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Friday, April 1, 2016

"Ela é linda sem makeup".. argh, por amor da Santa.




Apercebi-me desta cantiguinha infernal por ter visto na internet uma polémica qualquer sobre o vídeo da mesma, em que alegadamente se notava que as protagonistas estavam tanto sem maquilhagem como eu fui ao fim do mundo.

Não que isso interesse ao Menino Jesus. Pelos vistos a cantilena refere-se a um "movimento" ou "campanha social" cujo objectivo, a não ser que seja viralizar a música e encher uns quantos egos na cauda do "beleza real" não se percebe de todo.

Mas tudo bem por mim. Não tenho nada contra um look natural, desde que não pareça deslavado. Há ocasiões para estar "pintada" e ocasiões para andar de rosto nu, ou quase. Uma mulher que tenha uma pele boa e traços finos parece bem assim que acorda. Pelo menos até sair à rua e o sol e o vento começarem a fazer das suas. Nem sou adepta de maquilhagem pesada no dia-a-dia.

Na adolescência tornei-me especialista no "no makeup look" muito, muito antes de isso ser moda, em parte porque se usava um certo aspecto grunge, em parte porque os pais até permitiam alguma maquilhagem, mas gostavam pouco de palhaçadas. Aliás, tive vontade de rir quando recentemente anunciaram as "no makeup selfies" e o "look natural" como grande novidade.

E aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu que até embirro com selfies (pelo menos as que se nota que o são, de olhar fixo na câmara colada às trombas) fiz questão de tirar uma no Verão passado, acabadinha de sair da piscina, só para perceber qual era a piada das no makeup selfies que meio mundo andava a publicar. Para selfie não estava má, gostei de me ver e olhem que não lhe pus filtros nem nada, mas não a partilhei em qualquer rede social pelo simples motivo de a modinha (e a hipocrisia da coisa) me irritar. Ora se enchem de contouring e de trinta camadas de filtro, ora gritam ao mundo #iwokeuplikethis e se põem com beauty shaming. Poupem-me.

E em última análise, como é que um artista coberto de tatuagens e com brutais alargadores de orelhas vem falar em "beleza natural"? 


Mas a cantiguinha, a cantiguinha é que me mata. Não sei se é da melodia toda urbana mas fraquinha, se da letra com anglicismos escusados (pode usar-se o termo "makeup" mas repenicar-se todo com isso vezes sem conta soa artificial e pretensioso até porque não conheço nenhum homem que o diga, a não ser maquilhadores; homens dizem "betume" e olhem lá) se da futilidade do tema, se da repetição enjoativa.

Também pode  arreliar-me por ser, como a tal "campanha" de que faz parte, escrita a ver se o mulherio adere. Em modo "oh, vamos lá apoiar com a nossa selfie sem maquilhagem". É criar uma canção com um tema com que supostamente mulheres inseguras, ou simplesmente tontas, se identificam, espetar-lhe com um termo que as mulheres gostam de usar no instagram para criar engagement e zás, aí a temos a massacrar as playlists. Ontem dei por mim a sair de uma loja só porque pimba, lá cantava o rapazinho que a não sei quantas é linda sem makeup. Ad nauseam. Fiz um telefonema bem longo e quando voltei ainda a melopeia continuava. Saquei logo de um bâton, só para contrariar. É de cansar a beleza a uma pessoa.

Das cenas mais românticas que já vi: é de Homem!




Ontem calhou ver este filme baseado no board game Batalha Naval, com alguns actores de que gosto muito. Mas fosse pelo enredo, teria mudado de canal (apesar de não desgostar desse jogo em pequena) com ou sem Liam Neeson e companhia.

O que me prendeu ao écrã foi a cena em que o herói impulsivo, apaixonado à primeira vista por uma rapariga, procura de imediato conquistá-la. Dirige-se a ela como compete a um homem, chega à fala, mas...  a beldade está esfaimada e não dá conversa a ninguém antes de  obter  um burrito de frango fora de horas (adoro ver uma personagem magra e linda com um bom apetite, a quebrar o mito "mulheres bonitas são umas enjoadas"). E ele, determinado, trata de lho arranjar. 



 Sai disparado e uma vez que ninguém lhe vende o petisco, salta pelo telhado de uma loja fechada, arma uma confusão monumental, cai num monte de frascos de ketchup, deixa lá o dinheiro (é um rapaz honesto, claro), e depois, todo coxo, é perseguido pela polícia, causa uma data de estragos e leva uma série de choques eléctricos, mas não desiste e cai aos pés dela com o apetecido burrito, como um cavaleiro medieval depois de uma missão arriscada pela honra da sua dama. Claro que ela casa com ele. Arrisco dizer que nenhuma mulher ficaria indiferente a tanta dedicação, por pouco conveniente que seja ter um namorado que ande por aí a arrombar lojas, mesmo que por uma boa causa.


E digo-vos que esta não só é das cenas mais românticas que já vi num filme, como encerra uma lição valiosa (apesar de um tanto exagerada) sobre a dinâmica homem-mulher. Associa-se muito os gestos românticos a coisas superficiais e um pouco postiças - como surpresas, velas encarnada e flores - que têm o seu lugar, mas não são determinantes. Afinal, qualquer D.Juan das dúzias, empenhado numa conquista pouco sincera, sabe agradar com esses mimos. Ou qualquer namorado pouco apaixonado, preso numa relação daquelas à falta de melhor, compra rosas numa data especial, porque é suposto.

O verdadeiro romantismo e o comportamento varonil são coisas muito diferentes. Fazem parte de toda uma forma de estar e surgem espontaneamente, de acordo com a necessidade.

Um homem a sério age. E quando um homem está mesmo interessado, esforça-se, movido pelo impulso masculino ancestral da conquista. Nenhuma mulher digna devia contentar-se com menos. Não necessariamente com tanto espalhafato, mas deve esperar provas de consideração e entusiasmo.



Está certo que nem sempre agir de modo varonil implica ir buscar sanduíches difíceis de arranjar às duas da manhã, ou comprar presentes caros a despropósito ou se não pode, muito menos aturar mulheres ingratas e ditadoras que pensam que tudo lhes é devido (como temem alguns, quando lhes falam em agir como cavalheiros no jogo amoroso) . Porém, há os mínimos. Reparem: antes ainda de ir buscar o burrito, o herói levantou-se, falou, fez a sua parte de caçador e conquistador. A reserva dela em lhe dar troco só o acicatou mais a provar o que valia.

Regra geral, o homem do nosso tempo está mal habituado: afinal, o que não falta são mulheres que ou por modernice ou por desespero, se oferecem de bandeja, que não dão qualquer trabalho. Para quê maçarem-se por alguém que exige mais deles, que não dá o primeiro passo, que lhes mostra "quem realmente me quer, tem de provar o seu valor e as suas boas intenções"? Muitos, viciosos e amolecidos, darão essa desculpa, ou a desculpa da igualdade, que é basicamente um "elas que se esforcem". 


Não engulam esses argumentos de homens-beta cobardes e preguiçosos: se falam assim é porque não estão realmente interessados, ou não valorizam mulheres sérias nem são selectivos, ou são fracos ou andam equivocados, e isso não convém a uma rapariga de brio.

 Quem é cobardolas ao início, sê-lo-á nas questões sérias e graves. Quem prefere mulheres "desenvoltas" e descaradonas porque assim soma e segue mais facilmente, não hesitará em dar uma facadinha no matrimónio ou no namoro quando a ocasião se apresentar.

 Também muita gente vos dirá - com certa razão - que se forem mulheres tradicionais, altivas, que não privam os rapazes do jogo da conquista nem os obrigam a mostrar o que valem antes de lhes caírem nos braços, se arriscam a ficar sozinhas mais tempo. O que é natural, porque os cavalheiros não andam por aí a pontapé: tal como as mulheres elegantes e bem comportadas, são uma espécie rara.




 Porém, os homens sérios e a sério existem mesmo,  sabem reconhecer uma senhora quando a vêem e não têm medo de se virar do avesso para obter o que desejam. Quem sabe valorizar uma mulher discreta, quem não se importa de ir devagar, de apreciar todos os passos da coquetterie e do jogo de sedução, é porque sabe o que compromisso significa e não se assusta com isso. Quer uma mulher de princípios, digna de confiança, que possa, sem vergonha, apresentar à família.

E não sei o que pensais disto, mas creio que não se perde nada se uns quantos "preguiçosos modernos" desanimarem e voltarem à sua vidinha de relações fáceis e casuais. Desmiolados desses, há aos montes! Uma rapariga "à moda antiga" poderá ter de esperar um pouco, mas nunca vi nenhuma sair defraudada por ser criteriosa na escolha.

As "provas de amor" podem não ser tão espalhafatonas como ir preso por causa de um burrito de última hora, mas são inequívocas e gratificantes. Quem impõe respeito só com a sua presença, pode esperar ser tratada como algo precioso. Mas só um homem verdadeiro pode responder a isso - pois sabe o que é esperado dele.


Thursday, March 31, 2016

É esta realidade deprimente que espera todos os casais?






Qualquer pessoa realista sabe que relações perfeitas não existem. Que o casamento não é um mar de rosas, mas um trabalho de equipa que funciona melhor se cada um puser a felicidade do outro acima da sua. E que o amor é feito de sacrifícios - certo. Mas até o mais conservador dos manuais amorosos antigos fala sempre em manter o namoro vivo, a chama da paixão e o cuidado com o visual, de modo a que marido e mulher jamais se enfadem um do outro.

Então porque carga d´água, em tempos bem menos recatados,  somos constantemente bombardeados com artigos - muitos deles "humorísticos"- em que o casal dá tudo para poder dormir, se habitua de forma pouco glamourosa aos hábitos desagradáveis, em que a mulher tem sempre dores de cabeça e o homem ressona, em que as crianças só atrapalham, em que o homem ganha barriga e a mulher é uma desmazelada, em que, enfim,  a intimidade mata o romance? 


Sabemos que esses pequenos quês existem. Que canseiras e defeitos haverá sempre. Mas sou-vos franca, as mulheres da minha família sempre falaram honestamente nestas coisas e nunca, por nunca ser, me deram a entender que esse é o futuro ou a realidade do casamento. Não me pintaram essa tristeza de mulheres frias como o gelo que se deixam engordar ou de homens insensíveis que só pensam em ver futebol. Nem de crianças que, em vez de selarem o amor do casal, parecem estar plantadas no cenário para estragar tudo. Se tanta gente se identifica com cartoons e textos como este, algo de muito errado se passa. Ou casa por casar, à falta de melhor. Ou então vivi numa redoma dourada até hoje e começo a descobrir um mundo um bocado feio que só me chega através da internet. Serei a única que repara nisto, que acha isto deprimente e que não tem vontade de se rir de tais piadas?

6 "coisinhas" que podem mudar um visual


 Uma boa cara e um porte confiante dependem às vezes de pequenos nadas como estes...


1- Trocar o saco a tiracolo por uma carteira de mão



Don´t get me wrong: há sacos e carteiras a tiracolo adoráveis, incluindo os elegantes bucket bags- mas usá-los demasiados dias seguidos pode fazê-la corcovar e dar-lhe um ar cansado, especialmente se o saco for grande, maleável e tiver a tentação de guardar o mundo lá dentro. Se as alças forem algo finas, pior será! Por isso, ao fim de uns dias convém mudar para uma carteira com mais estrutura e que possa segurar no braço, o que dá um "ar de dignidade" instantâneo. É possível ainda optar pelo melhor dos dois mundos: uma carteira firme q.b., que tenha pega de mão e uma alça para trazer ao ombro.

Outra formas de dar a volta a essa "mania": usar uma satchel bag ou uma chain bag, estilo Chanel. Como não são muito grandes, não chegam a pesar por mais que queira, e dão sempre um aspecto compostinho.


2- Livrar-se de casacos demasiado grandes para o seu tamanho

Balenciaga

Mesmo que um casaco, sobretudo ou anorak seja oversized ou de corte largo/solto, se o tamanho for muito grande para si nunca assentará nos ombros nem nas costas e vai parecer sempre entrouxada...e um pouco desleixada, estilo hippie nómada em modo vagabundagem de Inverno. Por muito elegante que seja a roupa que traz por baixo, um casaco faz - ou neste caso, estraga - um outfit. Isto acontece muito quando se compram casacos vintage - às vezes são tão lindos, o material é um mimo, o número não é bem aquele, mas passa...Se gosta mesmo dele, peça à costureira para o ajustar. Melhor ainda, mande "dar um jeito" em todos os casacos que não lhe caem na perfeição. Assim não corre riscos.

Outra formas de dar a volta a essa "mania": dar prioridade aos trench coats e outros modelos que tenham cinto. Ainda que fiquem um pouco folgados, mostrando que tem cintura nunca se "afogará" tanto na roupa.

Mais uma dica: reserve os casacos mais volumosos, soltos, ou de corte "boxy" para usar com os saltos mais altos e largos. Melhor ainda, com cuissardes, se tiver pernas elegantes. O comprimento da botas e a altura do tacão vão alongar a figura e dar suporte ao volume do agasalho sem atarracar.


3- Pele SEMPRE uniforme



 Por muito que se goste de um look natural (e que se tenha uma pele boa e bem tratada) um rosto uniforme, sem olheiras de maior, brilhos ou vermelhidões do frio/calor... tem outra luz. Adoptar um CC ou BB Cream levezinho é a forma mais rápida de o conseguir sem parecer muito "pintada". 


4-Trocar de bâton

Bâton Velvet Mat, Kiko


Não percebo as mulheres que dizem "não tenho tempo para pôr bâton"! Um bâtonzito passa-se nos lábios até em andamento. No entanto, vejo muitas que andam descoradas por aí, ou que optam por um gloss pegajoso que não vai lá nem faz nada, sem falar nas que escolhem rosas-pálidos que dão aquela "cara de doente". Também os nude têm armadilhas, já que o nude lindo de uma é o "bâton terroso" de outra. Mas uma coisa são as cores da moda ou as extravagâncias num desfile, outra é o benefício para a vida real: mate ou translúcido, um bâton deve dar vida ao rosto. Um tom clássico de encarnado (as tímidas podem optar por um cremoso e transparente, ou um lápis bálsamo) com tons rosados para as louras, alaranjados para as ruivas ou de vinho para as morenas é uma escolha básica, que ilumina os traços e realça a beleza num ápice.


5-Actualizar os soutiens




Isto toda a gente sabe que é importante, mas às vezes deixa passar porque enfim, "este ainda está bom". Porém, um soutien que até seja do modelo apropriado mas tenha "relaxado" um pouco nas alças não só desfavorece a figura, como pode instantaneamente dar a ilusão de um ar envelhecido, cansado, curvado - além de aparentar um certo desmazelo. Se o usar sob malhas, pior um pouco. Para resolver isso de vez, livre-se sem dó de todos os que lhe despertam dúvidas. Quando se trata de roupa interior é preferível ter uma quantidade limitada, mas eficaz, do que ir buscar aquele soutien que é giro mas já não se lembra se assenta bem ou não e passar o dia a sentir-se...bom, fora do sítio.

Mais uma dica:Também conheço quem tenha dificuldade em achar o seu número exacto nos modelos que lhe ficam bem em termos de copa...e remedeie o problema mandando ajustar alças e costas na costureira. O que por sua vez, também faz com que durem mais tempo. É uma solução boa e em conta, principalmente se investiu muito numa lingerie mais especial, mas que não está a fazer grande coisa por si.

6 - Limitar-se a uma manicure simples

 
Base colorida Luminous Nails, Catrice


Há mulheres que são de extremos: umas enchem as unhas de efeitos e extravagâncias, outras deixam o verniz descascar ou andam sem nada. Para evitar quer o mau gosto e as canseiras escusadas quer o desleixo, nada como mãos cuidadas e bonitas... mas que dêem pouco trabalho. Um verniz espesso mas translúcido ou mesmo uma base com cor (existem tons nude lindos) aplica-se com facilidade e acaba-se o terror das pontas estaladas ou de um detalhezinho que não saiu perfeito. Manter as unhas curtas e limadas também é um bálsamo de elegância no actual panorama de garras de meio metro. Quem não tem tempo, simplifica!










Wednesday, March 30, 2016

Nós, mulheres, fluimos pela vida.




No fim de semana de Páscoa a SIC transmitiu um filme/mini série que andava a querer ver há que tempos: The Red Tent, que conta as histórias de Lia e Raquel, de Diná e (uma das minhas preferidas) a de José no Egipto. 

É uma perspectiva feminina - com algumas liberdades criativas - da história conforme a conhecemos, e nem sempre simpatizo com as reviravoltas algo feministas que se dão a tais versões (as mulheres raramente se zangam umas com as outras, é tudo muito amiguinho e o macharedo é que tem a culpa de tudo, etc) mas no geral, agradou-me mais do que esperava. Quanto mais não fosse, por ter a adorável Morena Baccarin como Raquel. Aquela mulher tem um rosto e uns olhos lindos!


Pondo de parte os tais "mistérios femininos "e rituais obscuros de fertilidade com a grande deusa que punham os patriarcas judeus a ralhar ao mulherio para se deixar de tais bruxarias (esse tema já foi tratado, abordado e fanado em tudo quanto é versão feminina de histórias conhecidas, a começar pelas Brumas de Avalon; já cansa) qualquer mulher com referências femininas fortes se identificará com o elo entre avós, netas, filhas, mães, tias e sobrinhas. Ou com os intrincados costumes relacionados com o parto, que as ligavam umas às outras numa cadeia infinita. 




O delicado ofício de parteira exigia um dom. E conferia um certo estatuto ou respeito especial. As avós contavam-me várias histórias de mulheres próximas que, tendo aprendido esses segredos com velhas criadas e governantas, se valiam deles mais tarde, quando fortunas se perdiam, as Casas decaíam e maridos se arruinavam, para assegurar a sobrevivência da família. Na terra dos meus avoengos, a parteira que amparava a crianças tinha o privilégio de as levar à pia baptismal. 


Penso muitas vezes naquela frase de Amy Tan que diz que  as mulheres de uma família são, geração após geração, como degraus que andam para cima e para baixo, sem sair realmente do mesmo lugar.  Quando olho para as alegrias, aventuras e dramas de algumas antepassadas minhas, reconheço muita coisa. Para o bem e para o mal. É como se a história se repetisse, ou um xadrez fosse jogado com as mesmas tácticas, no mesmo tabuleiro.

The Red Tent - e em particular, as subidas e descidas de Diná (ou desta interpretação de Diná) do deserto para o palácio, de pastora a princesa, de princesa a escrava, de escrava a parteira e mulher independente, para no fim voltar a ser esposa, mãe, ter o seu bom nome restabelecido e encontrar a paz - lembrou-me a frase de Amy Tan. Mas também me fez pensar noutra coisa: digo-vos muitas vezes que uma mulher deve ser forte mas de aço, como as cordas de um piano. Mas ser de aço não basta: se a água é um elemento feminino, se a mulher é Yin, água, mutável como a Lua, isso explica a capacidade de adaptação de que tantas dão mostras. Não é força, é jeito. Não é levar tudo à frente: é fluir por ali fora, procurando os cantos e os recantos para desaguar mais adiante quando o terreno permitir uma cascata. Só assim se escapa aos degraus que levam invariavelmente aos mesmos patamares.

Tuesday, March 29, 2016

Glossário do dia: o que é ser uma "mulher de trouxa"?





Li esta há dias por esta internet de Deus, e achei muita graça ao termo, apesar de se referir a uma coisa muito feia...

Ser uma "mulher de trouxa"  não é exactamente andar por aí com uma trouxa na mão, de casa às costas, ou com uma carteira muito grande. Tão pouco andar entrouxada em roupa ou exagerar nas trouxas de ovos (o que é um acto perfeitamente compreensível, pelo menos em data festivas).
Não, meninas e meninos: uma "mulher de trouxa" é uma rapariga ou mulher casada/ comprometida com um banana, um homem beta, um palerma de marca maior que (ora por ser um fraco, ora por se armar em feministo muito moderno ou em capitão salva galdérias) não se importa -  e até a incentiva- a andar em preparos pouco decentes por aí. 

É claro que qualquer homem de bom senso e seguro de si não se sente ameaçado por ter a seu lado uma bela mulher, antes pelo contrário. Qualquer cavalheiro de gosto aprecia ver a sua mulher bem vestida e embonecada: a beleza e elegância dela reflectem-se nele. Um pouco de ciúme é inevitável se uma mulher vira cabeças quando passa, mas se ela está ataviada com discreta elegância, dificilmente atrairá olhares ou ditos ofensivos, que a envergonhem ou sejam uma falta de respeito para a sua cara metade...

Tão pouco a impedirá de ter amigas ou vida própria: mas se ela mostrar pouco siso, saberá impor-se com firmeza, pois nenhuma equipa funciona sem regras... nem nenhuma pessoa sensata, homem ou mulher, gosta que façam de si tola.

A mulher de trouxa é obviamente outra coisa: é a que  usa exclusivamente o mais curto/justo/decotado/provocante com o único objectivo de dar nas vistas. Quanto mais vulgar, melhor! O que conta é BRILHAR e arrasar e esses verbos serigaitos todos. E o homem sente-se (ou finge que se sente) lisonjeado com isso, que é a inveja do bairro (ou do ginásio, ou do clube de dança, ou de outros antros onde esta espécie pulula muito) quando na realidade é alvo de troça.

Conheci um assim - e pasme-se, o casal era *supostamente* católico e temente a Deus! Ela uma serigaita tonta, não necessariamente má mulher mas pateta, que gostava de se mostrar tão vistosa como pudesse apesar de estar a ficar bastante rechonchuda. Ele magrinho, lingrinhas, bonzinho, tontinho, insistia que ela calçasse sempre saltos de stripper, porque "gostava de ver"...e coisas assim. Se ela queria andar em ladies night lá por fora enquanto ele trabalhava como um mouro, tudo lindo! Afinal, ele era um homem moderno e ninguém é de ninguém...long story short, ela fugiu com um Carlão de ginásio. 

Está certo que não lhe cabia pensar pela esposa, que há mulheres aparentemente discretas que fazem outro tanto e que quando uma mulher se quer portar mal, tanto faz correr como saltar, pôr-lhe um daqueles cintos medievais ou fechá-la numa torre: mas haja princípios e zele-se ao menos pelas aparências! São precisos dois para dançar o tango. Para que uma mulher se vista como uma mulher de trouxa, é preciso que (além de não ter princípios nem pudor) esteja ao lado de um homem que não opine, não tenha valores, não diga nada, que seja, enfim, um trouxa... o respeito e a dignidade são plantas que se cultivam, nas coisas pequenas e nas grandes...



 

Para as noivas, parte I: como espatifar um vestido decente







Há dias, um comentário que fiz no Facebook do Imperatrix sobre os malfadados vestidos de noiva cai cai teve muita participação. Por isso, e porque estamos na Primavera e há sempre noivas que ainda não escolheram o seu (para não falar nas convidadas em busca de toilette) pensei numa mini série de posts sobre o assunto: onde - e COMO - conseguir um vestido apropriado, elegante, etéreo, romântico e favorecedor, que dê um ar angelical (sem deixar de ser feminino e apelativo) e de preferência, sem cai cais nem decotes de cabaret ridículos? E com mangas, há? Isto para vários orçamentos. Never fear, é para discutir esses e outros problemas femininos que cá estamos.

Estava a meditar nisso, quando apanhei um programa da TLC (what else?) em que se falava numa das melhores opções para conseguir um vestido desse género sem gastar os olhos da cara: recuperar e adaptar o vestido da mãe (ou da sogra, avó, tia, madrinha, whatever). É uma alternativa romântica, de classe e com pequenas alterações, consegue-se um resultado lindo (até porque os tecidos de outros tempos eram, muitas vezes, de qualidade superior, além de escaparem às inevitáveis organzas, tafetás, sintéticos e brilhinhos que encarecem o vestido e, quando mal aplicados, acrescentam demasiado volume).

Era uma vez um vestido persa vintage com potencial....


A noiva, que era persa e queria um casamento opulento à moda da sua terra e "não ser ofuscada pelas convidadas", pensou em aproveitar o vestido da mamã; logo, pediu à parentela que lho enviasse de avião para os E.U.A. Era um modelo recatado e bonitinho dos anos 70, com muita renda...e mangas! Para ficar perfeito precisava apenas de uns retoques aqui e acolá, do véu correcto e estava feito. E eu pensei logo: olha, milagre. Mas algo me diz que  as mangas não vão sobreviver à doideira, noiva persa ou não noiva persa

A modista de serviço - vestida de serigaita, como não podia deixar de ser - falou (nisso concordei com ela) em descer a cintura e alterar o decote. Certo. Depois, em dar mais va-va-voom à saia aproveitando a renda original. Ok, isso depende do gosto e da silhueta de quem o usará. Mas - ignorando o pedido dos pais para "não fazer nada sem alças"- pelo esboço que fez estava-se mesmo a ver que mais valia pegar no vestido e fugir logo dali. Porém, não: a bridezilla de uma figa ficou no mesmo sítio a assistir àquela tragédia!


Depois- oh desgraça - eis que corta, corta, corta, cose, torce, retorce...e o raio da mulher apresenta uma treta de um balandrau, bonitinho mas igual a milhares de vestidos cai cai daqueles todos iguais mas que cada noiva jura que são diferentes. Basicamente, um corpetezito com um cintozito de pedras e uma saia de suspiro para baixo. Lá se vai o vestido único e original, lá se foi a modéstia sumptuosa de uma noiva oriental, olá imitação manhosa - mas caríssima- de vestido de baile de debutantes. Não é que ficasse feio ou lhe assentasse mal, até porque a menina tinha figura para o suportar: mas ficou igual a milhares de tantos outros e super descapotável. WHY????

...que se transformou nisto.


De tal maneira que a noiva - apesar de jurar a pés juntos que adorou, e de o pai babado ter de pagar as modificações a peso de ouro na mesma - acabou por comprar outro vestido. Engraçadinho, mas nada com o impacto que ela tinha pedido a início. E assim se estragou um vestido de família para rigorosamente nada. E lá pagou caríssimo outra opção, acabando por ir assim, sem mangas e sem grande graça:


Como vêem, não se trata de falta de vestidos, como algumas seguidoras aqui do Imperatrix apontaram: é mesmo uma questão de visão estreita, de seguir cegamente os conselhos de profissionais amalucados e do hábito terrível de querer por força que uma noiva pareça sexy, mesmo quando o seu pedigree pede outra coisa. Ou por muito pouco apropriado que isso seja.

De vestidos como manda o figurino, trataremos então mais adiante.






Monday, March 28, 2016

Quando se deixa de ir com a cara de alguém.



Acontece. Em amizades, amores e relações de parentesco ou de negócios. Mesmo às pessoas de lealdades mais constantes - e geralmente depois de o ex-afecto em causa ter feito trinta por uma linha ou, simplesmente, revelar que afinal não tem tão bom coração como isso. Ou porque é um Judas, ou porque é uma pessoa "venha a nós" ou invejosa, ou simplesmente por ser uma alma cheia de manias, que acha que tudo lhe é devido, sempre de mal com o mundo e não há paciência.

                                     

Mas em todos os casos, a linha ténue entre "dava-me muito bem com fulano ou beltrana, mas as coisas têm-se complicado" e "já não suporto esta alma nem com molho de tomate"  passa a ficar inequivocamente traçada no momento em que tudo o que ela faz e diz começa a causar urticária.

É que é complicado distinguir exactamente o "antes" e o depois". Nem toda a gente tem a clareza de sentimentos para perceber, de imediato "já não gosto desta pessoa". Mas a irritação pelas pequenas coisas é um sinal que não engana. Se a cada passo se pensa "que idiota" ou "que ridículo (a)", o que era doce azedou.



Quando se gosta de alguém, até os defeitos têm graça. Ou se não tiverem, dá-se o desconto pelo bem que se lhe quer e por amor às suas qualidades que superam grandemente as falhas de carácter. Às pessoas queridas, tolera-se até o intolerável. E convenhamos, nem sempre se gosta muito das pessoas de quem se gosta. Muitas grandes amizades sobrevivem à base de "és um imbecil, mas adoro-te na mesma". Já a estranhos ou antagonistas, suporta-se muito pouco. E quando o "adoro-te" se vai, fica só o imbecil.



Se a nossa melhor amiga aparecer com um look de mau gosto, podemos avisá-la, ou não dizer nada para não a magoar - ou no limite, brincar com o assunto. Mas não sejamos hipócritas: se uma mulher com quem se embirra vestir o mesmo, não seremos tão caridosas. Ainda que cá com os nossos botões e com um certo remorso, em modo "sei que isto é feio mas sabe tão bem" troçaremos dela sem dó nem piedade.

A uma pessoa apaixonada, tudo lhe parece bem: mas se deixa de estar, poderá até ser um pouco mesquinha. Vai reparar em tudo aquilo a que antes fazia vista grossa e ouvidos moucos e apontá-lo como que a fazer contas aos pretextos para sair de cena.

Gostar de alguém também passa por querer gostar. E o querer gostar requer razões. Uma vez deixando de haver motivos, a vontade de ver só qualidades desaparece. Quem for uma pessoa decente tentará não o fazer com maldade - apenas deixar de acrescentar lenha à fogueira desse afecto, afastar-se, não querer proximidades. Uma vez tirando os óculos cor de rosa do afecto, vê-se a pessoa mais ou menos como ela é: e se os defeitos superarem as virtudes, o caldo pode entornar-se. C´est la vie...

Gucci, adoro-te mas...what the hell?




Pensem em Gucci para HOMEM: não sei quanto a vós, mas ocorrem-me imediatamente à ideia fatos italianos primorosamente cortados e coisas assim. Ora bolas, até o guarda roupa do Ben-Affleck/Bruce Wayne é Gucci no filme em que o Batman e o Super-Homem se travam de razões.

Por isso fiquei espantada ao ver estes acessórios para homem....




E estas toilettes (glups) "para eles" :


É verdade que toda a estética da Casa Gucci tem gravitado à volta dos anos 70; basta ver pela colecção feminina para esta Primavera ou mesmo por alguns fatos que, dentro do corte masculino mas de acordo com as tendências, têm apresentado as bainhas mais curtas. Os anos 70 foram a década do unissexo, de uma silhueta mais boyish para homem, com o corpo em V e algum regresso a "tipos elegantes", vulgo peraltas, que já eram apontados como "chic, mas pouco viris" nos finais do sec. XIX.

Nos anos 1970 houve o muito mau (as grandes lapelas, o poliéster, as suiças, rapazes de botas de salto alto e coisas piores) mas também uma abordagem fresca aos clássicos, um regresso ao natural, ao boémio, aos cabelos compridos q.b. (que pessoalmente, acho lindos) e, falando em termos de estética, o corpo de bailarino que é bonito. Basta ver filmes do tempo como Love Story, Hair, The way we were ou Jesus Christ Superstar. A década tem má reputação, mas recuperar alguns dos seus elementos não é necessariamente péssimo.


Depois, um homem másculo não deixa de o ser por lhe apetecer pôr uma camisa/casaco cor de rosa,  um padrão mais fofinho numa gravata ou coisa que se pareça. Não é por uma peça em si mesma ou um elemento extravagante que uma toilette deixa de ser "de homem".


E em última análise, o público gay nunca foi de desprezar para as marcas. Sem falar naqueles que, tão hetero como se pode, têm figura e pinta para evocar um David Bowie nos seus tempos de glam rock. Vai da presença de cada um. Compreende-se que a cada estação haja sempre a presença de peças mais ousadas, irreverentes, fantasiosas.


Mas quando se exagera, quando uma colecção inteira (ou 90% da colecção, vá) obedece a essa ideia,  a história é outra. Já me parece puxar um bocadinho pela efeminização obrigatória a que se tem assistido quer em comportamentos e ideias, quer em filmes.

Do filho de Will Smith a usar saias e vestidos (tanto por sua cabeça, como para a Louis Vuitton) a colecções "gender free" (como se roupa unissexo fosse agora grande novidade) parece que querem por força impor o borrowed from the girls. Isto não seria incomodativo se se tratasse só de arte, de estética. O que me faz espécie é a afirmação política por trás da ideia. Digam o que disserem, a masculinidade faz falta. Precisamos dela nas referências, nas imagens, no que se transmite às pessoas todos os dias, nos valores que permitem o equilíbrio da sociedade.

E não sei quanto a vós, mas passear-me por aí com um cavalheiro mais  florido e colorido do que eu não faz as minhas delícias. Mas se calhar estou em minoria, já não digo nada.

Sunday, March 27, 2016

Insulto de Páscoa, só para ensinar alguma coisa hoje


Na terra dos meus avós, é costume dizer-se "aquele sujeito é uma autêntica  Páscoa ao Domingo!" para falar de um papa açorda, preguiçoso, sonso, enjoado ou banana. 

 Também se utiliza para chamar a atenção a um filho indolente ou pouco assertivo "então os colegas fazem-lhe bullying e ele não se defende? É mesmo uma Páscoa ao Domingo!" ou de um pretendente que não ata nem desata "anda há anos atrás da rapariga e ainda não se declarou? Que palerma, que Páscoa ao Domingo".

Não sei de onde a expressão veio, mas é uma forma benevolente de dizer "esta pessoa não acrescenta rigorosamente nada" porque logicamente, não há Páscoa que não seja ao Domingo. Também pode ter a ver com a sensação de moleza que vem com a comezaina de Páscoa, ou com a textura dos bolos e dos doces. 

Uma criatura que é  "Páscoa ao Domingo" tem a firmeza e consistência de um pão-de-ló. E a resistência moral de um ovo pintado. É tímida e pouco séria como o Coelhinho da Páscoa. Enfim, percebem a ideia. Se vos apetecer ser pouco caridosos com alguém que precisa que lhe abram os olhos, fica a dica. Mas o "mimo" usa-se todo o ano. Só me lembrou por ser Páscoa...

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