E quando se chega a tal conclusão, é maravilhoso e assustador ao mesmo tempo, como todas as coisas relevantes.


Monday, January 4, 2016

Haja saúde...e juizinho

Imagem via

Quando era pequena, uma das minhas alegrias era sentar-me no largo escritório do senhor pai a ler os livros a que deitava a mão- incluindo a Segunda Guerra Mundial em BD, uma colecção sobre as tropas de elite deste mundo (gostava particularmente de um volume sobre os samurais)  alguns exemplares da avó, como Jane Eyre e...os livros escolares Deus, Pátria e Família quer do pai, quer do avô, em que "mãe" ainda se escrevia "mai". Achava aquilo o máximo e alguns pequenos contos ficaram-me na memória. Não admira que agora estes livrinhos nostálgicos estejam à venda de novo, mas ando com vontade de descobrir onde os nossos estão guardados.

Ora, num deles havia uma história que nunca esqueci e que agora tenho pena de não encontrar para vos mostrar, mas era qualquer coisa sobre um honrado lavrador, pai de numerosa família, nem rico nem pobre, que a cada desafio, negócio ou possibilidade respondia sempre "haja saúde".Se pensava investir nisto ou naquilo, um terreno, um carro de bois, os estudos da prole, o que fosse, ainda que vozes agoirentas dissessem que se calhar era arriscado, ele lá atalhava com um "haja saúde", e ia trabalhando sempre, aumentando pouco a pouco o seu património. No final o bom homem prosperava e fábula era rematada com "haja saúde...e juizinho" qualquer-coisa-qualquer-coisa. Haja saúde...e juizinho, que tudo há-de correr pelo melhor.



Pois cada vez mais creio nisto do "haja saúde". Ou no "let go and let God", ou no "amanhã Deus dará" que a avó T., Senhora sábia e serena, me repetia vezes sem conta. 

Há quem se preocupe por preocupar e como tal, não descansa enquanto não preocupa os outros também, em modo corvo de tormenta. Ou quando há razão para preocupação, trate de ver isso à lupa para se preocupar melhor. E ainda, se não houver de todo, inventa preocupações para não ser apanhado desprevenido (a) numa serena despreocupação. É gente que acha que se não estiver preocupada, não está a levar as coisas a sério. Acho que no fundo tem medo de ser tomada por não-te-rales, por irresponsável, ou de ser surpreendida por alguma volta do destino. 

Mas a preocupação e a prudência, como tudo na vida, querem-se na medida certa. De menos, e é um convite ao desastre, pois não planear os eventos é planear o fracasso. Em demasia, esmifra as energias a uma pessoa, tira-lhe a motivação, rouba a parte divertida e prazerosa a qualquer iniciativa e já se sabe que sem entusiasmo nada sai bem. Afinal, preocupar-se por antecipação é preocupar-se duas vezes - ou afligir-se com coisas que podem nunca vir a acontecer...e o pior, arrastando os outros no seu pessimismo!

Nem Hakuna Matata, don´t worry be happy...nem ralar-se pelo prazer masoquista de se ralar que é, lá no fundo, uma desculpa para continuar confortavelmente na mesma enquanto se faz o papel de pessoa responsável, pressurosa, madura, de pés assentes na terra, com permanente cara de quem chupou um limão.

 Por isso, haja saúde e depois, Avé Maria e avante. É que cansa andar sempre a reassegurar quem vê papões em cada esquina...

Quando uma mulher da luta quer casar, ninguém a pode parar...e os ciúmes da Ivete

Por terras de Vera Cruz vêem-se todos os extremos, particularmente no que ao comportamento feminino diz respeito. Por um lado, manifestam-se nas redes sociais fortes correntes de pensamento advogando o regresso à feminilidade e a um comportamento mais tradicional; por outro, é o que sabemos e que tão mau nome dá injustamente à mulher brasileira por este mundo fora. Mas tenho para mim que o Brasil, com as suas doidices- sem ofensa - acaba por ser um reflexo do que se passa no resto deste planeta do Senhor. E no fim-de-semana reparei em duas notícias que provam que *sotaque brasileiro aqui* a mulherada endoidou, gentxi.




1-A cantora Ivete Sangalo tem estado na boca do povo via redes sociais porque armou (já que falamos no Brasil e à falta de melhor termo) um barraco monumental em pleno concerto seu ao ver o esposo a conversar com uma desconhecida no camarote. Parou de cantar para avisar o rapaz e ameaçar a "outra" com direito a palavrões e tudo. E o mulherio, o mesmo que se enfurece e berra "ninguém é propriedade de ninguém" se um marido ciumento faz cenas, aplaudiu esta demonstração pública de insegurança e falta de chá...
 Que isto, vamos lá ver: uma Senhora não deve demonstrar, a torto e a direito, que se perturba com qualquer serigaita; mas coser tudo consigo também não atrai nada de bom. Se algo causou desconforto a cara -metade deve ser informada, quanto mais não seja em modo "olhe lá não torne a fazer outra ou devolvo-o à mãe que o ature". Só que em privado, por amor da Santa. Que Ivete tinha bons pulmões até eu sabia e mal conheço a sua música. Mas que era uma Maria Escandalosa é novidade para mim...que vergonhaça!



2- A notícia já é antiguinha mas só me chegou agora e é de cair p´á banda. Uma rechonchuda e despachada rapariga de 21 anos, cansada de viver em pecado com o namorado de longa data que não parecia nada interessado em dar o nó, engendrou modo de o rapaz fazer dela uma mulher honesta. Certo, o que não falta por aí são loureiras cheias de ardis mortinhas para arranjar quem as carregue para agirem como umas matrafonas depois (assim como não faltam homens que não querem atar mas também não têm coragem para desatar). Mas Lenyenne Helen de Oliveira superou tudo: marcou a cerimónia em segredo e o "noivo", que nem sabia que estava noivo, foi posto perante o facto consumado. Como bom banana que devia ser - porque se não fosse, não se punha de casa e pucarinho com uma mulher a quem não lhe apetecia dar o seu nome, oras - Felipe, o namorado, casou e casou mesmo, não fosse ela sacar de algum rolo da massa em frente àquela gente toda. Ele disse que até foi uma boa surpresa e que era a atitude que lhe faltava, mas com aquela cara de sofrimento não sei não.

Ainda bem que acabou tudo pelo melhor, casou, honrou como diria a minha avozinha e só se estraga uma casa que isto, como também dizia a minha avozinha, quer-se lé com lé e cré com cré: uma mulher da luta só leva a sua avante se houver um banana que esteja pelos ajustes. 

Mas é uma tristeza ver uma mulher a desdobrar-se com total falta de dignidade para literalmente caçar um homem. Aliás, aposto convosco e não me devo enganar que também foi ela que andou atrás dele, possivelmente sujeitando-se a tudo, e que lhe pediu namoro

Alguns dirão que a ordem dos factores não altera o produto, mas ninguém me tira da minha cabecinha careta que por mais modernices que se inventem, o homem que fica com a mulher que se ofereceu de bandeja se deixou "capturar" à falta de melhor. É daquelas coisas efeminadas que alguns fazem e raramente acaba bem, pois ambos acabam por se ressentir disso. No fundo os homens, mesmo os menos masculinos, sonham arrebatar a mulher dos seus sonhos; e as mulheres, mesmo as mais modernas, sonham ser conquistadas, querem ser a única para eles, o ideal, a noiva prometida. Não querem sentir que obrigaram alguém! E daí já não digo nada...

 Se eu tivesse cinco euros por cada homem que já ouvi queixar-se, no fim de um relacionamento desse género "eu não lhe ligava nenhuma, ela é que me endrominou- devia estar parvo! Nunca estive a 100% na relação e ela, logo que se apanhou segura, deixou de me tratar bem" e por cada mulher que, em situações semelhantes, se lamenta "não é que ele não quisesse casar- ele não queria era casar comigo!" estava a gozar os rendimentos num dolce far niente.

 A muitos homens falta hombridade e atitude para se mexerem pelo seu verdadeiro amor e a muitas mulheres falta dignidade e e compostura para esperar por ele. É deprimente aquilo a que se sujeitam...mas lá diz o povo, "quem quer casar sempre casou; não é com quem quis, é com quem achou".


Moral da história: Dignidade dignidade, quem a tem chama-lhe sua!

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